Militantes do PSTU são alvos de criminalização na ocupação da UFPE

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Estudantes, servidores e professores ocuparam reitoria contra privatização do Hospital das Clínicas

Nesse dia 2 de dezembro, estudantes, servidores e professores ocuparam o prédio da reitoria da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) contra a adesão do Hospital das Clínicas à Empresa de Serviços Hospitalares (Ebserh). Já no dia seguinte, chegou o mandado de reintegração de posse do prédio, dando prazo de 24h para os manifestantes se retirarem do local.
 
O processo aberto tem como réus três ativistas: duas militantes do PSTU e um do PSOL. Kátia Telles, militante histórica e ex-candidata a vice-prefeita de Recife nas últimas eleições, é uma das denunciadas no processo. “Estão usando a ocupação da reitoria, um ato legítimo, para dar um verdadeiro golpe e criminalizar o movimento. Estão querendo intimidar os que lutam nesse país. Lutar não é crime”, afirma Kátia Telles.
 
A situação só chegou a esse ponto, com ocupação da reitoria, por causa da intransigência do reitor Anísio Brasileiro, de querer a todo custo aplicar na UFPE a política de privatização dos hospitais universitários do governo Dilma (PT). A comunidade acadêmica já demonstrou, por meio de plebiscito não institucional, que é contra essa mudança, onde 96% das pessoas que votaram se declararam contrárias a Ebserh.
 
A luta segue
Mesmo com essa tentativa de criminalizar o movimento, a luta continua. No terceiro dia, a ocupação cresce com a adesão cada vez maior de estudantes e trabalhadores. Além disso, muitas entidades fora da universidade já se pronunciaram a favor do movimento, como é o caso da APAP (Associação Pernambucana de Anistiados Políticos), Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe) e o Conselho Regional de Medicina de Pernambuco (Cremepe) e o DCE da UFRPE.
Entenda o caso
 
Na manhã da segunda-feira, 2, o Conselho Universitário aprovou que o Hospital das Clínicas vai aderir à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). Os manifestantes não reconhecem a decisão, são contra essa adesão e afirmam que a medida tira completamente a autonomia da UFPE em relação ao HC.
 
Na pauta de reivindicações eles pedem a anulação do resultado do Conselho Universitário; construção de uma alternativa para o Hospital das Clínicas, em diálogo com os estudantes, servidores, professores e a sociedade civil; realização de debate com a comunidade acadêmica sobre a reestruturação do HC; e que a decisão sobre a Ebserh seja realizada através de plebiscito, organizado pelos três setores da comunidade (servidores, professores e estudantes) e a reitoria. Os manifestantes prometem que só deixam a reitoria quando as reivindicações forem atendidas.
 
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