Vladimir Alexandrovitch ANTONOV-OVSEIENKO (1884 - 1937)

Nascido em 1884, na cidade de Tchernigov, no seio de uma família de um comandante da reserva de regimentos de infantaria da Rússia Czarista. Seu pseudônimo partidário foi "Schtyk" e o literário, "A. Galsky".

Antonov-Ovseienko ingressou no movimento revolucionário russo, em 1901, quando era cadete da Escola Militar de Voronez e da Escola de Engenharia Militar de Nikolaievsk. Nesse mesmo ano, foi expulso dessas instituições militares, por recusar-se a prestar juramento de lealdade ao Czar Nikolau II. Entrou no Partido Operário Social-Democrático Russo (POSDR) em 1902.

Desertou das Forças Armadas Czaristas durante o ascenso revolucionário de 1905, passando a colaborar para a edição do jornal militar-clandestino Kazarma (Caserna). A Revolução de 1905-1907 envolveu Antonov-Ovseienko em atividades na Polônia, onde foi parte ativa da organização da insurreição armada. Depois desse episódio, foi preso. Foi libertado em virtude de uma ampla anistia.

Depois de participar da Conferência da Organização Militar do POSDR, ocorrida nesse mesmo ano, ocupou-se com a organização da insurreição armada de Sebastopol. Por isso, foi condenado à morte, sentença depois convertida a 20 anos de trabalhos forçados. Em junho de 1907, um grupo de mencheviques conseguiu libertá-lo, fazendo um buraco na parede da prisão em que se encontrava.

Nos anos da I Guerra Mundial, Antonov-Ovseienko atuou, junto com Trotsky, na redação do jornal Noshe Slovo (Nossa Palavra). Em maio de 1917, regressou do exílio e ingressou nas fileiras do POSDR-Bolchevique, passando a dirigir a organização militar-partidária e tornando-se membro do Comitê Central.

Nos dias que precederam a Revolução de Outubro, foi eleito membro do Comitê Militar Revolucionário do Soviete de Petrogrado, presidido por Trotsky, e, com N. I. Podvoisky e G. I. Tchudnovsky, assumiu a direção militar das operações da insurreição, visando à tomada do Palácio de Inverno e à prisão do Governo Provisório.

Foi um dos principais estrategistas e comandantes militares da captura do Palácio de Inverno, tendo dirigido, pessoalmente, a Guarda Vermelha dos Trabalhadores e a Divisão dos Marinheiros de Kronstadt. Prendeu todos os membros do Governo Provisório.

Depois da revolução, foi eleito membro do Comissariado Colegiado do Povo para Assuntos de Guerra e de Marinha no Fronte Interno. Em fins de 1923, Antonov-Ovseienko aderiu à Oposição de Esquerda. Em virtude disso, foi afastado de seu comando militar e removido, em 1925, do cenário da luta política.

Antonov-Ovseienko permaneceu nas fileiras da Oposição até 1928, quando capitulou ao stalinismo, então no cargo de representante político da URSS enviado para a Lituânia e, depois, para a Polônia. Foi, ainda, cônsul geral da URSS em Barcelona, cooperando com a sustentação do Governo de Frente Popular da Espanha.

Posicionou-se, no âmbito do Tribunal Supremo do Colégio Militar, repudiando suas "ilusões trotskystas", em favor da punição de todos os acusados pela burocracia contra-revolucionária. Mas, em outubro de 1937, depois de retornar à URSS, foi preso em sua casa em Moscou, sob a acusação de prática de "crime contra o Estado Soviético". Como se negasse a assinar a confissão de culpa, falsificada por Vyschinsky, foi condenado a 10 anos de prisão e torturado até a morte.




Nikolai BUKHARIN (1888 - 1938)

Nicolai BukharinNikolai Ivanovich Bukharin nasceu em Moscou, em 9 de outubro de 1888. Economista e jornalista, tem grande destaque entre os teóricos do marxismo. Em 1906, organiza uma greve e une-se aos bolcheviques. Em 1910, vai para o exílio após uma série de prisões. É em 1912 que conhece Lênin e torna-se um dos seus colaboradores mais próximos. Também colaborou com Trotsky durante o período em que esteve exilado.

Durante a Revolução de Outubro, dirigiu o levante em Moscou. Ainda em 1917, é eleito membro do Comitê Central do Partido Bolchevique, cargo que ocupa até o fim de sua vida. Bukharin foi o grande elaborador dos fundamentos econômicos da jovem República Soviética - a Nova Economia Política (NEP), idealizada por Lênin.

Após a morte de Lênin, em 1924, aliou-se a Stálin. A partir de 1928, Stálin inicia a coletivização forçada no campo contra a política defendida por Bukharin de concessões aos setores da burguesia e da pequena burguesia no campo.

Na verdade, essa foi uma política que Lênin colocava como transitória, e Bukharin a eternizou. Ele dizia que a NEP deveria se desenvolver gradativamente até o socialismo. Assim, transformou-se no defensor dos kulaks, proprietários de terra que exploravam a mão-de-obra dos camponeses pobres.

