sexta-feira, 11 de Maio de 2007

Famílias sem-teto ocupam casas abandonadas em Valença (RJ)

Na manhã do dia 19 de março, cerca de 40 famílias de trabalhadores da cidade de Valença (RJ) ocuparam as casas que encontravam-se ociosas há mais de três anos no bairro Varginha, em estado de total abandono e deterioração.A ocupação foi decidida em assembléia realizada no domingo anterior e contou com o apoio do MST, da Conlutas e de integrantes de associações de moradores.

Um breve histórico
A situação que gerou a corajosa ação dessas famílias é estarrecedora! Há anos atrás, o já falecido Fernando Graça, ex-prefeito, sorteou 100 lotes para famílias carentes naquela localidade, porém, nada fez além disso para que esses trabalhadores erguessem suas casas. O terreno ficou abandonado, sem cumprir a função social determinada pela Constituição Federal. Os sorteados, então, permaneceram sem o almejado teto.

Anos depois, no mesmo terreno já doado, 100 casas foram construídas por outro prefeito, Luiz Antônio. Outro sorteio foi realizado, para outras 100 famílias. As construções ficaram pela metade, demonstrando, assim, que os referidos sorteios não passam de oportunismo eleitoral dos pretendentes ao governo do município, que há décadas parecem brincar com a vida das pessoas, por interesses econômicos e políticos.

As 200 famílias sorteadas para 100 espaços, portanto, são todas vítimas do grande circo da política no município e encontravam-se, até o dia 19 de março, morando em condições precárias, dependendo de favores de terceiros ou tendo que optar entre dar de comer aos filhos ou pagar um aluguel.

O déficit habitacional do município é tão grande que mesmo com as tentativas da polícia de limitar o acesso de famílias e de seus pertences no dia da ocupação, essa cresce e já conta com mais de 90 famílias. Todos os dias, chegam mulheres e crianças pedindo para ficar, mesmo sem terem sido sorteados para nada, porque não têm onde morar.

O atual governo, de Antônio Fábio Vieira (PSDB), demonstrou não ter qualquer plano sério para resolver o problema habitacional do município. Até o momento, insiste em retirar as famílias do local, não oferecendo nenhuma alternativa para elas, negando-se a dialogar com o movimento e tentando confundir a opinião pública, querendo fazer parecer que são os trabalhadores os culpados pela situação absurda em que foram colocados.

A verdade é que estas e outras centenas de famílias valencianas são vítimas dos sucessivos governos que passaram pela cidade, deixando apenas desemprego, salários baixíssimos, educação e saúde em péssimas condições e total desamparo aos trabalhadores e jovens.

Sem-teto de Valença têm o descaso e a mentira como únicas respostas do governo municipal
É inacreditável o descaso com que os representantes do governo municipal têm tratado as trabalhadoras, trabalhadores e crianças sem-teto de Valença. Além de não terem sequer comparecido ao local para conhecer de perto o problema, descumprem acordos feitos em audiências e se utilizam de mentiras e distorções na rádio local, contra os trabalhadores.

No único encontro entre representantes do movimento e o prefeito, o acordo firmado foi de que as famílias desocupariam 80 casas, permanecendo em 20 das 100, já que, finalmente, após 3 anos de total abandono dessas moradias, o discurso era de que as obras seriam retomadas, com adiantamento de verbas por parte da prefeitura. O movimento, cumprindo o acordo, recuou para as casas da parte de trás do terreno, aglomerando de três a quatro famílias sob o mesmo teto. Hoje, mais de 60 casas estão totalmente desocupadas no local. Entretanto, até o momento em que escrevíamos esta matéria, as obras mal haviam começado, sendo paralisadas em seguida, segundo alguns trabalhadores, por falta de liberação de verba por parte do prefeito.

Os trabalhadores sem-teto que hoje ocupam as casas da Varginha, além das muitas privações que têm passado naquele local - sem luz, sem saneamento básico, com difícil acesso à água, etc. - ficaram estarrecidos e indignados ao ouvir a nota do governo na rádio local, dizendo que as obras não começavam por culpa do movimento, que não havia cumprido o acordo. As pessoas que lá estão bem sabem do tamanho desta mentira e não se esquecerão desta grande injustiça.

Não só este, mas outro acordo foi descumprido pelo governo: logo após toda esta conversa, a única medida que tomou foi entrar com o pedido de reintegração de posse, insistindo em mandar para a rua, todas estas famílias que não têm para onde ir.

Houve mais duas audiências do movimento com os secretários de governo e da fazenda, Jorge de Oliveira e Erardo Lourenço da Fonseca, respectivamente, já que o prefeito encontrava-se ausente do município. Na ocasião, os secretários disseram que não podiam reverter o pedido de reintegração de posse sem a presença do prefeito, mas comprometeram-se com uma parte da pauta de reivindicações do movimento, como: enviar cestas básicas e lonas para que as famílias pudessem construir barracas até que a prefeitura tenha um plano para esses valencianos.

Infelizmente, nada disso foi garantido até agora e só o que se sabe é que a polícia pode aparecer a qualquer momento e mandar todas estas pessoas para baixo de uma ponte qualquer, bem distante das vistas e da consciência dos governantes.

Prova de toda a falta de sensibilidade, de políticas sérias, do mínimo de preparo deste governo (PT-PSDB) para dialogar com os movimentos sociais e demonstrando bem para quem governa, foi o que aconteceu quando todo esse povo foi para a porta da prefeitura esperar pelo resultado da conversa com os secretários. Os moradores da ocupação ficaram trancados do lado de fora, sob uma forte chuva, com vários policiais aguardando no interior do prédio, impedindo que mulheres, homens e crianças do povo, entrassem para se abrigar. Esses corajosos lutadores, porém, não se deram e não se darão por vencidos e convidam toda a população de Valença a conhecer a verdade dos fatos e a realidade dessas famílias, para que possam, com o conjunto da população, exigir do governo uma solução definitiva e urgente para essa grave situação.
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