No Rio, mais de 50 mil ocupam as ruas pela educação e contra a repressão

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Quinze de outubro, Dia do Professor com dezenas de milhares de pessoas no centro do Rio de Janeiro e diversos atos em todo país em apoio à greve da educação

A cidade do Rio de Janeiro assistiu a mais uma grande manifestação em defesa da educação pública. Desde o final da tarde, educadores, estudantes e diversas categorias foram se concentrando na Candelária e seguiram em direção à Cinelândia.

 A categoria estava presente com blusas e cartazes que expressavam sua indignação e exigiam seus direitos. Entidades do movimento social, como CSP-Conlutas, MST, diversos sindicatos e partidos políticos levaram o seu apoio a esta combativa greve da educação.

 As greves do município, do estado e da Faetec encontram-se no seu terceiro mês. O governo Cabral segue intransigente e não negocia. Enquanto Paes tenta enganar a categoria e a população ao apresentar um Plano de Carreira que não contempla a maioria dos profissionais da rede e, por isso, é repudiado pelos educadores do município.

 Se a greve se prolonga até hoje, é por inteira responsabilidade desses governos. E a população está percebendo isso. Em recente pesquisa publicada no jornal Extra, 86% da população concorda com a greve da educação. 

 Nesse dia 15, podia-se sentir esse apoio com adesão das pessoas que saíram do trabalho e se incorporaram na manifestação e com as luzes das janelas dos prédios da Avenida Rio Branco piscando enquanto o ato passava.

 Com isso, os educadores do Rio de Janeiro têm dado uma lição de combatividade e coerência, mostrando compromisso com a educação pública. Por isso, conforme Vera Nepomuceno, da direção do SEPE, afirmou: “o Dia do Professor virou o Dia do Profissional da Educação em Luta!”.

Black Blocs e ação isolada: um desserviço à luta
Infelizmente, mais uma vez após o encerramento do ato, a Cinelândia virou uma praça de guerra, com PM’s atirando bombas de efeito moral e disparando tiros com armas letais e Black Bloc’s arremessando pedras e quebrando bancos, orelhões, etc. Nós temos feito constantemente esse debate, e faremos mais uma vez com a franqueza necessária. As ações isoladas não são a tática mais eficaz para combater Cabral e Paes.

E o pior é que esses governos, a mídia e o empresariado aproveitam disso para tentar desmoralizar e criminalizar a forte greve da educação. Vimos isso na semana passada, quando, depois de um ato vitorioso que lotou a Avenida Rio Branco, os jornais e a tevês pautaram as ações de uma minoria e esconderam a grandiosa manifestação que reuniu milhares de pessoas. Essas ações isoladas dos chamados Black Bloc’s prestam um desserviço ao movimento. E não contribuem para aglutinar mais pessoas em defesa da greve da educação.

Nesse dia 15, lamentavelmente, isso se repetiu. Os governos tentaram jogar a população contra a greve. Afastar as pessoas das manifestações e aumentar a repressão contra os educadores. Nas primeiras notícias que estão circulando, a grande imprensa esconde o ato. E nas ruas do centro a PM de Cabral aumentou a repressão.

A PM acabou violentamente com o acampamento em frente à Câmara de Vereadores e prendeu mais de 200 pessoas nesta noite. Muitas delas nem estavam envolvidas com os enfrentamentos com a Tropa de Choque. Essas pessoas foram levadas para delegacias em bairros distantes do centro da cidade. Há também relatos de manifestantes baleados por armas de foto disparadas pela polícia.

 Vitória da mobilização: Liminar  suspende corte de
O Sepe conquistou ontem uma liminar que impede o corte de ponto dos profissionais da educação em greve. Segundo decisão do ministro Fux do STF, o governo estadual fica impedido de realizar cortes até o dia 22 de outubro, quando será realizada uma audiência em Brasília entre o sindicato e o governo. Outra decisão judicial revoga a cassação da licença sindical do Sepe, que havia sido uma tentativa de desmoralizar a entidade.

Nossa tarefa é não sair das ruas! Solidariedade ativa à greve da educação. Amanhã será maior! Vamos aumentar a pressão sobre os governos Cabral e Paes pelo atendimento imediato das reivindicações dos educadores.

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