Bukharin era o líder da oposição de direita. Stálin, constatando seu potencial concorrente, afasta-o de suas tarefas no Estado. Em 1937, Bukharin é preso e, em 1938 e condenado à morte. Nem mesmo a autocrítica que fez, assumindo-se como contra-revolucionário, lhe salvou a vida. Ainda em 1938, foi executado no segundo processo de Moscou.

Os cargos que ocupou demonstram a sua importância política. De 1917 até 1934, foi membro do Comitê Central do Partido Bolchevique (depois PCUS). Foi redator-chefe do Pravda, o órgão de imprensa bolchevique, por mais de dez anos, de 1918 a 1929. Esteve à frente da comissão encarregada de elaborar a Constituição do Estado Soviético. Em 1926, foi eleito presidente do Comitê Executivo da III Internacional. Dentre suas obras, destacam-se O ABC do Comunismo e O testamento político de Lênin.




MAXIMO GORKY (1868-1936)

Maximo GorkiEste era o pseudônimo de Aleksj Maximovic Peskov, um dos maiores escritores de todos os tempos. Em seus contos e romances, refletiu a sua militância e a luta de classes. Gorky nasceu pobre e perdeu seus pais muito cedo, o que o obrigou a trabalhar. Foi, pois, lavando pratos num navio que fazia viagens pelo Volga que teve despertado seu interesse por se tornar um ativista, a partir de livros emprestados pelo cozinheiro. Ele também trabalhou como sapateiro, desenhista, pescador, vigia, vendedor de frutas, jardineiro, padeiro e jornalista, entre outras atividades que realizou para sobreviver.
Foi com apenas 15 anos que publicou seu primeirto romance, Romá Gordieiev e os três (1883), o que não lhe garantiu de forma alguma a sobrevivência. Diante da fome, do frio e da falta de perspectivas de melhoras, tentou suicídio aos 19 anos, mas sobreviveu. Esse fato, Gorky registrou em "Um incidente na vida de Makar" (1892) e "Como aprendi a escrever" (1912). Curiosamente, foi esse episódio frustrado que fez com que se engajasse de uma vez por todas na luta política, seguindo o marxismo e as idéias de Lênin. Sua primeira obra de sucesso foi a peça de teatro "Pequenos Burgueses" (1910), em que descreve os conflitos da família de comerciantes Bessemov.
Em 1905, juntou-se aos bolcheviques e teve grande importância na organização da imprensa do partido. Com a derrota da revolução de 1905, o escritor foi preso e libertado mediante uma forte campanha, apoiada por intelectuais de peso na Rússia. O escritor se tornou grande amigo de Lênin. No momento decisivo da história da Rússia, porém, Gorky colocou-se contra a Revolução de Outubro.
Abandonando o partido, sai da União Soviética, para onde regressaria somente em 1931, quando o país já estava sob a ditadura estalinista. Apoiado por Stalin, cria o Instituto de Literatura Máximo Gorky, em 1933, se transformando num ícone vivo da literatura.
Em 18 de junho de 1936, uma pneumonia lhe tirou a vida, deixando inconclusa a sua última obra, "A vida de Klim Samgin". O enterro foi acompanhado pessoalmente por Stálin. Dois anos mais tarde, entretanto, Trotsky escreve o artigo "Quatro médicos que sabiam demais", publicado no New York Times, em que denuncia que Gorky teria sido envenenado a mando de Stálin.
Após sua morte, uma homenagem: do ditador, a cidade em que nascera - Nizhny Novgorod - passou a se chamar Gorky, tendo retomado seu nome original em 1991, com a queda definitiva dos estados operários do Leste Europeu.

Principais obras:

1883 - Romá Gordieiev e os três
1892 - Um incidente na vida de Makar
1906 - Os Bárbaros
1906 - Os Inimigos
1907 - A Mãe
1908 - A Confissão
1908 - Os Últimos
1910 - Pequenos burgueses
1910 - Gente Esquisita
1911 - Vassa Alheleznova
1912 - Como aprendi a escrever
1912 - Os Kykov
1912-1913 - Infância, Ganhando meu pão e Minhas Universidades (trilogia autobiográfica)
1924 - Recordações sobre Lênin
1925 - Os Artamonov
1927-1936 - A vida de Klim Samgin (não terminado)
1928 - Yegor Bolychov





Lev KAMENEV (1883 - 1936)

Lev KamenevUm dos principais dirigentes do Partido Bolchevique e da Revolução de Outubro, Kamenev era também engenheiro ferroviário. Kamenev era casado com a irmã de Trotsky, Olga Bronstein. Por esta proximidade, tentou sistematicamente ganhar Trotsky, então membro da ala menchevique, para os bolcheviques antes de 1905.

Ingressa no Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) em 1901. No ano seguinte, é preso e exilado, mas consegue fugir. Em sua fuga, conhece Lênin e junta-se aos bolcheviques.

Kamenev foi condenado ao exílio em 1914, não podendo, segundo a pena, regressar jamais à Rússia. A Revolução de Fevereiro, no entanto, leva-o de para a direção do partido. Nesse período, Lênin também regressava à Rússia, apresentando as Teses de Abril. Kamenev fez dura oposição a Lênin e se colocou contra a tomada do poder, fato que o faz renunciar à direção do partido. Em outubro, porém, participa da insurreição ativamente.

