Não basta ser mulher, tem que defender os direitos das trabalhadoras

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Nova secretária de Políticas para as Mulheres, Fátima Pelaes, é evangélica membro da bancada conservadora do Congresso

O estupro coletivo de uma jovem de 17 anos no Rio de Janeiro chocou o Brasil e virou notícia no mundo inteiro. A indignação e revolta levaram milhares de mulheres a tomar as ruas em várias cidades do país e protestar contra o machismo e a violência de gênero. O governo Temer que durante sua posse, há pouco mais de duas semanas, mostrava seu novo gabinete composto só de homens brancos, tentou surfar na onda e mandou seu ministro da Justiça anunciar medidas de combate à violência contra a mulher.

Porém, enquanto as mulheres exigiam o fim dos estupros e a punição rigorosa aos agressores, o governo anunciava a nova secretária de Políticas para as Mulheres, a ex-deputada Fátima Pelaes, evangélica, membro da bancada conservadora do Congresso, ex-presidente da Frente Parlamentar da Família e Apoio à Vida e que já se posicionou abertamente contra o aborto, mesmo em caso de estupro, e votou a favor do Estatuto do Nascituro quando integrava a Comissão de Seguridade Social e Família.

A nova secretária da Mulher também votou contra o Projeto de Lei do deputado Chico Alencar (PSOL-SP) que obrigava empresas a pagar salários iguais para homens e mulheres na mesma função e previa uma multa para as que descumprissem a lei. Pelaes também está envolvida em escândalos de corrupção e desvio de dinheiro público do Ministério do Turismo. Em 2011, foi acusada de utilizar uma empresa fantasmas que funcionava numa igreja para embolsar recursos de emendas com o objetivo de financiar sua campanha à reeleição.

Com essa indicação, Temer, mais uma vez, deixa bem nítido que seu governo não tem nenhumcompromisso com a pauta das mulheres em geral e muito menos das mulheres trabalhadoras. E que se depender dele, não só não avançaremos nas nossas reivindicações históricas, como a legalização e a discriminalização do aborto e a igualdade salarial entre homens e mulheres, como ainda corremos o risco de perder as poucas conquistas que, ao longo de tantos anos e às custas de muita luta, hoje nos são garantidas, como o aborto em caso de estupro e o tempo de contribuição menor para as mulheres se aposentarem.

A indicação de Fátima Pelaes para a Secretaria de Políticas para as Mulheres, bem como a foto de posse no novo gabinete de Temer, o fim do Ministério de Direitos Humanos, as selfies do ministro da Educação, Eduardo Mendonça, com o ator pornô Alexandre Frota em seu gabinete e todas as medidas anunciadas até agora por esse governo que atacam nossos direitos são também uma violência contra as mulheres e comprovam que é mais do que necessário botar pra fora esse governo machista e reacionário. Comprovam também que não basta ser mulher: tem de defender os direitos das trabalhadoras. Por isso, Fátima Pelaes não nos representa.

Mas é preciso dizer ainda que, se nem Temer nem Fátima defenderão nossos interesses, tampouco Dilma governou para as mulheres trabalhadoras. Ao contrário, enquanto esteve à frente da presidência da república, abandonou a defesa do direito ao aborto em troca do apoio da bancada conservadora no Congresso, cortou verbas das áreas sociais como saúde e educação, comprometendo assim a construção de creches e escolas de tempo integral e a qualidade do atendimento no SUS, cuja maioria dos usuários são mulheres. Dilma ainda mexeu em direitos como PIS, seguro-desemprego, pensão por morte etc., vetou o kit anti-homofobia nas escolas e durante seu mandato os investimentos no combate à violência contra a mulher só caíram. Por isso estamos pelo Fora Temer, mas estamos contra o Volta Dilma.

A luta contra a contra a cultura do estupro e a violência contra as mulheres é parte da luta de toda a classe trabalhadora, homens e mulheres, contra os governos que atacam nossos direitos e os patrões . Por isso nós do PSTU estivemos presentes nos atos desse dia 1º de junho, defendendo o fim dos estupros, a punição rigorosa aos agressores, mais verbas para o enfrentamento à violência contra a mulher, campanhas educativas contra o machismo nas escolas e locais de trabalho, entre outras medidas que garantam melhores condições de vida para as mulheres trabalhadoras. Acreditamos, contudo, que uma vida verdadeiramente livre do machismo e da opressão só é possível numa sociedade onde não haja exploradores e explorados, numa sociedade socialista.

Pelo fim dos estupros e da violência contra as mulheres!
Contra a PL 5069 e o Estatuto do Nascituro!
Pelo direito ao aborto legal e gratuito realizado pelo SUS!

Fora Temer e seu ministério machista e racionário!
Fátima Pelaes não nos representa!
Fora todos que atacam os direitos das mulheres trabalhadoras!

Abaixo o machismo e a opressão!
Pelo fim do capitalismo, por uma sociedade socialista!