“Lista Fachin”: Fora todos eles!

5752

Abertura de inquéritos no STF comprova que esse governo e Congresso não tem legitimidade para roubar a nossa aposentadoria

A chamada “lista Fachin”, ou a “lista do fim do mundo”, com a relação dos políticos que passaram a ser investigados pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no processo da Lava Jato, confirmou o que todos já sabiam: estamos diante de um governo corrupto, cercado por corruptos e em base a um Congresso Nacional corrupto.

Os inquéritos abertos em base às delações dos 77 executivos da Odebrecht não deixam margem para dúvida: são oito ministros de Temer, 24 senadores e 42 deputados federais. Incluem-se nessa lista os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE) e o da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que acabou de aprovar um projeto que libera geral as terceirizações.

A lista de partidos abarca a base do atual governo Temer, e a oposição parlamentar. Estão lá PT, PMDB, PSDB, PP, PSD, DEM, PR, PSB, PCdoB, PRB, PMN, PPS, PTdoB, PTB e PMN. O próprio Michel Temer só não está na lista porque goza de imunidade enquanto ocupa a presidência. Mas o próprio Marcelo Odebrecht relata a reunião realizada em 2014 com a presença do atual presidente, em que foi acertada o pagamento de R$ 10 milhões para as campanhas do PMDB.

Abaixo as reformas
A “Lista Fachin” reafirma a corrupção generalizada em Brasília, fruto das relações espúrias entre os políticos e as grandes empreiteiras. Mostra como o sistema eleitoral é viciado, regido como um jogo de cartas marcadas pelas grandes empresas. Desmascara ainda a falsa polarização entre PT, PSDB e PMDB, que diante das câmeras e microfones brigam entre si, mas estão todos ligados, além da política, pela Odebrecht.

Temer, Lula e FHC, para além disso, estariam tramando um grande acordo a fim de manter Temer até outubro de 2018. Os acordos preveem a participação de Lula na disputa e a realização de uma reforma política que anistiaria o caixa 2 e imporia uma cláusula de barreira ainda pior da que existe hoje, a fim de impedir o funcionamento de partidos como o PSTU.

É esse bando de corruptos que tenta se auto-anistiar, tornar o sistema eleitoral ainda mais antidemocrático e, principalmente,  aprovar uma reforma da Previdência que simplesmente impossibilita que grande parte dos trabalhadores se aposente, além de uma reforma trabalhista cujo único sentido é o de retirar direitos em favor dos empresários. Com que moral esse governo e esse Congresso Nacional corruptos pretendem aprovar qualquer retirada de direitos de milhões de trabalhadores?

Os inquéritos abertos no STF, porém, representam um duro golpe no governo, que tenta de todas as maneiras aprovar a reforma da Previdência. Como confessou um integrante do governo à imprensa: sem a reforma, o governo cai. Isso porque a única coisa que Temer, cuja popularidade está no chão e é repudiado pelo povo, tem a oferecer à burguesia é a reforma da Previdência.

As paralisações e protestos do dia 15 de março e a campanha contra a reforma da Previdência vem ganhando a batalha da informação contra o governo. Temer vem gastando milhões em publicidade, e acabou de avisar às emissoras de TV que, se elas não defenderem a reforma, não terão acesso à verba publicitária oficial. Mesmo assim, o povo não vem engolindo a mentira do “déficit da Previdência”. Com a divulgação da lista de investigados, vai ficar ainda mais difícil para o governo.

O próprio vice-presidente da Câmara, deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), defendeu publicamente a retirada do projeto pelo governo. “A sociedade brasileira é toda contra a reforma da Previdência“, chegou a afirmar o parlamentar.

As investigações enfraquecem o governo, aumentam ainda mais a indignação da população contra os políticos, e deve servir como gasolina para o dia 28 de abril, data em que as centrais sindicais definiram como dia de greve geral contra as reformas. As reformas da Previdência e trabalhista não cairão por si só, mesmo com o governo combalido e repudiado. É preciso fazer, pela base, uma grande greve para pôr abaixo esses ataques. Fortalecer os comitês contra as reformas, assim, é fundamental.

Fora Temer e todos os corruptos!
A greve geral é o melhor caminho para derrubar as reformas e, com isso, abrir o caminho para derrubarmos esse governo corrupto e capacho dos banqueiros e grandes empresários. Não vamos aceitar que esse governo e esse Congresso ataquem nossas aposentadorias. Ao contrário, ao invés deles estarem lá articulando a retirada dos nossos direitos, deveriam estar presos. Prisão e o confisco dos bens dos corruptos e corruptores já!

Esse escândalo mostrou como são as eleições nesse país, e como, dentro do Congresso, as leis são aprovadas. Precisamos de uma revolução que bote abaixo esse sistema podre, e coloque os operários e o povo pobre no poder. São os trabalhadores e a população organizados em conselhos, que pode, de fato, mudar a nossa vida.