Em 1918, Kamenev vai a Londres, sob orientação de Lênin, para fazer propaganda do novo regime soviético para os trabalhadores ingleses. Ele acaba sendo preso e deportado para a Finlândia, de onde só consegue retornar à Rússia no ano seguinte, encontrando o país em plena guerra civil.

Após a morte de Lênin, junta-se com Stálin e Zinoviev, formando o grupo que ficaria conhecido como a Troika. O objetivo central dessa aliança era combater a Oposição de Esquerda e dissipar a influência de Trotsky.

Discordando dos rumos que tomava o governo, Kamenev e Zinoviev rompem a Troika e estabelecem uma relação com Trotsky, formando a Oposição Unificada. Logo, porém, se reconciliam com a burocracia.

Em 1935, o assassinato de Kirov detona os processos de Moscou ou o grande expurgo. Kamenev é acusado de envolvimento na morte de Kirov - que, na verdade, foi morto a mando de Stálin -, sendo condenado a dez anos de prisão. Em 1936, é condenado e executado no primeiro processo de Moscou, acusado de planejar o assassinato de Stálin.




Alexander KERENSKY (1891-1970)

KerenskyNascido em Simbirski, no dia 22 de abril, foi um dos líderes do Partido Socialista Revolucionário da Rússia entre 1905 e 1912. Advogado, fazia parte da ala direita da organização. Em 1912, Kerensky mudou para o Partido Trabalhista Russo (Toil) e foi eleito para a Duma, o parlamento russo.

Após a Revolução de Fevereiro, que derrubou o regime czarista na Rússia, Kerensky se transformou em ministro-presidente, o principal cargo do Governo Provisório. Seu governo foi a primeira experiência de frente popular na história, em que governavam juntos setores da burguesia e representantes do proletariado. Antes disso, fora presidente do Soviete de Petrogrado e passara pelos ministérios da Justiça e da Guerra. A principal ação de Kerensky no Governo Provisório, além de combater à morte os bolcheviques, foi a continuidade da guerra contra a Alemanha. Seu curto mandato - de junho a outubro de 1917 - também foi marcado por fraudes e corrupção.

Entre suas atividades, Kerensky foi editor-chefe da revista Novaia Rossiia, publicação provinciana russa que, após outubro de 1917, passou a ser editada em Paris. Nesse veículo, a luta de classes era combatida ferozmente por preceitos morais e da fé.

A política de conciliação de classes do Governo Provisório, levada adiante por Kerensky, resultou na tentativa de golpe pelo general Kornilov, então chefe de Estado Maior do Governo Provisório. Kerensky havia fechado um acordo com Kornilov para massacrar os bolcheviques. Sob pretexto de que esses estariam preparando uma insurreição, pediu ao general que colocasse a cavalaria a disposição da repressão aos bolcheviques.

Kornilov dispôs a cavalaria em Petrogrado contra os bolcheviques, mas não somente: apontou suas armas contra o próprio Governo Provisório, exigindo que o poder fosse entregue. As massas, dirigidas pelo Partido Bolchevique, resistiram. Aramaram barricadas na entrada de Petrogrado, impedindo o golpe. Os soldados de Kornilov não se atreveram a atacar as massas. O golpe foi derrotado, mas o Governo Provisório continuava isolado das principais reivindicações do povo russo - nas palavras de Lênin, "pão, paz e terra".

Foi assim que, em outubro de 1917 Kerensky e a burguesia são derrotados, e os trabalhadores, tendo os bolcheviques à frente, tomam o poder na Rússia, liderados por Lênin e Trotsky. Kerensky foge para a Europa Ocidental e, em 1940, passa a viver nos Estados Unidos, onde morreu na cidade de Nova Iorque, em 1970.




ALEXANDRA KOLLONTAI (1872 - 1952)

Alexandra Kollontai"Cada distinção especial para as mulheres no trabalho de uma organização operária é uma forma de elevar a consciência das trabalhadoras e aproximá-las das fileiras daqueles que estão lutando por um futuro melhor. O Dia da Mulher e o lento, meticuloso trabalho feito para elevar a autoconsciência da mulher trabalhadora estão servindo à causa, não da divisão, mas da união da classe trabalhadora."

Nascida numa família rica de origem nobre, em 31 de maio de 1872, na Finlândia, Chura Domontovich - seu nome de nascimento - foi a principal dirigente mulher da Revolução de Outubro. O nome Kollontai veio do casamento com o primo Vladimir Kollontai, oficial do Exército do czar.

O encontro com o marxismo veio ainda na juventude, numa Rússia em que os debates e ações contra o czarismo fervilhavam sobre o regime decadente. Em 1890, ingressa no Partido Social-Democrata Operário Russo (POSDR). Sua primeira prova de fogo foi a revolução de 1905, da qual participou ativamente e lhe rendeu a amizade com Lênin e Krupskaia. Nesse período, fazia parte da fração menchevique do POSDR, em que permanece até por volta de 1915 para se alinhar, definitivamente, aos bolcheviques.

