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O que é pra
que serve o Estado
"O
governo do estado moderno não é mais que uma junta que administra os
negócios comuns de toda a classe burguesa" (Manifesto Comunista,
1848)
Vimos que a dependência econômica dos trabalhadores
é assegurada essencialmente graças à propriedade privada da classe
dominante sobre os meios de produção. No entanto, a simples dependência
econômica não é suficiente para a manutenção duradoura de um modo
de produção baseado na exploração. Os trabalhadores assalariados e
os explorados em geral continuam sendo a imensa maioria da população,
enquanto os opressores constituem uma ínfima minoria. Para que os
minoritários exploradores possam manter em obediência a maioria
explorada é necessário um instrumento político eficaz. E este
instrumento é o Estado.
A burguesia e seus ideólogos difundem largamente a concepção
da neutralidade do Estado. Aprendemos na escola que o Estado se destina
a salvaguardar o interesse geral da população, proteger o país, etc.
Esforçam-se, assim, em fazer-nos crer que o Estado não tem nenhuma
relação com a existência das classes sociais e com a luta que se
trava entre elas. A concepção marxista do Estado vem sendo
desenvolvida partindo exatamente da recusa da tese burguesa da
neutralidade do aparelho do Estado. Lênin em "O Estado e a revolução"
afirma: "O Estado, portanto, é produto e manifestação do fato
das contradições de classe serem inconciliáveis. O Estado surge no
momento e na medida em que, objetivamente, as contradições de classe não
podem conciliar-se. E inversamente: a existência do Estado prova que as
contradições de classe são inconciliáveis. (..) Segundo Marx, o
Estado é um organismo de dominação de classe, um organismo de opressão
de uma classe por outra; é a criação de uma "ordem" que
legaliza e fortalece esta opressão ......
Em "Acerca do Estado", Lenin enfatiza:
"O Estado é uma máquina para manter o domínio de uma classe
sobre outra. Quando na sociedade não havia classes, quando os homens,
antes da época da escravidão, trabalhavam em condições primitivas de
maior igualdade, em condições de mais baixa produtividade do trabalho,
quando o homem primitivo pôde conseguir com dificuldade os meios
indispensáveis para a existência mais tosca e primitiva, então não
surgiu, nem podia surgir, um grupo especial de pessoas diferenciadas
especializadas em governar e que dominassem o resto da sociedade. "
Dessas passagens podemos extrair algumas idéias
essenciais: o Estado é o resultado do surgimento e desenvolvimento de
classes antagônicas, é um organismo de dominação, de opressão de
uma classe sobre outra; é a "criação de uma ordem que legaliza e
fortalece esta opressão" (Lenin). Para que isto seja possível, o
Estado reserva a uma pequena minoria certas funções que primitivamente
eram exercidas por toda a sociedade; a mais importante delas é o uso de
armas, e da força em geral. Pegar em armas torna-se prerrogativa de
instituições como o Exército e a polícia. Outra função chave é o
exercício da justiça, que passa a pertencer a juizes e a outros
"especialistas". Nas sociedades primitivas cabia sempre à
assembléias coletivas.
A classe dominante - hoje a burguesia - controla o aparelho
do Estado - Forças Armadas, administração, aparelho judiciário e
todos os aparelhos ideológicos - fundamentalmente através de seu poder
econômico. A classe que domina o sistema de produção (que detém os
meios de produção e de troca) controla também todo o aparelho de
Estado. Desta forma, o Estado é sempre uma ditadura de classe, responsável
por manter a ordem estabelecida.
Embora seja um aparelho de coerção violenta, o Estado também
reforça e garante a estabilidade da classe dominante através de
instituições que reproduzem sua ideologia, como a escola, os meios de
comunicação, a Igreja ... A aceitação da exploração como natural e
eterna, a aceitação passiva da divisão em classes, são idéias
ostensivamente difundidas pelos aparelhos ideológicos do Estado."
(Iniciação
ao Marxismo - Cadernos do Marxismo Revolucionário, escrito por Francisco
Cavalcante)
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