Greve dos profissionais de educação municipal do Rio continua

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Movimento grevista atinge mais de 80% da categoria

 
Às 9h, eram dezenas de pessoas. Rapidamente já eram centenas e, antes das 10h eram milhares, vindas de todas as zonas da cidade, para a assembleia dos profissionais de educação da rede municipal do Rio de Janeiro, que, mais uma vez, fazem história.
 
Parece que os ventos que impulsionaram as jornadas de junho e julho ainda chacoalham a capital fluminense. Após quase vinte anos da última greve na rede, o prefeito Eduardo Paes (PMDB), aliado do governador Sérgio Cabral (PMDB), se recusa a negociar seriamente e se vê pressionado por um forte movimento grevista que atinge mais de 80% da categoria.
 
Nesta terça-feira, 20, em mais uma assembleia superlotada com milhares, em que foi preciso fechar o trânsito da rua em frente ao Club Municipal, local de tantas assembleia lotadas, os profissionais da educação decidiram pela continuidade da greve. Considerada a maior rede de educação pública da América Latina, com quase 50 mil profissionais em mais de 1.200 unidades escolares, a rede municipal do Rio de Janeiro está em greve desde o dia 8 de agosto.
 
A pauta de reivindicações inclui reajuste de 19% para o município e 28% para o Estado; plano de carreira unificado; 1/3 de carga horária para planejamento; fim de todos os programas meritocráticos; condições melhores de trabalho; a não privatização da escola pública; o fim dos contratos com fundações (ONGs, OSs, bancos e empresas privadas de todo tipo).
 
Milhares fizeram passeata
Após a assembleia, estes milhares de profissionais de educação promoveram uma grande passeata que se dirigiu à prefeitura para pressionar pela realização de negociações de sua pauta de reivindicações. Mas, ao invés, da disposição do governo em negociar e da presença do prefeito na sede de seu governo, o que a categoria encontrou foi um forte aparato policial.
 
Somente após muita pressão, o chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, aceitou receber uma comissão da categoria. Após um duro debate com os representantes do Poder Executivo, os trabalhadores conseguiram arrancar a abertura de negociações concretas sobre a pauta da greve.
 
Contudo, não podemos depositar nenhuma confiança no prefeito Eduardo Paes, na secretária Cláudia Costin e em seus assessores. É preciso manter a força da greve, percorrendo as escolas para paralisar aqueles que ainda não aderiram e prosseguir com a realização de atividades junto à população para ganhar o apoio de outros trabalhadores.
 
Na próxima sexta, 23, ocorrerá uma nova assembleia. Se Eduardo Paes não atender às reivindicações, milhares de profissionais de educação ocuparão novamente nas ruas do Rio de Janeiro.
 
Construir o Dia Nacional de Paralisações no Rio também pelo “Fora Cabral, vá com Paes!”
Refletindo a luta contra o governo de Sérgio Cabral, a rede estadual de educação também se encontra em greve. Juntamente com todos que hoje ocupam as ruas do Rio, exigindo “Fora Cabral”, somente a unificação das greves da educação, com as particularidades de cada rede, podem fortalecer a luta e derrotar os inimigos dos trabalhadores. A greve do município fortalece a greve do estado, e a greve do estado é fortalecida pela greve do município. Derrotar Cabral abre caminho para derrotar Eduardo Paes.
 
O dia 30 de agosto será o Dia Nacional de Paralisações em todo o país, convocado pelas principais centrais sindicais, incluindo a CSP-Conlutas. No setor de educação do Rio de Janeiro, foi aprovado o apoio à data. Também foi aprovado que será um dia de luta pelo “Fora Cabral”.
 
Também não se pode poupar o prefeito da capital fluminense, Eduardo Paes (PMDB), nem o governo Dilma (PT), pois seu partido faz parte dos dois governos, além de seu vice ser do PMDB do governador Sérgio Cabral. É preciso exigir de Dilma e do PT que pressionem para que Cabral e Paes negociem e atendam às reivindicações ou, caso contrário, rompam com estes governos.
 
Cabral e Paes temem a unificação das greves dos educadores e conspiram dia e noite contra a categoria. Por isso, é necessário fortalecer a greve e seguir todos juntos, na greve e nas ruas, defendendo a escola pública, gratuita e de qualidade para os trabalhadores.