Formada em economia na Suíça, escritora, legisladora, propagandista: eis algumas das habilidades desta revolucionária. Kollontai foi, talvez, quem, pela primeira vez na história, tenha conseguido relacionar e sistematizar feminismo e marxismo. Como ativa militante feminista e socialista, defendeu a inclusão da mulher na revolução, mas sabia que isso não bastava e que a extinção da propriedade privada não acabaria automaticamente com a opressão histórica da mulher. Por isso, defendeu a liberdade de organização das mulheres.

Em 1917, pouco antes da revolução e ainda na presa, foi eleita para o Comitê Central no VI Congresso do Partido. Após a revolução de fevereiro de 1917, retorna a Rússia. Já no governo dos sovietes, foi Comissária do Povo para a Segurança Social. Em 1918, porém, renuncia ao Comitê Central por se opor ao tratado de paz de Brest-Litovsk, assinado por Trotsky para tirar a Rússia da guerra, impondo a derrota do país no conflito.

Nunca separada da luta das mulheres, em 1918, organizou o primeiro Congresso de Mulheres Trabalhadoras da Rússia. É de sua autoria a legislação revolucionária soviética que estabeleceu, de forma inédita, a igualdade de direitos entre mulheres e homens.

Em 1930, numa declaração pública, manifestou seu apoio ao regime estalinista. Ironicamente, o regime que passara a apoiar foi o mesmo que acabou, entre outras coisas, com os maiores avanços que a humanidade já vira com relação às mulheres. O estalinismo enterrou, junto com suas vítimas executadas, os direitos das mulheres e a nova concepção de família que surgia, resgatando o que havia de pior do moralismo burguês e religioso.

Kollontai morreu em Petrogrado, em 9 de março de 1952. Ao longo de sua vida, ocupou cargos diplomáticos como embaixadora russa na Suécia, no México e na Noruega. Foi a primeira mulher do planeta a atingir tal status.




Nadejda KRUPSKAYA (1869 -1939)

KruspayaNascida em São Petersburgo, em 26 de fevereiro de 1869, Nadejda Krupskaya Konstantínovna foi uma grande revolucionária russa, além de professora e escritora. Seu primeiro contato com o marxismo revolucionário se deu ainda muito cedo, quando, quase como todos os jovens de sua época, participava de ações e movimentos clandestinos contra o czar.

Em 1894, conhece Lênin, com quem se casou em julho de 1898. Com ele viveu até o dia da sua morte, acompanhando em cada exílio, da Sibéria à Suíça, e durante a sua grave doença.

De suas atividades no Partido Bolchevique, destacam-se os cargos de secretária da fração bolchevique ainda no Partido Social-Democrata Russo (POSDR), secretária do Conselho do jornal Iskra. na Rússia pós-revolução de Outubro, foi responsável pela organização e desenvolvimento do sistema de ensino. Foi, Krupskaya, também, quem iniciou a organização do sistema de bibliotecas da União Soviética. Ainda hoje, a Rússia tem alguns dos maiores e melhores acervos de livros do mundo.

Após a morte de Lênin, em 1924, juntou-se à Oposição de Esquerda. Com os expurgos estalinistas - que levaram ao assassinato os principais líderes do grupo oposicionista - Krupskaia afastou-se do grupo. Os estalinistas a isolaram politicamente.




Vladimir LÊNIN (1870 - 1924)

Vladimir Lênin Vladimir Ilich Ulianov nasceu em 22 de abril de 1870 e faleceu em 21 de janeiro de 1924. Por sua devoção militante à vitória do proletariado conjugada com uma excepcional formação teórica marxista e visão estratégica, viria a cumprir um papel decisivo nos principais embates políticos que marcariam a história do início do século XX.

Lênin era filho de uma família pequeno-burguesa da província de Simbrinski. Seu irmão mais velho, Alexander Ulianov, então com 21 anos (1887), estava entre os quinze jovens acusados criminalmente por participarem de uma conspiração para assassinar o czar Alexander III.. Sua irmã Ana também foi condenada à prisão domiciliar por ter sido acusada de participação secundária na conspiração.

George Plekhanov, que era uma das principais figuras intelectuais da social-democracia russa e dirigente de um desses pequenos grupos marxistas chamado "Grupo da Emancipação do Trabalho", fundado em 1883, foi a principal referência para Lênin até o II Congresso do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR), onde surgiram duas correntes devido às divergências sobre a concepção de partido: os bolcheviques, dirigidos por Lênin e os mencheviques, dirigidos por Plekhanov e Martov.

Lênin participou do grupo "União e Luta pela Emancipação da Classe Operária" de Petrogrado e militou ativamente junto com Martov não mais somente dos círculos de leitura, mas atuou junto a fábricas operárias importantes em protestos e greves. Por tais atividades foi preso, julgado e deportado para Sibéria. Nesta época, conheceu a professora e também militante Nádia Krupskaia que viria a ser sua companheira de vida.

A militância de Lênin neste período teve como propósito central a unificação dos grupos marxistas em um só partido e para isso via como instrumento principal a edição do jornal que pudesse coordenar as atividades dos revolucionários. Quando saiu da prisão, dedicou-se a organizar o clandestino Iskra (A Centelha).

