Exigimos punição ao estupro coletivo de adolescente em Ananindeua (PA)

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Polícia investiga estupro coletivo de adolescente de 16 anos em Ananindeua”. Com este cínico título, o portal de notícias do G1 Pará, ligado à Rede Globo e TV Liberal, se referem ao estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos. O título parte do pressuposto que os homens dizem a verdade, pois todos os investigados negaram. A história se repete, a vítima é convidada para uma festa, depois de se encontrar com colegas para estudar. Na “social” ela foi embriagada e posteriormente estuprada coletivamente por 8 monstros. O fato começou com o próprio dono da casa, de 35 anos. A polícia ainda não sabe ao certo quantos participaram desta violência. Quem encontrou a adolescente em estado crítico foram os próprios familiares.

Este fato confirma os dados: no Pará, o índice de feminicídio (assassinato de mulheres) é um dos maiores do Brasil. Para cada 100 mil mulheres 6,1 são assassinadas, enquanto a média nacional é de 5,8. Em Parauapebas, essa média chega a 24,7, colocando nosso estado como o 4º do país em crimes deste tipo. O Pará é o décimo estado do país em violência praticada contra a mulher, ficando atrás de Roraima, Rondônia e Acre. Mas se tomamos apenas a violência contra a mulher negra, o estado ocupa a nona posição. Entre 2006 e 2013, a Lei Maria da Penha não resolveu o problema. No Pará, por exemplo, houve um aumento de 46,7% no número de feminicídio, cometidos em sua maioria por pessoas próximas às vítimas: 50% são parentes, e 32% são ex companheiros.

O fator decisivo nestes crimes é o machismo. Enquanto as mulheres forem vistas como propriedade do homem, esse quadro inaceitável vai se repetir todos os dias, no mundo inteiro. O PSTU defende que as mulheres se organizem para lutar e se defender da violência machista. É necessário que as organizações sindicais e os movimentos sociais se mobilizem em solidariedade a esse setor de nossa classe que está no mundo do trabalho tanto quanto os homens, só que recebendo os piores salários muitas vezes pelo mesmo tipo de trabalho do homem.

A mulher jovem é a parte mais frágil dessa violência que ronda cotidianamente as mulheres. Parentes, colegas de escola, companheiros, todos acham que podem assediar essas jovens, seja oprimindo física e moralmente em casa, seja drogando, violentando e assassinando em casa e na rua.

A Lei Maria da Penha, uma iniciativa importante, continua com grandes limitações ao não dar garantias de segurança à mulher que faz a denúncia, exigindo que a mulher tenha que ficar à beira da morte para receber a denúncia.

É preciso dar um basta nessa situação!
O descaso do Estado e dos municípios que não investigam a maioria dos crimes, e quando o fazem os assassinos são absolvidos, são responsáveis por esse quadro assustador de violência contra a mulher. Exigimos proteção e punição aos assassinos.