LIT-QI: Repúdio ao atentado em Berlim

Um novo atentado comove a Europa, desta vez no centro de sua principal economia. Nesta segunda-feira, 19 de dezembro, um caminhão avançou sobre um tradicional mercado natalino em Berlim, atropelando mais de 60 pessoas ao longo de um percurso de 80 metros. Doze pessoas morreram e 48 ficaram feridas, 18 em estado grave. O motorista fugiu. Horas depois, o autodenominado Estado Islâmico (EI) reivindicou o atentado, assumindo o seu autor como um de seus “soldados”. O método do ataque é similar ao do atentado da cidade francesa de Nice, também reivindicado pelo EI, no qual morreram 85 pessoas em julho.

A LIT-QI condena este atentado e se solidariza com todas as vítimas e os familiares dos mortos. Ações desse tipo merecem todo o repúdio do movimento operário, social, e dos partidos que se reivindicam de esquerda.Por mais que o EI tente justificar esses métodos de terror com posições políticas, muitas vezes recobertas de retórica “anti-imperialista”, na verdade os ataques são dirigidos contra trabalhadores comuns, muitas vezes crianças e imigrantes, que não têm nada a ver com a política de seus governos e também são suas vítimas.

Este tipo de atentados só torna mais fácil para os governos retirar as liberdades democráticas, especialmente para a população de origem árabe e de religião muçulmana, contribuem para a aplicação das políticas de austeridade e reforçam a política racista e xenofóbica de imigração de Angela Merkel e de outras “democracias” europeias.

A chanceler alemã já declarou que seria “especialmente repugnante” se fosse confirmado que o autor do atentado tivesse pedido asilo como refugiado. Donald Trump fez um apelo fervoroso ao “mundo civilizado” para endurecer a luta contra o “jihadismo”: “Esses terroristas e suas redes regionais e mundiais devem ser erradicados da face da terra, uma missão que levaremos a cabo com todos os parceiros que amem a liberdade”. Por sua vez, Vladimir Putin ordenou reforçar todas as medidas de segurança em seu país depois do atentado em Berlim e do assassinato do embaixador russo em Ancara. E os principais líderes dos partidos da extrema-direita europeia – Le Pen na França; Alternativa para a Alemanha; Nigel Farage no Reino Unido – uniram vozes para exigir o fechamento das fronteiras, o fim do acolhimento de refugiados, prisões preventivas de muçulmanos, além de um maior orçamento para as forças de repressão.

Por isso, esses atentados devem ser repudiados. Os trabalhadores não são os culpados. Os responsáveis pelas catástrofes humanitárias no Oriente Médio e pelas cenas de barbárie no litoral e nas fronteiras europeias são os governos imperialistas. As classes dominantes europeias tentarão, como fizeram anteriormente, utilizar este atentado para aumentar a ofensiva repressiva contra os trabalhadores em geral, mas particularmente reforçarão a xenofobia e a islamofobia contra todos os refugiados, os imigrantes, os muçulmanos.

Insistimos que somente a mobilização independente dos povos oprimidos, aliados à classe operária e aos povos dos países europeus, será capaz de derrotar o Estado Islâmico e o imperialismo, que promove guerras sanguinárias para defender seus interesses mesquinhos. E o principal palco dessa luta, atualmente, está na Síria, onde os batalhões rebeldes antiditatoriais combatem de maneira desigual o regime sírio, que é apoiado militarmente pela Rússia, pelo Irã e pelo Hezbollah, e também combatem as hordas do Estado Islâmico. É urgente que a classe trabalhadora europeia e mundial estreite laços de solidariedade com o triunfo da revolução síria.

Repúdio aos atentados contra inocentes!

Não à xenofobia e à islamofobia contra a população muçulmana e os refugiados!

Abaixo o Estado Islâmico!

Tradução: Rosangela Botelho

Publicado originalmente no site da LIT-QI