Em Abril de 1905, ocorre em Londres o III Congresso do POSDR, em que os bolcheviques são maioria, e Lênin foi eleito presidente do Congresso. Em janeiro de 1912, diante da crise do POSDR, Lênin convoca sob sua direção uma conferência e a proclama como o verdadeiro partido, elegendo uma direção majoritariamente bolchevique e de mencheviques aliados.

Em fevereiro de 1917, a Revolução Russa inicia sua segunda fase: o czar é deposto, reconstroem-se os sovietes e forma-se o Governo Provisório, com o apoio direto dos mencheviques e dos socialistas revolucionários e com a linha conciliadora dos bolcheviques.

Lênin, do exterior, se enfurece com a linha de não enfrentar o Governo Provisório, que tinha o populista Kerensky à cabeça e não toma nenhuma das medidas reivindicadas pelos trabalhadores, soldados e camponeses. Consegue chegar a Petrogrado no final de março com as "Teses de Abril" e abre uma polêmica para mudar os rumos do partido e mais uma vez empenha toda a sua autoridade para ganhar a luta política que seria a decisiva de toda sua vida, a luta para que os trabalhadores tomassem o poder e construíssem a revolução. Daí surge a bandeira de "Todo o poder aos Sovietes".

Entre abril e outubro, desenvolve-se uma longa jornada de enfrentamentos políticos internos e nas organizações operárias. Trotsky volta também do exílio e assume a direção do Soviete de Petrogrado.

A influência dos bolcheviques vai crescendo cada vez mais nos sovietes. Neste período, derrota-se a tentativa do golpe direitista do general Kornilov. Lênin vai para o exílio mais uma vez por medida de segurança, já que o Governo Provisório acusa-o de agente do governo alemão. Neste período escreve "O Estado e a Revolução", em que polemiza com os anarquistas e os reformistas os desafios da construção do Estado proletário.

Lênin desenvolve, a partir de setembro de 1917, outra luta interna para que o partido se preparasse para a tomada do poder em seus aspectos políticos e militares. Após duras polêmicas e crises internas, ganha o debate e a direção do partido começa os preparativos para o assalto ao poder. No dia 25 de outubro, é votada a palavra-de-ordem "todo o poder dos sovietes". Neste momento, vários pontos estratégicos da cidade já estavam tomados, entre eles o Palácio de Inverno. Para o novo Comitê Executivo do II Congresso dos Sovietes foi eleito entre os bolcheviques Lênin, Trotsky, Zinoviev, Kamenev, Ríkov, Noguín, Kolontai, Riazanóv, Lunacharsky, Murálov, Stutchka, Antonov-Ovseienko, Krilenko e Sklinansky.

Depois de tomar o poder na Rússia Soviética, assume como principal tarefa não somente defender a Revolução, mas expandi-la como parte dessa luta. Os bolcheviques compreendem a Revolução Russa desde o princípio como parte da Revolução Européia e mundial. Para tal, era necessária uma organização que respondesse à tarefa, e assim foi fundada, em 1919, a III Internacional ou Internacional Comunista da qual Vladimir faria parte de sua direção.

Lênin morreu aos 54 anos, debilitado fisicamente também devido aos atentados terroristas que sofreu. Antes de falecer, fez os seus últimos discursos no dia 31 de outubro no Comitê Executivo dos Sovietes e no 4º Congresso da Internacional Comunista, em 19 de novembro de 1923. Lênin não teve tempo de travar sua última batalha, a luta contra a burocratização do Estado Soviético, proposição que fizera a Trotsky, já que havia percebido as deformações burocráticas de uma nova camada social que estava se apossando do Estado e governando-o em proveito próprio e cujo principal representante era Josef Stalin.

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    Anatoli LUNACHARSKY (1875-1933)

    Anatoli LunacharskyNascido na Rússia, foi ter contato com o marxismo na Suíça, durante seus estudos em Zurique, onde conheceu os revolucionários alemães Rosa Luxemburgo e Leo Jogiches. Quando regressa à Rússia, em 1896, já é um militante ativo contra o czarismo, passando a compor as fileiras do Partido Social-Democrata Operário da Rússia (POSDR). A opção lhe rende a prisão pela Okhrana - polícia secreta do czar - e o exílio na Sibéria.

    Em 1903, ainda na Sibéria, durante o congresso do POSDR, alinha-se aos bolcheviques. Porém só retorna a Moscou em 1905. Impactado pela derrota da revolução russa de 1905, amplia suas diferenças com Lênin, levando-o a romper com os bolcheviques e passar à fração menchevique do POSDR. Lunacharsky defendia a necessidade de unir a religião ao marxismo. Ele voltaria a se integrar aos bolcheviques em 1917.

    Foi, entretanto, na área da educação e cultura que teve maior atuação. Antes da Revolução de Outubro, exerceu atividades de dramaturgo, crítico de arte e jornalista, sendo responsável pela edição de diversas publicações políticas e culturais.

    No governo soviético, foi eleito comissário de Educação Pública, permanecendo no cargo até 1929. Um de seus grandes feitos foi reduzir o índice de analfabetismo, que era altíssimo na Rússia pré-revolucionária, perto de 65% da população. Conseguiu reduzir a quase zero esse índice.

