segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Tempos da ditadura são novamente vividos em Recife

O centro de Recife viveu um momento que há tempos não era visto. O dia pode ser comparado à época da ditadura militar, quando estudantes e trabalhadores eram duramente reprimidos. No dia 20 de janeiro de 2012 a polícia de Eduardo Campos (PSB) abriu fogo contra a população recifense que estava pacificamente exercendo seu direito de protestar. A tirania do Batalhão de Choque de Pernambuco, comandado pelo Coronel José Antônio, também atacou uma instituição federal. Bombas de efeito moral foram jogadas dentro do prédio da Faculdade de Direito da Universidade Federal de Pernambuco, local onde estavam estudantes e trabalhadores refugiados.

Nos anos 1960, em plena repressão militar, vários estudantes foram feridos em uma ação dentro da Faculdade de Direito. Um estudante de direito e um popular morreram nesses confrontos. A partir desse episódio, esse local virou um símbolo de resistência para o movimento estudantil pernambucano. O Diretório Acadêmico dos Estudantes de Direito da faculdade leva o nome do estudante: Demócrito de Sousa Filho. Na última sexta-feira (20), Eduardo Campos fez questão de reviver esse tempo cruel no local onde também pode ser considerado como um símbolo de covardia de governos repressores.

Eduardo Campos (PSB) promove violência gratuita em Recife
O protesto aconteceu por causa da reunião a portas fechadas no Grande Recife Consórcio de Transportes para definir o aumento nas tarifas de ônibus. No Jogo de cartas marcadas para o governo sair de bonzinho havia duas propostas: Os empresários queriam 17,2% e o governo 6,5%. Estudantes e trabalhadores inconformados exigiam reajuste zero e por isso uma passeata foi organizada por internautas, vários movimentos estudantis e populares além de partidos políticos.

A ideia inicial era seguir da Rua do Hospício até a sede da empresa, no Cais de Santa Rita. Gritos como "O povo não é bobo, aumento de passagem é roubo" e "Se a passagem aumentar, o Recife vai parar" davam o tom da passeata até que no meio do caminho os manifestantes souberam do fim da reunião e da aprovação dos 6,5% de aumento. Com isso, as palavras de ordens mudaram para "A passagem aumentou, o Recife já parou" e mudou também o percurso da passeata. Com o objetivo de chegar até o Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual, os ativistas foram surpreendidos por uma barricada policial, mas corajosamente a passeata seguiu.

O Batalhão de Choque queria impedir que os manifestantes chegassem até a sede do governo e começaram a jogar bombas de gás lacrimogêneo, spray de pimenta e atirar com balas de borracha. A passeata se dispersou e muita gente ficou em pânico, crianças e até cadeirante que participavam da atividade foram atingidas pelo efeito do gás. "Agora eu entendo o que é essa repressão que meus pais falam tanto", falou R. G. de 10 anos, que estava na passeata com seu pai. "Fiquei apavorado com a zoada da bomba atrás de mim, não sabia para onde correr até que meu pai me pegou e me colocou dentro de uma barraquinha", diz a criança, que ficou com os olhos bastante vermelhos e ardendo, além de reclamar da dor na cabeça.

Após o tumulto provocado pelos policiais, os manifestantes se reorganizaram dentro do prédio da Faculdade de Direito. Realizaram uma assembleia e decidiram retornar com o protesto nas ruas. Cerca de 400 pessoas estavam no local quando a polícia novamente atacou jogando as bombas dentro da faculdade. Os ativistas ficaram cercados e presos dentro da faculdade. Muitos estudantes foram detidos e outros ficaram feridos. A situação só acalmou quando representantes da OAB e do Ministério Público foram ao local negociar a saída do Batalhão de Choque. Após quase duas horas retidos na faculdade, os manifestantes puderam ir para suas casas.

Para Cláudia Ribeiro, diretora do SIMPERE (Sindicato dos Professores Municipais de Recife) e também militante do PSTU que esteve presente na atividade, os governos da Frente Popular - Eduardo Campos (PSB), João Da Costa (PT) e Renildo Calheiros (PCdoB) - são os principais mandantes desse crime contra a população e o direito de expressão. "Nós do PSTU estávamos exigindo que os membros do Conselho Superior de Transporte Metropolitano do PT e do PCdoB votassem contra qualquer aumento, mas eles votaram a favor revelando seus verdadeiros interesses", esclarece a professora que ainda conclui: "Sabemos muito bem que quem banca as campanhas eleitorais desses senhores são também os grandes empresários de transporte da região metropolitana ".

Militante do PSTU é ferida
Muitas pessoas saíram feridas desse confronto. Raphaela Carvalho, militante do Movimento Mulheres em Luta (MML) do PSTU, levou um tiro no pescoço. "Essa bala poderia ter atingido meu olho e me deixar cega, como aconteceu com um estudante em Teresina", declara aflita Raphaela que ainda completa: "Esse é o papel da polícia em nosso estado, Eduardo Campos manda o batalhão de choque às ruas para nos oprimir e defender os interesses dos empresários de transportes que mais uma vez em nome do lucro está massacrando estudantes e trabalhadores que estão lutando pelos seus direitos".

Sergio Gaspar, assessor de Comunicação que estava cobrindo a atividade, ficou aterrorizado com o que viu, pois até a imprensa foi atacada. "A policia não respeitou ninguém que estava por lá. Do nada eles pararam de disparar contra os manifestantes e viraram para o local onde estava toda a imprensa. Foi fogo contra repórteres, fotógrafos e pessoas que estavam nas paradas além dos comerciantes locais", denuncia Sérgio. Isso mostra também o completo despreparo do comandante da PM. "Esse fato me lembrou os tempos do comandante Meira que ficou famoso pela dura repressão durante as manifestações contra o aumento das passagens em 2005", recorda o assessor.

Globo mente: a violência partiu da PM
Como era de se esperar, a Rede Globo mostrou em sua reportagem que os estudantes jogaram pedras na polícia e por isso ela atirou contra os manifestantes. Na verdade, tudo aconteceu ao contrário. A todo o momento, o batalhão de choque tentou guiar a passeata, querendo acabar com a autonomia do protesto.

Os manifestantes seguiam pela Avenida Martins de Barro até que a policia fechou a rua para impedir que o ato prosseguisse. Já em frente ao Ministério Público, os estudantes e trabalhadores decidiram continuar com a caminhada e foi aí que começou o confronto. Tiros e bombas atirados contra os manifestantes dispersaram a passeata, mas como forma de defesa, alguns estudantes jogaram pedras na barricada. Uma verdadeira covardia com os manifestantes!

PSTU exige:
  • Aumento ZERO!
  • Passe-livre para estudantes e desempregados!
  • Que Eduardo Campos pare de criminalizar os movimentos sociais e se retrate pela violência praticada!
  • Demissão do comandante José Antônio, um dos responsáveis pela repressão!
  • Por 2% do PIB da região metropolitana para transporte público administrado por uma empresa pública de transporte!


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