Metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos entram em greve

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Fotos: Tanda Melo

Trabalhadores exigem PLR e estabilidade no emprego

Os 5.500 metalúrgicos da General Motors de São José dos Campos (SP) entraram em greve de 24 horas nesta terça-feira, dia 27. Em assembleia, os trabalhadores exigiram avanço nas negociações por PLR (Participação nos Lucros e Resultados) e estabilidade no emprego.
 
A última rodada de negociação entre montadora e Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, ocorrida na segunda-feira, dia 26, terminou em impasse. A GM propôs uma PLR inferior à de 2012 e insiste em manter metas de produção que têm poucas chances de serem atingidas.
 
Na negociação, o Sindicato reivindicou uma PLR de R$ 29 mil. A empresa, entretanto, se recusou a atender à reivindicação e considerou as negociações encerradas.
 
O valor apresentado pelo Sindicato representará apenas 1,24% da previsão de faturamento da fábrica em São José dos Campos em 2014. Nos últimos dois anos, o faturamento cresceu 74%, apesar da redução no número de funcionários. A fábrica de São José dos Campos, altamente lucrativa, deve faturar R$ 9,2 bilhões em 2014.
 
Antônio Macapá, presidente do sindicato“A proposta da GM foi de apenas R$ 9.700 e não pode nem mesmo ser levada a sério. Isso é uma provocação que não será aceita pelos metalúrgicos. Além disso, os trabalhadores não têm segurança de que conseguirão atingir as metas de produção apresentadas pela GM”, disse o presidente o Sindicato, Antônio Ferreira de Barros, o Macapá.
 
Pela proposta da montadora, os trabalhadores terão de produzir 265 mil automóveis em 2014 para receber R$ 9.700. Em 2012, cada trabalhador recebeu uma PLR de R$ 16 mil.
 
Estabilidade
Apesar de todos os incentivos já recebidos pelo governo, as montadoras estão se movimentando para pressionar a presidente Dilma a abrir ainda mais a torneira para o setor. Uma das ferramentas usadas para arrancar mais incentivos do governo são justamente medidas contra os trabalhadores, como férias coletivas e demissões.
 
A GM, por exemplo, abriu um Programa de Demissão Voluntária (PDV) em todas as suas fábricas no Brasil. A montadora também havia anunciado férias coletivas no mês de junho, mas teve de cancelar diante de atrasos registrados na produção – o que comprova que não existe a crise sugerida pelo setor.
 
Na assembleia de hoje, os trabalhadores também aprovaram a exigência de que a presidente Dilma Rousseff assine uma medida provisória proibindo as montadoras de realizarem demissões.
 
“Já passou da hora da presidente Dilma enfrentar as montadoras e assinar essa medida provisória. Os trabalhadores não podem continuar perdendo seus empregos enquanto as montadoras recebem bilhões em incentivos fiscais. Por isso nossa greve é por PLR, mas também por estabilidade no emprego”, afirma Macapá.
 
As negociações de metas de produção para a PLR são feitas em conjunto entre os sindicatos de São José dos Campos e São Caetano.
 
“A exploração é igual em todas as unidades da GM, por isso o Sindicato de São José dos Campos chama o Sindicato de São Caetano para se somar a essa luta e cobrar da GM uma PLR maior e sem metas abusivas”, conclui Macapá.
 
A GM de São José dos Campos produz os veículos S10 e Trailblazer, além de motores, transmissão e CKD (kits para exportação). Com a greve de hoje, deixarão de ser produzidos 300 veículos, 2.800 motores e 5.300 transmissões.
 
Greve em outras três fábricas
No setor eletroeletrônico, as greves continuam na Sun Tech (Zona Leste de São José dos Campos), Blue Tech e 3C (ambas em Caçapava), fábricas fornecedoras da LG.
 
Na Blue Tech e Sun Tech, as trabalhadoras rejeitaram a proposta apresentada pelas empresas em assembleias na manhã desta terça-feira. As negociações continuam ao longo do dia. Nessas empresas, as greves iniciaram na quinta e sexta-feira, respectivamente.
 
Juntas, as três empresas somam 900 trabalhadoras.