Gerentes da Petrobrás perseguem operário do PSTU na Bacia de Campos

96

De maio de 2003 até agosto de 2014, Clausmar Luiz Siegel, militante do PSTU desde 1999, foi operador na plataforma/navio FSO-38, também conhecida como “P-38”. Neste período, liderou várias mobilizações nesta plataforma da Bacia de Campos em campanhas de ACT’s (Acordo Coletivo de Trabalho) e PLR’s (Participação nos Lucros e Resultados). Participou ainda de 4 chapas de oposição à direção do Sindipetro-NF (CUT), foi eleito delegado de base para vários congressos da FUP, da FNP, da Conlutas e da CSP-Conlutas.

Também foi representante dos trabalhadores em dois mandatos de Cipa na P-38, e nas duas eleições foi o candidato mais votado naquele navio. Em 2011 teve a segunda maior votação, em percentual, de toda a Bacia de Campos. Durante estes mandatos, sempre questionou o falso discurso de “segurança em primeiro lugar”, muito usado pela gerência da Petrobrás, mobilizando os colegas de trabalho na luta pela prevenção a acidentes e doenças laborais. Foram várias as cobranças de segurança feitas a gerentes, além da organização de abaixo-assinados e boicotes coletivos na emissão de Permissões para Trabalhos.

No exercício da vice-presidência da CIPA, diversas vezes paralisou trabalhos já em curso por estarem sendo realizados fora das normas de segurança do trabalho. E ainda, com base no resultado de uma assembleia sindical, formalizou denúncia contra seus gerentes imediatos junto ao RH corporativo da Petrobrás pela demora na resolução de pendências de segurança. Também deixou de assinar diversas atas de reuniões de CIPA por divergir da redação desvirtuada e tendenciosa. Como profissional, desde 2012 atuou no treinamento de novos operadores e reciclagem de antigos em técnicas e procedimentos de operação de todos os sistemas industriais da P-38.

Em 2013 candidatou-se ao terceiro mandato de CIPA, e a sua inscrição simplesmente “sumiu” do sistema eleitoral digital! Seu nome, misteriosamente, não apareceu na cédula eletrônica. Dai em diante, sucederam-se outras perseguições políticas.

Em agosto de 2014, já no período das eleições gerais (quando as transferências são proibidas nas empresas estatais e de economia mista, e há uma ação judicial sobre este fato) foi avisado que estava sendo transferido, compulsoriamente, de plataforma e de função. Repentinamente, na véspera de um embarque cotidiano no FSO-38 e sem a menor conversa prévia, foi “promovido” a fiscal de contrato internacional. A gerência avisou que passaria a embarcar no FSO-Cidade de Macaé (maior navio no Brasil), da empresa japonesa MODEC e alocado pela Petrobrás, também na Bacia de Campos.

Lá, atuaria em funções gerenciais (fiscalização geral de todas as atividades do navio-plataforma), e seria o único funcionário Petrobrás a bordo. Ou seja, seria isolado politicamente! Por um período inicial, durante seu treinamento na nova função, permaneceria no regime de trabalho de operador (14 dias de embarque X 21 dias de descanso), mas quando assumisse plenamente a nova função, teria seu regime de trabalho mudado para 14 X 28, que é o regime de gerentes e coordenadores embarcados. Também foi avisado da perda do adicional de turno e iniciaria no adicional de sobreaviso: uma diminuição no salário.

No mesmo momento em que era avisado verbalmente da “promoção”, Clausmar respondeu que não aceitaria a nova função, e considerava aquela transferência uma perseguição política da gerência da Petrobrás. Sem opção, passou a embarcar no FSO-Cidade de Macaé como “aprendiz de fiscal”. Um abaixo-assinado foi feito pedindo o retorno para a P-38 e entregue à gerencia da empresa, mas foi ignorado.

Foram dez embarques nesta condição, sempre trabalhando sob a supervisão de outro fiscal experiente. Deixou claro várias vezes que não concordava com a nova atividade, e que não assumiria a função de fiscal na plenitude. Em julho de 2015, foi convocado para “trabalhar” em terra no Rio de Janeiro, sob o argumento de que os gerentes tentariam uma nova localização de trabalho em plataformas. Clausmar também tentou achar uma nova localização como operador em outras plataformas da Petrobras, mas sem sucesso.

Recentemente, foi comunicado que sofrerá o processo de “desimplante”, isto é, será definitivamente colocado para trabalhar em terra, no regime administrativo no Rio, gerando mais uma redução de adicional na folha de pagamento. Como tem sua residência familiar em Santa Catarina, há mais de mil quilômetros do Rio, este “desimplante” inviabiliza a permanência no emprego! Não há como manter a vida pessoal e familiar em Timbó-SC, trabalhando em regime administrativo na capital carioca.

Notem que isso ocorre num período de intenso ataque aos salários e direitos trabalhistas de petroleiros diretos e demissão massiva de terceirizados, num período de intenso ataque à Petrobrás! Ataques estes que visam privatizar o pouco que ainda resta de estatal nesta empresa. Isso ocorre num período em que os roubos da diretoria executiva (Petistas, PMDBista e tucanos) são usados para mentir sobre o futuro da empresa, mascarando a contabilidade e forjando prejuízos, fornecendo falsos argumentos para o aumento dos combustíveis e a privatização.

Notem que não apenas Serra, Cunha, Dilma e Bendine querem terminar de privatizar a Petrobrás, mas que também os gerentes de carreira, alguns tucanos e outros petistas, colaboram com isto! Colaboram na medida em que perseguem politicamente um ativista dos direitos trabalhistas e abnegado militante contra a privatização. Trata-se de um ato antissindical contra um ex-cipeiro, membro da oposição à direção sindical e defensor da FNP (a federação petroleira não atrelada ao governo Dilma)

É lamentável que alguns líderes sindicais das gloriosas greves petroleiras de 1994 e 1995 contra a privatização de FHC, agora sejam gerentes e participem desta perseguição: eles mudaram de lado! Assim como a cúpula do PT, os seus membros também passaram a defender os interesses da burguesia e do imperialismo. Trata-se de uma postura consciente de todos os petistas. É urgente que os petroleiros e seus atuais líderes organizem o desempoderamento do PT, do PMDB e do PSDB na Petrobras, para salvarmos a empresa das garras do imperialismo!