Greve dos operários da construção civil de Fortaleza completa quatro dias apesar da violência da PM

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Assembleia aprovou continuidade da greve
Foto: Camila Chaves

Com uso da força policial, patronal tenta impedir que operários cheguem aos canteiros; trabalhadores decidiram continuar em greve


Aconteceu, nesta manhã, mais um ataque ao direito de greve. Em Fortaleza (CE), operários da construção civil, em greve há quatro dias, foram duramente reprimidos. A polícia está impedindo o sindicato de chegar até os canteiros de obras. São 18 pontos na cidade. Junto à ação policial, a juíza da 16ª Vara da Justiça do Trabalho expediu uma liminar que proíbe o sindicato de se aproximar mais do que 500 metros do Shopping Rio Mar, sob pena de multa de R$ 50 mil a cada descumprimento.
 
O professor George Bezerra, militante do PSTU que apoiava os grevistas num piquete na obra do Shopping Rio Mar, foi detido, mas já foi liberado. A PM também ameaçou dar voz de prisão aos ativistas que se aproximavam do canteiro de obra em frente à Arena Castelão, um dos estádios que sediam jogos da Copa. No Shopping Rio Mar, várias pessoas desmaiaram e muitas ficaram feridas, inclusive com fraturas.
 
“Hoje, o que aconteceu em uma das principais obras aconteceu também durante os outros três dias: a tentativa de acabar com a greve por meio de uma repressão brutal protagonizada pela Tropa de Choque do governo Cid Gomes. Hoje eles avançaram mais, que foi executar prisão de ativistas, como no meu caso. Foi algo completamente sem sentido, uma vez que minha função na greve era evitar que houvesse ações isoladas que pudessem contribuir para que uma repressão policial acontecesse”, disse George.
 
Os trabalhadores não se intimidaram diante da violência. Pelo contrário, fizeram uma passeata e, em assembleia, decidiram continuar a greve. Além das reivindicações por salário e por melhores condições de trabalho, eles exigem a retomada das negociações. A patronal simplesmente se retirou da mesa de negociações.
 
Essa ação absurda é mais um capítulo do ataque ao direito de greve e de livre manifestação que deve ser repudiada por todos os trabalhadores. “É uma tentativa clara de criminalizar o movimento. Mas a greve e a luta vão continuar”, afirmou George.
 
A burguesia e os governos têm tido uma política coordenada, em todo o país, de utilizar a PM e represálias, como demissões, para acabar com as greves e com as manifestações, a exemplo do que aconteceu com os metroviários de São Paulo.

*Com Camila Chaves, direto da greve

Matéria revisada em 26/6/2014, às 14h27

 
 
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