    Durante seu mandato, foi criado o Proletkult, órgão especial para a cultura do Estado Soviético, cuja tradução é "cultura proletária". Estatizou o cinema, ação que rendeu alguns dos maiores clássicos mundiais da sétima arte, como O Encouraçado Potemkin, de Sergei Eisenstein.

    Foi um grande incentivador da cultura, permitindo avanços também no teatro e na literatura, bem como em outras artes.

    Na luta contra a burocratização do Estado Socialista, colocou-se ao lado de Stalin. É quando passa a assumir tarefas diplomáticas, obtendo, em troca, diversos privilégios. Representou a União Soviética na Liga das Nações em 1930. Em 1933, foi nomeado embaixador soviético na Espanha por Stalin, mas morreu na França antes que assumisse o cargo.




    Georg PLEKHÁNOV (1856-1918)

    Georg PlekhanovUm dos principais teóricos e propagandistas do marxismo, Plekhánov fundou o primeiro grupo marxista da Rússia, em 1883, o Emancipação do Trabalho. Considerado o pai do marxismo russo, foi perseguido pelo czarismo e esteve exilado por diversos anos. Plekhánov também lutou contra o anarquismo e o terrorismo, bastante em voga na Rússia de sua época.

    Foi fundador do Partido Social-Democrata Operário da Rússia (POSDR), em 1898, juntou-se aos mencheviques em 1903, no segundo congresso do partido. Durante a I Guerra Mundial, apoiou a campanha da Rússia no conflito, assumindo uma postura patriota e chocando-se com os bolcheviques, que eram contrários à guerra.

    Suas principais contribuições estão no campo teórico do marxismo.

    O próprio Lênin, formado dentro da escola plekhanovista, considerava sua obra o que existia de melhor no campo da filosofia do marxismo e do materialismo histórico. Ironicamente, Plekhánov se opôs à Revolução de Outubro, apesar de ter sido favorável à Revolução de Fevereiro, que derrubou o czar. Após a primeira insurreição, passou a apoiar o Governo Provisório. Em seu testamento, disse, a respeito da defesa de tomada do poder feita por Lênin: "é minha criatura, mas sua revolução será uma desgraça para todo o movimento operário".

    Dentre suas obras mais conhecidas, está O papel do indivíduo na história, de 1898, em que determina que "nenhum grande homem pode impor à sociedade relações que já não se coadunam com o estado destas forças ou que ainda não se coadunam com elas".




    Evgeni PREOBRAZHENSKY (1886 - 1937)

    PreobrazhenskyO economista Alexeyevich Evgeni Preobrazhensky, na sua juventude, se dedicou a organizar o Partido Bolchevique nos montes Urais e na Sibéria, o que lhe rendeu uma boa quantidade de prisões e condenações. Em 1917, foi eleito para o Comitê Central do partido.

    Preobrazhensky sempre esteve mais próximo de Trotsky, desde a discussão sobre os sindicatos. Ele era o responsável por apresentar, nos congresso do partido, as posições da oposição.

    Quando, em 1929, Stálin guina à esquerda com a coletivização forçada no campo, Preobrazhensky capitula ao regime. Em 1935, é acusado de traição e, um ano depois, foi executado sem julgamento nos Processos de Moscou.

    Grande economista, deixou uma importante obra teórica marxista. Foi co-autor de ABC do Comunismo, junto com Bukharin, coordenou o plano de industrialização da URSS, tarefa pela qual ficou conhecido, e foi editor do Pravda.




    Alexei RYKOV (1881-1938)

    Alexei RykovDe origem camponesa, Rykov se tornou um importante revolucionário. Sua entrada no Partido Social-Democrata Operário Russo (POSDR) foi em 1898, mas somente em 1903 aderiu à fração bolchevique, no segundo Congresso do partido. Em 1905, participou ativamente da revolução.

    No período que precedeu a Revolução de Outubro, Rykov esteve exilado na Sibéria, retornando após fevereiro de 1917. Membro do Comitê Central do Partido Bolchevique na Revolução de Outubro, Rykov foi um dos colaboradores mais próximos de Lênin. Ele fez parte do Comitê Militar Revolucionário, que preparou a tomada do poder em Moscou.

    No governo dos soviets, foi eleito presidente do Conselho Supremo de Economia. Após a morte de Lênin, Rykov foi nomeado o primeiro comissário do Povo do Interior, permanecendo no cargo até 1929. Fazia parte da ala direita do Partido Bolchevique nos anos 1920, defendendo, junto a Bukharin, a restauração parcial da economia de mercado sob a Nova Política Econômica (NEP).

    Quando se inicia a luta de Trotsky contra a burocratização do Estado Soviético, Rykov apóia Stalin contra a Oposição de Esquerda. De nada adiantou. Em 1937, Rykov cai em desgraça perante Stalin e é expulso do partido em 27 de fevereiro, mais uma vez junto com Bukharin. Apontado como trotskista, julgado e condenado por terrorismo e traição nos processos de Moscou - os expurgos estalinistas -, foi executado em março de 1938.




