Levy Fidelix: uma candidatura a serviço do ódio e da violência

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No início da madrugada deste domingo, durante o debate da Record com os presidenciáveis convidados, o discurso de Levy Fidelix, candidato pelo PRTB, sobre os direitos dos casais homossexuais foi um verdadeiro escândalo.

Para além de sua postura sempre conservadora e reacionária, o candidato não teve nenhum constrangimento em expor sua ignorância, sua deselegância e, de maneira bastante exaltada, o seu ódio às lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros (LGBT’s).

Ao ser questionado por Luciana Genro, candidata do PSOL, sobre sua posição em relação aos direitos dos LGBT’s, Levy Fidelix afirmou ser contrário a tais direitos e utilizou argumentos tão bizarros que nem mesmo os deterministas burgueses do início do século passado ousaram lançar mão. Falou que iguais não geram filhos, que a população brasileira diminuiria pela metade com a ampliação de direitos e que “aparelho excretor não se reproduz”.

Como se não bastasse demonstrar sem nenhuma vergonha que nada sabe de biologia, cometeu de propósito um absurdo erro: para confundir, não ele mesmo, mas os telespectadores, colocou um sinal de igual entre homossexuais e pedófilos – coisas completamente distintas e sem relação alguma. O candidato o fez para manipular o ódio da população, transferindo a raiva que todos têm dos criminosos que abusam de crianças para os homossexuais.

Na tréplica, Levy Fidelix, fez um verdadeiro apelo à maioria da população para que agisse com hostilidade aos LGBT’s, que para ele não passam de uma minoria horrível, problemática, que precisa ser curada, ser marginalizada, ser excluída e ser punida.

Homofobia descarada
Aquele que era conhecido como a desprezível criatura do aerotrem já vinha anunciando, desde início de sua campanha, que queria ser a “consciência cívica do Brasil”. Agora vemos que pretende concretizar seu delírio sendo a voz que incentiva as pessoas a não contratarem funcionários LGBT’s, a praticarem o tal do “bulling” nas escolas, a expulsarem jovens de casa por conta da orientação sexual ou identidade de gênero, e outras coisas do tipo. Essa é também a mesma “voz da consciência” que leva fascistas e desocupados a quebrarem lâmpadas na cara de gays que andam pelas ruas, a estuprarem lésbicas para puni-las e corrigi-las e a matar e torturar LGBT’s.

Afinal, no Brasil, ser LGBT significa viver correndo esse tipo de risco. Aqui se concentram 44% dos assassinatos por homofobia e transfobia que ocorrem em todo o mundo. Portanto, o que Levy Fidelix fez foi muito grave e merece resposta à altura.

Infelizmente, não causa revolta somente as palavras nefastas do candidato do PRTB, mas também o silêncio dos demais candidatos convidados e a reação da plateia presente no debate diante de tamanha incitação ao ódio.

Entre uma e outra frase Levy Fidelix, ouviam-se risos. Essas risadas não só incomodaram ou machucaram milhares de telespectadores. Elas encorajaram e fortaleceram o opressor, além de direcionar a opinião pública. São o eco de um discurso que vitima os LGBT’s cotidianamente.

Impunidade
Nas últimas semanas, depois de Marina, candidata do PSB, recuar no programa em relação à criminalização da homofobia e aos direitos da população LGBT, essa pauta polarizou a disputa eleitoral. De maneira oportunista Dilma Roussef, candidata à reeleição pelo PT, disse que defendia a criminalização da homofobia (coisa que nem ela nem Lula fizeram em seus governos, apesar do movimento LGBT tanto pedir).

O mesmo fez Aécio, do PSDB, logo em seguida. Assim trataram de disputar a fatia do eleitorado que ficou descontente com o recuo de Marina. No entanto, nas considerações finais, apesar da necessidade e da oportunidade, nenhum dos candidatos denunciou, respondeu ou sequer comentou a postura de Levy Fidelix, mostrando que suas candidaturas têm como objetivo disputar votos e não enfrentar a homofobia.

Nem mesmo Luciana Genro o fez. Fidelix se sentiu à vontade entre estes –o que inclui a Presidente da República, é preciso dizer- para falar o que falou a milhões de espectadores, tal é o nível de impunidade instalado neste país. Também por isso, Zé Maria, do PSTU, presidenciável que não foi convidado pela Record, fez muita falta neste debate. Ele é parte daqueles que se revoltaram e que denunciam o episódio. Segundo Zé Maria, Fidelix deveria ter saído preso do debate.

Criminalização da homofobia já!
Zé Maria tem razão. Não é possível que depois de cometer este crime, Levy Fidelix siga impune. E o que é mais grave: que sua candidatura continue válida para que a incitação ao ódio e a violência sigam sendo veiculados nas mídias, nos horários eleitorais gratuitos da TV e do rádio ou mesmo nos materiais próprios.

Durante esta semana, em diversos lugares do país, acontecerão atos em resposta a Levy Fidelix. Em São Paulo haverá um grande beijaço em frente à sede de seu partido, no dia 2 de outubro. Vamos exigir a punição ao candidato e a criminalização da homofobia. Foi desta forma que barramos a “Cura Gay” e rechaçamos Marco Feliciano, ex-presidente da Comissão de Direitos Humanos. Temos muito orgulho de ser parte dessa luta.