No Brasil e no mundo, vai ter luta no 8 de março

8 de março na Av Paulista em 2016. Fotos Romerito Pontes

No próximo dia 8 de março, mulheres de várias partes do mundo sairão às ruas para protagonizar um enorme dia internacional de luta contra o machismo, a violência e a retirada de direitos. Seguindo o exemplo de manifestações recentes como a greve de mulheres na Polônia contra a restrição ao aborto e a greve contra a violência de gênero na Argentina, ativistas de 30 países estão organizando uma greve internacional de mulheres.

A iniciativa, que propõe uma série de ações que vão desde greves e paralisações de atividades a marchas, piquetes e protestos, partiu originalmente do coletivo “Ni Una a Menos” que, desde 2015, vem organizando protestos em toda a América Latina contra a violência machista.  Nos Estados Unidos, um grupo de ativistas e intelectuais, entre elas Angela Davis e Nancy Fraser, conhecidas pela defesa dos direitos civis e das mulheres e que no dia 21 de janeiro participaram da marcha que reuniu 2,9 milhões de pessoas contra Trump, lançou um manifesto se somando ao movimento, ao mesmo tempo que propõem um acerto de contas com o feminismo do “faça acontecer” e outras variantes do feminismo empresarial, que falharam em garantir as condições de vida da maioria das mulheres, e construir em seu lugar um feminismo para os 99%, de base, anticapitalista, solidário com as trabalhadoras, suas famílias e aliados em todo o mundo.

No Brasil, o 8 de março também promete. Os ataques de Temer e dos governos estaduais e municipais ao conjunto da classe trabalhadora atingem em cheio as mulheres e tem levado a um processo cada vez maior de luta e resistência, nas quais elas assumem o papel de vanguarda, como por exemplo a greve da PM do Espirito Santo que tem conseguido se sustentar até o momento graças ao apoio e a mobilização das mulheres (esposas, mães e filhas) dos soldados. Mas se o ano já começou com cortes de salários, atrasos nos pagamentos, desemprego nas alturas, privatizações, etc., as reformas da Previdência e trabalhistas que Temer quer implementar com a ajuda inestimável desse Congresso Nacional de picaretas, vai representar um novo patamar de retrocesso dos direitos sociais e trabalhista. Por isso, mais do que nunca, o momento exige a unificação das lutas numa enorme greve geral que barre as reformas e derrote esse governo.

Nesse sentido, o dia 8 de março tem uma enorme importância, pois vai combinar a luta internacional das mulheres contra o machismo, a violência e a retiradas de direitos, à luta nacional contra as reformas do governo Temer e a ameaça aos direitos não só das mulheres, mas de toda a classe trabalhadora.

Em várias cidades já estão ocorrendo reuniões de preparatórias para o 8 de março. O PSTU e o MML, movimento de mulheres que, junto à CSP-Conlutas, ajudamos a impulsionar, tem participado ativamente das articulações para esse dia de luta, para que seja construída de forma unitária, em conjunto com o movimento sindical e assumida por todos os trabalhadores como um grande “esquenta” para a greve geral que necessitamos para barrar as reformas e derrotar o governo. Por outro lado, apoiamos e nos somamos ao chamado à greve internacional das mulheres. Num momento em que a classe trabalhadora do mundo todo dá enormes mostras de resistência aos ataques dos governos e dos capitalistas, é emblemático que os movimentos de mulheres tomem para si seus métodos de luta (greves, piquetes) e a solidariedade internacional para lutar contra o machismo e a opressão que nos divide.

Ao mesmo tempo é uma demonstração do fracasso da estratégia imperialista do “empoderamento” como saída para acabar com as desigualdades ou mesmo em assegurar aos setores oprimidos os mínimos direitos democráticos, bem como de qualquer possibilidade de libertação por dentro desse sistema. A luta para libertação das mulheres e de todos os oprimidos só pode ser vitoriosa se tomada desde um ponto de vista de classe e subordinada a ele, esse é o verdadeiro acerto de contas que propomos fazer com o feminismo burguês, branco, empresarial, do “faça acontecer”: unir as mulheres, negras e não negras da classe trabalhadora, aos homens trabalhadores, contra o machismo, o racismo, a LGBTfobia, e toda forma de opressão que divide a nossa classe e assim fortalecer a luta de todos os trabalhadores contra a exploração capitalistas e construir uma sociedade socialista.

Não é inédito o fato das mulheres estarem à frente de importantes mobilizações dos trabalhadores. Foi assim em fevereiro de 1917, quando uma manifestação das mulheres russas deu o impulso inicial na primeira revolução socialista da história da humanidade. Até hoje, a União Soviética foi o país onde as mulheres mais acumularam avanços em seus direitos democráticos e políticos, os quais foram destruídos, lamentavelmente pela ação do estalinismo. Emblematicamente, a Rússia é hoje o símbolo da necessidade de outra revolução, pois no ano do centenário desta revolução vitoriosa, Putin descriminaliza a violência contra a mulher.

Por isso, não hesitaremos em ocupar nosso lugar nessa luta, faremos um fortíssimo 8 de março, mas não pararemos por aí, seguiremos em luta junto com a nossa classe contra a opressão e a exploração e por uma sociedade socialista e igualitária!

Nem uma menos, nenhum direito a menos! Greve Geral contra as reformas da Previdência e trabalhista e a violência contra as mulheres!

Fora Trump, Fora Temer, Fora Todos Eles!