    Sergo ORDZHONIKIDZE (1886-1937)

    Sergo OrdzhonikidzeO médico Sergo Ordzhonikidze juntou-se à fração bolchevique do Partido Social-Democrata Russo (POSDR) em 1903, em Tíflis, capital da Geórgia, de onde era natural. Antes de 1917, suas tarefas eram, essencialmente, de organização clandestina do partido. Por esta razão, esteve preso inúmeras vezes. Antes de se estabelecer na Rússia, participou da Revolução Constitucional Persa, como membro da comissão indicada pelos bolcheviques, até 1909.

    Amigo pessoal de Stalin, foi membro do Comitê Central do Partido Bolchevique na época da Revolução de Outubro. Durante a guerra civil, assumiu o posto de comissário da Ucrânia e comandou o estabelecimento do poder soviético na Armênia e na Ucrânia. A brutalidade com que desempenhou esta tarefa, entretanto, fez com que o próprio Lênin pedisse a sua expulsão do Comitê Central do partido.

    A partir de 1926, indicado por Stalin, tornou-se presidente da Comissão Central de Controle, "caçando" os membros da Oposição Unificada. Assumiu, ainda, o cargo de comissário do Povo para a Indústria Pesada, em 1928, assumindo, posteriormente, o Politiburô (1934).

    Tendo sido responsável pela morte de diversos velhos bolcheviques nos expurgos estalinistas, ele mesmo caiu em desgraça ao tentar proteger seu irmão, que foi morto nos mesmos processos. Junto a isso, começaram a se difundir boatos de que ele estava preparando uma denúncia dos crimes de Stálin. Segundo Nikita Kruschev, que denunciou os crimes da ditadura estalinista em 1956, Ordzhonikidze fez confidências ao seu amigo Mikoyan sobre os assassinatos dos membros do partido, situação que não podia mais suportar. No dia seguinte, foi encontrado morto.

    Apesar da história oficial contar que ele cometeu suicídio, há suspeitas de que tenha sido assassinado a mando do ditador. O médico que fez a sua necropsia foi executado pouco tempo depois.




    Joseph STÁLIN (1879 - 1953)

    StálinJoseph Vissarionovich Djugashvili nasceu em Tíflis, capital da Georgia, em 21 de dezembro de 1879, numa família de origem camponesa, embora seu pai tenha se tornado operário sapateiro e a mãe, costureira. Joseph teve uma infância dura. Sua militância teve início aos 15 anos, quando ingressou no Partido Social-Democrata Russo (POSDR).

    Em 1901, foi eleito para o Comitê de Tíflis do POSDR. Em 1903, foi condenado a três anos de exílio na Sibéria por organizar clandestinamente o partido na Geórgia. A essa, sucederam-se várias outras condenações por conta de seu trabalho clandestino de organização do partido no Cáucaso.

    O pseudônimo Stálin, que significa "homem de aço", foi adotado em 1912. Por essa época e até 1917, foi o editor do Pravda, órgão de imprensa do Partido Bolchevique.

    Após outubro de 1917, Stálin assume o cargo de comissário para as nacionalidades, no Soviete dos Comissários do Povo. Foi em abril de 1922 que se elegeu secretário-geral do Partido Comunista da União Soviética (PCUS), cargo que manteria até a sua morte. Pouco depois, Lênin adoece. Ao mesmo tempo, os trabalhadores russos começam amargar a frustração da derrota da revolução européia. Sem expandir a revolução, tem início um período de duras privações. Essa combinação de fatores marcou o início da derrota da Revolução Russa, com uma das ditaduras mais sangrentas da história.

    Com a morte de Lênin, em 1924, logo após a derrota da revolução alemã (1923), abre-se uma disputa pelos rumos da jovem URSS. Stálin cria, então, a teoria do "socialismo num só país", segundo a qual a revolução mundial deveria ser relegada a segundo plano, devendo-se, em primeiro lugar e a qualquer custo, garantir-se a revolução nacional. Para isso, Stálin contava com a derrota da revolução alemã que, de certa forma, sustentou entre as massas russas a sua teoria - a mesma que levaria à restauração do capitalismo e à derrocada do Estado socialista.

    Como conseqüência da teoria do socialismo num só país, vieram outras teorias, como a dos "campos (burgueses) progressivos", com a qual Stálin emplacou todo o tipo de aliança, impondo sucessivos fracassos aos trabalhadores. Um exemplo explícito foi o chamado ao apoio ao Kuomitang, partido nacionalista chinês.

    Em agosto de 1939, Stálin assinou um pacto de não-agressão com Hitler. A URSS foi invadida pelos alemães em 1941.

    Suas guinadas bruscas - ora para a direita, ora para a esquerda - levaram a políticas desastrosas. Num primeiro momento, fez concessões "exageradas" a setores da burguesia e da pequena burguesia - sobretudo do campo -, deturpando a Nova Economia Política de Lênin, abrindo espaço para o surgimento dos nepman, espécies de capitalistas dentro do Estado operário. Em seguida, em 1928, Stálin dá um giro brutal, iniciando a coletivização forçada no campo, em que por decreto resolve expropriar todas as terras. Essa medida genocida foi causadora de grande fome e miséria na URSS. Estima-se que só na Ucrânia 4,5 milhões de pessoas tenham morrido de fome. Em outras regiões, o número de mortos chegou a 3 milhões.

