terça-feira, 7 de Março de 2006

Das primeiras lutas isoladas às Trade-unions

O berço dos sindicatos foi a Inglaterra, sendo o resultado de uma dura experiência de luta. Engels, em seu célebre estudo A Situação da Classe Operária na Inglaterra, resumiu suas diferentes fases.

“A primeira – a mais brutal e estéril – foi o crime”. Os operários não entendiam porque produziam, toda a riqueza da sociedade e tinham uma vida miserável. Já os capitalistas, que nada produziam, tinham melhor sorte. A necessidade fez-se maior que o respeito à propriedade e logo se puseram a roubar. O roubo foi uma forma mais grosseira e inconsciente de protesto individual à ordem social vigente. A criminalidade e as prisões aumentaram na mesma proporção do desenvolvimento da indústria. Perseguidos e esmagados pela repressão policial, cedo compreenderam que essa não era a saída.
A introdução da maquinaria produziu uma nova revolta. Ao serem substituídos pelas máquinas, os operários passaram a destruí-las e a perseguir os inventores. “Os operários, enquanto classe, só começaram a opor-se à burguesia quando resistiram pela força à introdução das máquinas”. Essa luta passa a ser conhecida como “movimento dos luddistas”, devido ao nome de um operário chamado Ned ou King Ludd. Essa forma de luta logo também se mostrou limitada. A sociedade se colocou contra os operários e seu gesto de revolta foi considerado crime. Foi adotada a pena de morte e muito operários foram enforcados.

Sociedades secretas
O movimento mais consciente da classe operária começou a desenvolver-se já no final do século XVIII. Sob influência da grande Revolução Francesa de 1789, surgiram na Inglaterra as primeiras sociedades secretas de operários. A dos sapateiros de Londres era dirigida por Tomas Hardy; a dos alfaites, por Frances Place. Na escócia os tecelões de Glasgow organizaram já em 1812 uma greve, graças a uma associação secreta.
D. Riazanov, numa de suas conferências na Academia Comunista de Moscou em 1923, afirma que a primeira organização revolucionária da Inglaterra surgiu entre os anos de 1791/92, denominada Sociedade de Correspondência, procurando ligar as várias associações até proibidas.
As associações secretas foram proibidas e seus dirigentes perseguidos. Ao final, suas lutas não deram muitos resultados. O segredo que envolvia sua existência travava seu desenvolvimento.

Trade-unions
Foi em 1824, que o parlamento inglês – Câmara dos Comuns – votou uma lei reconhecendo o direito de associação que até então era restrito às classes dominantes. Conquistado o direito de livre associação, vem à luz as uniões operárias. Considerados os primeiros sindicatos, ou trade-unions, como as chamam os ingleses, logo se desenvolveram por toda a Inglaterra, em todos os ramos de produção, e com tempo tornaram-se bastante poderosas.

Engels explica que as trade-unions tinha o objetivo de fortalecer o operário na luta contra a exploração capitalista. Assim, passaram a fixar os salários para toda a categoria, evitando com isso que o operário atuasse isoladamente na luta por melhores salários. Começaram também a regulamentar os salários em função do lucro, obtendo aumentos que acompanhavam a produtividade industrial e nivelando-os para toda a categoria. Negociavam suas propostas com os capitalistas e, quando eram rejeitadas, deflagravam-se as greves. Auxiliavam financeiramente os operários em greve ou desempregados, através das Caixas de Resistências, o que aumentava a capacidade de luta.

Em seguida surgiram as Federações que passaram a agrupar as várias categorias de uma região. Em 1830 constituiu-se uma associação geral de operários ingleses – a Associação Nacional para a Proteção do Trabalho – cujo objetivo era atuar como central de todos os sindicatos. Reunia cerca de cem mil membros do setor dos têxteis, mecânicos, fundidores, ferreiros, mineiros etc. Tinha uma publicação periódica, A Voz do Povo, com uma tiragem inicial de trinta mil exemplares. A associação era liderada por Jonh Dohert, operário que já nos anos 20 era secretário do Sindicato dos Fiadores de Algodão de Manchester.

A função principal da Associação Nacional era resistir de forma unificada à diminuição dos salários e dar apoio aos operários em greve. Uma vez desrespeitado o salário fixado pelas trade-unions, enviavam uma delegação junto ao patronato exigindo sua aceitação. Se isso não fosse suficiente, recorria-se à paralisação daquele ramo ou setor.

À medida que surgiam as associações sindicais, os capitalistas começaram a pressionar e obrigar os operários a renunciar à luta sindical. Assim, várias associações foram extintas. Isso demonstra como foi árdua a luta dos operários pela sua organização nos sindicatos.

Robert Owen
Robert Owen (1771-1858), foi um dos precursores do socialismo utópico inglês e teve um papel destacado nas lutas das trade-unions.

Administrador de uma fábrica de algodão em Manchester, na Inglaterra, observou de perto as condições desumanas dos operários e revoltou-se com as perspectivas do progresso industrial. Defendia a criação de uma comunidade ideal onde reinaria a igualdade absoluta. Aplicou suas idéias na Escócia ao assumir o controle dos cotonifícios de New Lanark por 25 anos. Implantou uma cooperativa de produção de alto padrão em que as pessoas trabalhavam dez horas por dia e tinham um nível de instrução muito superior à média. Organizou ainda cooperativas de consumo, estabelecimentos de troca de produtos por meio de bônus de trabalho, cuja unidade era a hora produzida. Suas cooperativas serviram para demonstrar, na prática, que proprietário capitalista e o comerciante ou o intermediário não eram indispensáveis.

Perseguido, Owen mudou-se para os Estados Unidos. Com base em suas idéias formou uma cidade, New Harmony, no estado de Indiana. Quando voltou para a Inglaterra encontrou suas cooperativas falidas. Owen não conseguia perceber – e por isto foi um socialista utópico – que a transformação da sociedade capitalista não seria pacífica e harmoniosa, através de reformas, mas sim a partir de uma violenta luta entre as classes até que se abolisse a propriedade privada, conforme mostraram Marx e Engels no Manifesto Comunista de 1848.

Posteriormente dedicou-se intensamente à organização das trade-unions. Engels em seu ensaio Do Socialismo Utópico ao Socialismo Científico ressalta: “Todos os movimentos sociais, todos os progressos reais registrados na Inglaterra no interesse da classe trabalhadora estão ligados ao nome de Owen. Assim, em 1819, após cinco anos de grandes esforços, conseguiu que fosse votada a primeira lei limitando o trabalho da mulher e das crianças nas fábricas. Foi ele quem presidiu o primeiro congresso em que as trade unions de toda a Inglaterra se fundiram numa única e grande organização sindical”.

As trade-unions constituíram a primeira tentativa efetiva de organização dos operários. Ao conseguirem se contrapor à concorrência existente entre os operários, unindo-os e tornando-os solidários em sua luta, os operários conseguiram dar os primeiros passos na luta pela emancipação da classe operária.
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