Movimento Nacional “Quilombo Raça e Classe” realiza plenária de reorganização em São Paulo

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Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe

Na tarde do último sábado (08/07) militantes do Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe do estado de São Paulo realizaram uma plenária estadual para discutir e encaminhar ações no sentido de reorganizar e reestruturar o movimento. A plenária aconteceu na quadra do Sindicatos dos Metroviários e contou com aproximadamente 60 pessoas, sendo a maioria de mulheres negras, representando três regiões da cidade de São Paulo (Zona Sul, Leste, Oeste) além de cidades como Taboão da Serra, Jaú, Mauá, Araraquara e Campinas. Representantes do Sindicato dos Metroviários e do SINDSEF-SP que reivindicam o programa e a construção do MNQRC também se fizeram presentes.

A referida plenária tinha três objetivos. O primeiro de localizar os seus quadros sobre a conjuntura política. O segundo seria apresentar o projeto “Griot” que visa levar o movimento a realizar intervenção sistemáticas nas instituições de ensino e o terceiro que seria reestruturar o movimento para colocar seu programa e sua política em ação.

Os trabalhos foram abertos por João Portuga e Shirley Raposo que apresentaram a programação e dos desafios e tarefas colocadas para os negros e negras no atual contexto. Em seguida, representantes das organizações presentes fizeram saudações. Além das representações sindicais acima citadas, saudaram a plenária o Movimento Hip Hop “Quilombo Brasil”, com sua secção paulistana Movimento Hip Hop “O3” (Ouvir, Ousar, Organizar), CSP-Conlutas, Movimento Nacional Mulheres em Luta, ANEL, representante da Casa de Axé dos Filhos do Rei de Oijó, do Movimento Luta Popular, Coletivo de Oya, além de MC Sofia sua avó que estiveram expondo as “Bonecas Makenas” e o “Ateliê Nearths” de turbantes e chapéus.

Destaque para a presença do imigrante togolês Ziek e Agostinho, angolano e do coletivo Muxima na Diáspora. Ambos expuseram a situação política dos seus países sob regimes corruptos autoritários que justificam a intensa pobreza e a condição de imigrantes para tantos irmãos da África. Apelando, assim, à solidariedade internacional na denúncia destes regimes.

Wilson Honório fez uma intervenção sobre a conjuntura do Brasil e do mundo com um profundo corte racial, destacando a força que a luta contra as opressões tem ganhado em todo o planeta, especialmente no Brasil. O mesmo afirmou que por trás da tese de que estamos vivendo uma onda conservadora se encontra a ignorância em relação a luta dos negros e das negras por todos o país. Para o Wilson, o que existe de fato é uma profunda polarização da luta de classe com forte componente racial.

Na sequência Claudicea Durans apresentou um documento com o histórico do movimento negro brasileiro combinado a uma proposta de reestruturação e de organização do Quilombo Raça e Classe. Na mesma intervenção Claudicea apresentou o documento “Griot” que é uma proposta político-pedagógico de intervenção nas instituições de ensino e afirmou que a ideia central do projeto é garantir uma intervenção sistemática do Quilombo Raça e Classe nas escolas, para além do Novembro Negro.

Muitas intervenções foram realizadas depois da exposição da mesa. Ana Gori do SINDSEF-SP afirmou que o Quilombo Raça e Classe precisa ser uma referência para os negros e negras de todo o estado de São Paulo. Destacou a necessidade de fortalecimento dessa organização e espera que um dia, inclusive os órgãos repressores, entendam sua força a ponto de antes de massacrar com nosso povo negro reflitam que terá reação do quilombo.

O MNQRC-SP reafirmou seu programa de organizar os negros e as negras para lutar contra o racismo e o capitalismo e que isso se dará também em unidade com o proletariado branco, mas que serão os negros que darão a última palavra nas instâncias internas de deliberação do movimento.

Foi discutido que cada regional funcionará como “mocambos modernos”, terão autonomia para atuar de acordo com a realidade local, mas que serão nas plenárias estaduais que serão votadas as orientações políticas do conjunto do Movimento. Também foi reafirmada a independência política perante os governos e as Frentes Políticas que se propõem a servir de escudo político para o PT que passou 14 no poder massacrando o povo negro, principalmente as mulheres e os jovens negros. Por outro lado, o Quilombo Raça e Classe se compromete a não dá trégua na luta pela derrubada de Temer e todo o congresso de políticos corruptos e racistas.

O caráter internacional do movimento foi também reafirmado, assim a tarefa de impulsionar uma campanha juntos aos imigrantes haitianos, africanos que se encontram no Brasil, tendo por base as suas demandas. Uma destas campanhas é a lutar para que sejam garantidos direitos políticos e trabalhistas, bem como uma campanha pelo direito à dupla nacionalidade aqueles que assim desejarem.

Na mesma direção, o movimento se comprometeu em denunciar as ditaduras existentes em vários países africanos, igualmente a empreender uma forte denúncia pela barbárie resultante dos 13 anos de ocupação militar no Haiti, exigindo a sua reconstrução.

A plenária encerrou elegendo uma coordenação executiva provisória com representantes de todas as regiões que estiveram presentes e também dos sindicatos.

Depois de uma tarde vitoriosa, a negrada do “Quilombo” pôde curtir as intervenções culturais dos grupos Psico-Quebrada, Mano Yo, Hertz (Gíria Vermelha), MC Fani e Americano Fidihenrique ligados ao Movimento Hip Hop “O3” da Zona Sul de São Paulo e também de Agatha, atriz, cantora, poetisa travesti da Zona Leste também fez uma emocionante intervenção cultural de resistência.