Metalúrgicos da GM aceitam lay-off, e batalha por empregos recomeça

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General Motors, Governo Carlinhos (PT), Governo Dilma, Montadoras
Foto: Tanda Melo/divulgação Sindmetalsjc

 
Com garantia de retorno ao trabalho e pagamento integral dos salários, os metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos aprovaram a proposta de lay-off (suspensão do contrato de trabalho) em assembleia nesta terça-feira, dia 26.
 
Até 930 trabalhadores ficarão afastados por cinco meses e, após o retorno, terão garantidos seis meses de estabilidade, condição imposta pelo Sindicato e pelos trabalhadores para adoção da medida.
 
Contudo, será preciso muita mobilização e cobrança do governo Dilma para afastar o risco de demissão. Como parte do plano de reestruturação para aumentar seus lucros, após o último lay-off no ano passado, a montadora demitiu quase 700 trabalhadores, um episódio que não podemos aceitar que se repita.
 
Chantagem sem fim
Com a nova proposta de lay-off, a GM volta a colocar a corda no pescoço dos trabalhadores da planta de São José. A chantagem é tão grande que a empresa chegou a ameaçar demissão imediata, caso os metalúrgicos não aceitassem a medida.
 
A montadora alega a necessidade de adotar o lay-off para ajustar a produção diante de queda nas vendas. A verdade, no entanto, é que a indústria automobilística bombou em vendas e lucros no Brasil nos últimos anos e diante de tantos incentivos fiscais concedidos pelos governos ainda têm muita lenha para queimar, ao invés de recorrer a este recurso tão prejudicial aos trabalhadores.
 
Somente nos últimos dois anos, o governo Dilma abriu mão de R$ 11 bilhões em IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) para o setor, além da desoneração da folha de pagamento, do programa de incentivo à produção Inovar Auto e dos empréstimos a juros baixos e prazos a perder de vista, concedidos pelo BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social).
 
Tudo isso, no entanto, não se reverteu em investimentos na cadeia produtiva nacional. Desde 2011, as montadoras enviaram às matrizes no exterior nada menos que R$ 27 bilhões na forma de remessa de lucros. Se investido no Brasil, esse dinheiro poderia garantir avanço tecnológico, melhorias na produção e, o mais importante, empregos. Ao invés disso, as empresas preferem garantir os lucros de seus acionistas no exterior.
 
Agora, ao primeiro sinal de queda nas vendas e em uma tentativa de preservar seus lucros, a GM volta a aplicar sua política de reestruturação – adotada após a crise que quase levou à falência em 2008 – e, assim como outras montadoras, aumenta a exploração e as demissões.
 
Em todo setor já são 9,7 mil demissões neste ano e outros quatro mil trabalhadores estão em lay-off, com os empregos ameaçados. Além da GM, é também o caso das montadoras Volks, Ford, Mercedez, Peugeot e Man.
 
No caso de São José dos Campos, é claro o objetivo da GM de reduzir a massa salarial, trocando trabalhadores com salários maiores, por salários inferiores, bem como aumentar cada vez mais a produtividade (mais produção com menos trabalhadores), como já denunciou o Sindicato.
 
Quebra de acordo
Não bastasse o lay-off, a GM deixou a unidade de São José de fora dos planos de investimento de R$ 6,5 bilhões que pretende fazer no Brasil até 2018, conforme anúncio feito diretamente à presidente Dilma Rousseff (PT), há duas semanas.
 
Com a decisão, a empresa descumpre o acordo firmado ano passado com os trabalhadores e o Sindicato dos Metalúrgicos, que garantia prioridade à planta joseense em caso de novos investimentos. Havia sido acordado um investimento de R$ 2,5 bilhões em uma nova fábrica na cidade, com criação de cerca de 2.500 empregos diretos.
 
A montadora recebeu todas as condições para isso: um terreno doado pela Prefeitura, condições de trabalho aprovadas pelos metalúrgicos da planta, além dos inventivos fiscais já citados. Mas a GM ainda quer mais.
 
Estabilidade no emprego, já!
O governo Dilma assiste calado à demissão de milhares de trabalhadores da indústria automobilística. A presidente tem plenos poderes para editar uma medida provisória que proíba as demissões e que garanta estabilidade no emprego, mas não o faz. Ao invés disso, segue concedendo benefícios às empresas e garantindo os lucros dos empresários.
 
O prefeito Carlinhos Almeida (PT) e os vereadores de São José silenciaram diante do lay-off, mas chegaram a comemorar a vinda de investimentos para a cidade, o que não se concretizou até o momento. O governo municipal e a Câmara têm responsabilidade neste processo e não podem ser omissos. Devem cobrar da empresa os investimentos acordados.
 
As centrais sindicais, que têm o dever de defender os trabalhadores, também devem se unir nesta luta e cobrar do governo sua responsabilidade para com centenas de pais e mães de família que podem ficar sem trabalho.
 
A CSP-Conlutas já fez o chamado de unidade na luta em defesa dos empregos em todo país à CUT, Força Sindical e CTB.
 
É preciso medidas urgentes de proteção aos empregos, com redução da jornada de trabalho, sem redução de salários, estabilidade no emprego a todos os trabalhadores, proibição de demissões imotivadas e de demissões em empresas que recebem incentivos fiscais e fazem importações, adoção de um contrato coletivo nacional, com salários e direitos iguais em todo o país no setor automotivo e estatização das empresas que demitirem.