Fortaleza: Ocupação do Parque do Cocó segue forte e vitoriosa

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Depois da violenta desocupação ao Parque do Cocó, no dia 8 de agosto, mais uma vez o prefeito Roberto Cláudio (PSB) pretendeu usar a força e a truculência para retirar as pessoas que voltaram ocupar o parque. Mas dessa vez, a resistência e a obstinação dos manifestantes seria recompensada com mais uma vitória.
 
Desde o dia 12 de julho, diversas pessoas ocupam o Parque do Cocó para impedir a construção de um viaduto que destruiria parte da principal área verde da cidade. Mesmo com a obra tendo sido embargada pela Justiça Federal, o prefeito insiste na batalha judicial para a construção da “única alternativa viável” para a melhoria do trânsito da área. Na manhã desta sexta-feira, 23, mais uma violenta desocupação estava prestes a começar.
 
Os manifestantes não se intimidaram com o aparato policial que cercava a área: equipes do Grupo de Ações Táticas Especiais (GATE), Comando Tático Motorizado (Cotam), Raio e Canil da PM e do Batalhão de Choque da Polícia Militar se preparavam para cumprir a decisão judicial de desocupação enquanto várias pessoas se acorrentavam às árvores do parque e mostravam-se dispostas a enfrentar tudo para barrar os ambiciosos e lucrativos planos do prefeito de devastar uma das mais importantes áreas verdes da cidade.
 
A poucos minutos do início da desocupação, a mesma juíza que havia proferido a decisão para a reintegração da área, voltou atrás e mandou cassar todos os mandados que determinavam a retirada dos manifestantes da área. Mas essa atitude não foi dada pela benevolência da juíza ou simplesmente pelo afinco e trabalho duro dos advogados que defendem o movimento de ocupação. Ela é resultado, principalmente, da resistência, da perseverança e da organização da população que há mais de 40 dias ocupa o parque.
 
As jornadas de junho ensinaram uma importante lição a toda a população brasileira: apenas a ação direta, as manifestações organizadas, o povo nas ruas e em luta poderão trazer as conquistas necessárias para a melhoria da condição de vida dos brasileiros. Esses passos vêm sendo seguidos por todo o Brasil com vitórias importantes: revogações de tarifas de transporte, passe livre, mais investimentos em saúde e educação e os governantes sendo obrigados a negociar com a população.
 
Em Fortaleza, não é diferente, ainda mais quando a população enfrenta a autoritária oligarquia Ferreira Gomes, que come caviar em luxuosos buffets enquanto grande parte da população do estado passa fome.
 
Tanto o governo estadual de Cid Gomes , quanto o de Roberto Cláudio defendem, incansavelmente, os interesses dos ricos e poderosos que lucram com o sofrimento e a exploração dos cearenses. Não por acaso Roberto Cláudio insiste nas obras do Cocó que beneficiará empreiteiras, concessionárias e tantos outros empresários enquanto a população vai continuar a pagar tarifas altas para transportes públicos de péssima qualidade.
 
E não é apenas um viaduto que irá resolver o já caótico trânsito da cidade, mas sim investimentos em transporte público, para que esse seja de qualidade e transporte as pessoas de maneira digna aos lugares onde precisem ir. Com Passe Livre para estudantes, idosos e desempregados, se pode garantir a ida e vinda das populações que não têm como pagar pelas tarifas. Essa não apenas é uma alternativa viável, mas necessária e completamente possível, a exemplo de algumas cidades brasileiras.
 
A defesa das áreas verdes se choca com os interesses dos empresários que não medem esforços para aumentar seus lucros, devastando tudo que vêem pela frente, por isso defendemos que a luta em defesa do Parque do Cocó defenda um programa não só de um desenvolvimento sustentável, mas de um desenvolvimento que tenha em conta a saúde, a vida e desenvolvimento benéfico da natureza e das pessoas.
 
Enquanto os manifestantes comemoravam a vitória de permanecerem na área, resistindo e ocupando em defesa da natureza, entoavam: Roberto Cláudio, daqui ninguém me tira! Uma vez mais podemos constatar que a população tem a cada dia valorizado mais a luta, as manifestações, a resistência aos mandos e desmandos, pois esse tem sido o caminho para grandes conquistas. E estamos nas ruas mandando um recado à burguesia: das ruas e da luta, daqui ninguém nos tira!