FIFA ameaça deixar Curitiba fora da Copa

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Reforma da Arena estava estimada em R$ 135 milhões. Os gastos, no entanto, já ultrapassaram os R$ 265 milhões

notícia trouxe à tona o debate sobre os escandalosos gastos públicos com as obras da Copa e os interesses privados que estão por trás do megaevento

Nesta semana, o secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, visitou as obras na Arena da Baixada e, após  se reunir com os representantes do governo estadual e da prefeitura municipal, declarou que Curitiba pode ficar fora da Copa. Essa notícia trouxe à tona o debate sobre os escandalosos gastos públicos com as obras da Copa em detrimento de mais investimento em serviços públicos e também sobre os interesses privados que estão por trás do megaevento.

Em 2007, o então presidente Lula, principal responsável por trazer a Copa para o Brasil, declarou inúmeras vezes que não haveria investimento público nas obras privadas necessárias para realização do mundial, Tudo será bancado pela iniciativa privada”, afirmou na época. Lula não disse a verdade, pelo menos não é o que os fatos revelaram desde então. A soma gasta (diga-se desperdiçada) pelos cofres públicos já ultrapassou a quantia de R$ 20 bilhões, dinheiro público que poderia ter sido investido prioritariamente em saúde, educação, transporte e moradia popular. Isso não ocorreu porque a promessa do ex-presidente não foi cumprida.

A estimativa é que ao final das obras, somente a prefeitura de Curitiba terá gasto mais de R$ 500 milhões. Um verdadeiro escândalo quando consideramos as condições precárias dos serviços públicos voltados à população na capital. Em 2009, a reforma da Arena havia sido estimada em R$ 135 milhões. Hoje, os gastos já ultrapassaram os R$ 265 milhões e as obras ainda estão inconclusas. A prefeitura anunciou ter gasto até o momento cerca de R$ 220 milhões com a Copa. O governo do estado irá gastar R$ 100 milhões para reforçar a repressão.

Quem ganha com a Copa?
Os governos e a grande imprensa fazem uma ampla campanha para convencer a população dos benefícios que as obras de infraestrutura da Copa trarão para as cidades. Ao mesmo tempo, dizem que aqueles que denunciam os escândalos relacionados à Copa não torcem pelo Brasil. Mentira e manobra! Não vemos problema algum em torcer pela seleção e pelo Brasil. Essa discussão é falsa e tem o objetivo de desviar o verdadeiro debate em questão. A verdade é que os governos estão despejando montanhas de dinheiro público na iniciativa privada para realizar um evento no qual a esmagadora maioria do povo  brasileiro não terá acesso aos jogos e supostos benefícios trazidos pelo mundial.

A Copa do Mundo é um evento privado, controlado integralmente pela FIFA e seus patrocinadores.  Como tudo no capitalismo, é mais um ótimo negócio para os grandes grupos empresariais  envolvidos nas obras, no turismo e na propaganda comercial de seus produtos. Uma sacanagem tremenda com o povo trabalhador, porque falamos de montanhas de dinheiro público que deveriam ser revertidos em benefício para a maioria da população e não para enriquecer ainda mais os que já são muito ricos.

No caso da Arena da Baixada, o pior de tudo é que, até então, os recursos públicos vinham sendo administrados diretamente pela iniciativa privada. Para sermos mais exatos, por Mário Celso Petraglia. Maior irresponsabilidade dos governos estadual e municipal impossível.

A maioria dos trabalhadores e da juventude irá assistir ao mundial da mesma forma que assistiriam se ele fosse realizado em outro país, pela televisão. Ao final, quem terá ganho é a burguesia, pois terá acumulado mais riqueza através dos cofres públicos. Os governos escolheram ficar do lado da FIFA e de todos os setores da burguesia envolvidos no mundial.

Fruet, Richa e Dilma são responsáveis pelo desperdício de dinheiro público
Em última instância, todos (Petraglia, Prefeito, Governador e Presidente) devem responder pelo desperdício de dinheiro público e devolver para o povo esses recursos.

No ano passado, as jornadas de junho demonstraram o descontentamento de milhões de jovens nas ruas. As manifestações questionaram os gastos com a Copa enquanto os serviços públicos voltados à população sofriam com o descaso dos governos.

Hoje vemos que nem Dilma, nem Richa e nem Fruet ouviram as vozes das ruas, ao contrário, seguiram aplicando a mesma política de desperdício de dinheiro público para favorecer interesses privados.

Como já dissemos, todos os recursos foram administrados diretamente por Petraglia e, somente agora, quando a FIFA ameça deixar Curitiba fora da Copa, é que o governo estadual e a prefeitura resolvem assumir a gestão das obras do estádio. O risco é que, após tanto dinheiro do povo desperdiçado, o mundial não aconteça em Curitiba. Por isso defendemos que os governos e Patraglia devem responder pelo fato de terem enriquecido as empresas com o dinheiro público.

Superexploração dos operários nas obras
Não é novidade para ninguém que os operários vinham sendo superexplorados nas obras da Arena. A constatação das autoridades de que é necessário dobrar o efetivo de trabalhadores para dar conta das obras é a confirmação deste fato.

Aliás, não faltaram reclamações dos operários quanto às condições de trabalho e até atrasos no pagamento dos salários. Esse é outro lado da discussão que não vamos ocultar. Seis operários morreram nas obras dos estádios país afora e nem os governos e nem os patrões se esforçaram em atender as reivindicações dos trabalhadores.

Na Copa vai ter luta! Além de torcer, teremos de ir às ruas!
No ano da Copa, precisamos ir as ruas para exigir dos governos que as demandas levantadas em junho do ano passado sejam atendidas.

Sabemos que a maioria do povo brasileiro irá torcer para a seleção no mundial. Mas, ao final da Copa, independente da seleção campeã, o fato é que as demandas levantadas nas jornadas de junho de 2013 não terão sido atendidas, com o agravante dos cofres públicos terem sido esvaziados para atender o tão falado “Padrão FIFA” e os interesses das grandes empresas envolvidas no mundial.

Os trabalhadores e a juventude não podem somente torcer, é necessário irmos as ruas para exigir dos governos de plantão que atendam as demandas de junho, exigir que devolvam os recursos públicos desperdiçados para que eles sejam investidos em saúde, transporte, moradia e educação. Mais do que isso, se esses recursos não forem devolvidos devemos exigir a Estatização de todos os estádios que tiveram o aporte de recursos públicos.