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quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012 'Mr. Kong' e o racismo à brasileira
![]() Cena do clipe No Brasil, o que serve de exemplo "positivo" para a sociedade sempre tem uma ancestralidade européia. É assim, por exemplo, com as apresentadoras de programas infantis, que há mais de três décadas invadem os lares brasileiros com suas cabeças loiras e que não parecem nada com a maioria da população. As novelas também reproduzem essa falsa realidade e seus galãs ou protagonistas sempre têm o "pezinho" no velho continente. Na educação essa realidade não é diferente. Os que hoje são adultos se lembram que nos livros didáticos as famílias negras nunca eram retratadas. As únicas figuras negras registradas eram, sempre, os escravizados ou trabalhadores domésticos. A herança escravagista que tratava o negro como animal irracional e sem capacidade intelectual se manteve viva mesmo depois da abolição. Ser a maioria dos miseráveis e favelados nos dias atuais é o exemplo categórico do racismo no Brasil. Ao contrário dos Estados Unidos da América (EUA), onde leis garantiam a segregação até os anos 70, o Brasil não precisou de artifícios jurídicos. "Kong", um desserviço e uma ofensa às mulheres e aos negros É por todos esses exemplos que a população negra, e em especial os jovens, precisam ter referências positivas. Pelé, o atleta do século, perdeu a chance de ser um embaixador da luta anti-racista no Brasil; como foi o maior pugilista de todos os tempos, Muhammad Ali, nos EUA. Quando alguns negros conseguem ultrapassar o filtro racista da sociedade brasileira se espera deles, no mínimo, uma postura crítica perante a situação do negro no país. O cantor Alexandre Pires, que foi líder do grupo Só Pra Contrariar, gravou recentemente um clipe que não traz nada que possa ajudar a população negra a ser tratada com dignidade. O clipe que leva o nome da música "Kong", uma referência ao gorila "king Kong". O inicio do vídeo é marcado por uma invasão de gorilas (homens fantasiados) numa casa cheia de mulheres. As cenas são protagonizadas por três negros: o próprio Alexandre, o jogador de futebol Neimar e o cantor Mr. Catra. Este último, durante o filme, se intitula com Mr. Kong. Uma passagem da música diz: "é no pelo do macaco que o bicho vai pegar". As imagens só reforçam o estereótipo animalesco do homem negro como viril. O desserviço prestado por Alexandre, além de fortificar o racismo, é sem dúvida machista. O movimento negro deve repudiar essa manifestação evidente de racismo, que passa como se fosse uma coisa natural, típica característica do racismo à brasileira. |
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