Não é verdade que cada povo tem o governo que merece

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Ninguém merece o Crivella

O senador Marcelo Crivella (PRB) venceu no Rio de Janeiro numa eleição mais uma vez marcada pelo alto grau de abstenção e votos brancos e nulos. Crivella só não ganhou de Freixo nas regiões centrais da cidade e na Zona Sul. Após a divulgação do resultado, não foram poucos os que disseram que “cada povo tem o governo que merece”, culpabilizando a população e os trabalhadores pela vitória do bispo e ex-ministro do governo Lula.

O problema é que, nas eleições da democracia burguesa, operam forças, leis e elementos muito precisos. Este é o jogo deles, o sistema deles, as regras deles. A eleição é um reflexo distorcido da vontade das massas. É uma corrida de cavalos, quase que uma aposta cega.

Não culpem os milhões de trabalhadores que votaram no Crivella. Culpem o papel traidor que a maioria dos partidos de esquerda cumpriu no mundo até hoje. Culpem a ideologia burguesa que domina a sociedade. Culpem os anos de governo de conciliação de classe do PT que contribuíram para a confusão no seio da classe trabalhadora. Culpem a si próprios, mas não os milhões que votaram.

Os trabalhadores estão fazendo sua parte em todo o canto do país. Estão em luta, fazendo greves de suas categorias, promovendo lutas, resistindo à polícia, exigindo das centrais a Greve Geral. Já a juventude ocupa escolas, enfim, estão fazendo a sua parte para derrotar Temer e os ataques. Se as organizações de esquerda estarão à altura das tarefas que a realidade impõe, isto já é outra história.

A derrota na eleição não é da esquerda. É do PT e do seu projeto de governar junto com a burguesia, mas também do próprio regime democrático burguês que, a cada dia mais, está demonstrando que não pode resolver as contradições da sociedade, nem apresentar um futuro.

Este problema não é brasileiro, é mundial. A descrença dos trabalhadores nesta democracia de mentirinha só cresce. Pobre da esquerda reformista que não enxerga além do horizonte da democracia burguesa e que vive, portanto, refém do que diz ser seus maiores inimigos.

Por Júlio Anselmo, do Rio de Janeiro (RJ)