Metalúrgicos continuam em greve para multinacional chinesa reconhecer leis trabalhistas do Brasil

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Greve começou no dia seis de abril

Empresa Chery em Jacareí (SP) não cumpre Convenção Coletiva da categoria e se recusa, por exemplo, a praticar a jornada de trabalho de 40 horas

Os metalúrgicos da montadora Chery, de Jacareí, completa já o terceiro dia de greve. A paralisação, inicada na manhã da segunda-feira, dia 6, é para pressionar a multinacional chinesa a reconhecer a Convenção Coletiva da categoria, cumprindo assim os salários e direitos praticados no setor de montadoras da base do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP).
 
A unidade de jacareí é a primeira fábrica da Chery fora da China e a primeira greve desde a inauguração, em agosto do ano passado. A Chery no Brasil possui cerca de 470 trabalhadores e fabrica o modelo Celer nas versões Hatch e Sedan.
 
Desde que a fábrica iniciou suas atividades em Jacareí, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região vem negociando a assinatura da convenção coletiva com a Chery (Veja aqui Campanha Internacional do Sindicato para que a Chery respeite as leis trabalhistas do Brasil). Apesar disso, a empresa mantém a postura de se recusar a reconhecer os direitos da categoria e a própria legislação do país.
 
A Chery paga salários inferiores aos praticados no ramo de montadoras (o piso salarial  da Chery para montador é de R$ 1.199, enquanto um trabalhador com a mesma função na GM tem um salário inicial de R$ 3.500); aplica terceirização ilegal, convive com falta de equipamentos adequados para execução de tarefas, desrespeita às normas de saúde e segurança no local de trabalho e oferece aos trabalhadores péssima qualidade de comida. A empresa também se recusa a praticar a jornada de trabalho de 40 horas semanais e não quer assegurar estabilidade no emprego para trabalhadores vítimas de acidente de trabalho ou de doenças ocupacionais.
 
“Não podemos aceitar que a Chery queira impor esse retrocesso aos trabalhadores brasileiros. A Chery tem de respeitar as leis nacionais e os direitos dos metalúrgicos”, afirma nota do Sindicato dos Metalúirgicos de São José dos Campos, filiado à CSP Conlutas. 
 
* Com informações do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos (SP)