    Nos anos 1930, Stalin consolida um forte aparato repressivo e inicia uma perseguição implacável a seus opositores. A mínima suspeita de oposição era motivo para prisões, deportações e execuções. Nos expurgos, foi morta a maioria dos velhos bolcheviques que dirigiram a Revolução de Outubro.

    Segundo arquivos da própria União Soviética, foram executadas cerca de 800 mil pessoas; 1,7 milhões foram submetidas a fome e necessidades básicas. Como a falsificação era uma marca do regime, alguns historiadores acreditam que esses números sejam ainda maiores e chegam a falar em milhões de vítimas.

    Uma das marcas ideológicas mais fortes da ditadura estalinista foi o culto à personalidade. Do herói coletivo dos tempos da revolução ao realismo socialista, nem a arte e a cultura escaparam da adequação ao regime.

    Em contraposição a si, Stalin colocou Trotsky na posição de contra-revolucionário e passou a chamar de trotskistas todos que o questionassem ou à sua política. De fato, havia uma razão de ser assim. Trotsky, mesmo perseguido e no exílio, nunca deixou de lutar pela revolução permanente e denunciar os crimes e a burocratização estalinistas, opondo-se frontalmente à teoria do socialismo num só país.

    Até que, em 1940, Stálin atinge seu inimigo central. Da URSS, orienta o assassinato de Trotsky, que estava no México, pelas mãos do agente Ramón Mercader.

    A repressão somada à derrota da revolução européia e à miséria do povo russo - ao mesmo tempo em que a casta estalinista gozava de todo o tipo de privilégios - implantou o silêncio e o medo na URSS. Não suportando as ações de Stálin, até mesmo sua mulher, Nadejda, se suicidou.

    Todas as conquistas da Revolução Russa - igualdade para as mulheres, avanços na educação, na cultura e nas artes, melhoria do nível de vida e das condições de trabalho - foram jogadas na lata do lixo da história pela ditadura estalinista.

    Stálin morreu em 1953 de derrame cerebral. Foi sepultado ao lado de Lênin, no Kremlin. Em 1956, Nikita Khrushchev denunciou os crimes cometidos por Stálin no 20º Congresso do PCUS. O corpo de Stálin, então, foi retirado e enterrado fora do palácio.




    Jakob SVERDLOV (1885 - 1919)

    SverdlovJakob Mikhailovitch SVERDLOV nasceu na cidade russa de Nizhny Novgorod, numa família pequeno burguesa de origem judia. Com apenas 17 anos, organiza ação clandestina contra o czarismo e é preso pela primeira vez. Em 1902, ingressa no Partido Operário Social-Democrata da Rússia (POSDR) e, no ano seguinte, adere à fração bolchevique.

    Foi condenado e deportado para a Sibéria por ter participado da revolução de 1905, mas consegue fugir em 1910 e passa a dirigir o Pravda, até ser novamente preso e deportado. A Revolução de Fevereiro permitiu o seu retorno à Rússia. Em agosto de 1917, é eleito para o Comitê Central do Partido Bolchevique.

    Sverdlov defendeu sempre a revolução armada e esteve à frente da insurreição de Outubro. Durante sua curta vida, esteve no centro da direção do Partido Bolchevique, formando com Lênin e Trotsky uma equipe forte.

    Destacava-se como orador e agitador do partido. Desde que foi eleito ao Comitê Central até sua morte, foi o responsável pela organização do partido. Trotsky escreveu, um dia após a sua morte, um obituário em que é possível perceber a importância deste abnegado militante. Sobre a formação do Exército Vermelho, disse Trotsky: "Sverdlov mobilizou trabalhadores do Partido, destacou-os de uma série de postos, encontrando-os aqui, ali e em todos os lugares, selecionando o homem certo para o trabalho certo. A Sverdlov pertence inquestionavelmente a parte de leão no mérito devido aos nossos sucessos militares, durante os últimos seis meses".

    Morre aos 34 anos, apenas dois anos após ter sido um dos nomes decisivos da Revolução de Outubro, não se sabe ao certo se de tuberculose ou de gripe espanhola. No dia seguinte à sua morte, Trotsky escreveu um obituário em que diz que a perda de Sverdlov "foi um desses golpes cruéis e insidiosos que o destino muito freqüentemente nos provoca".




    G. I. TCHUDNOVSKY (1899 - data indefinida)

    Nasceu, provavelmente, em 1899. Ainda adolescente, ingressou no Partido Operário Social-Democrático Russo (POSDR). Preso e exilado em decorrência de suas atividades revolucionárias, conseguiu fugir, emigrando para os EUA.

    Durante a I Guerra Mundial, tornou-se um dos colaboradores do jornal Nashe Slovo (Nossa Palavra), dirigido por Trotsky. Em maio de 1917, regressou à Rússia, vindo de um campo de concentração no Canadá, em companhia de Trotsky.

    Por dever de prestação de serviço militar, Tchudnosky ingressou nas Forças Armadas do Governo Provisório e, após atuar durante três meses no fronte de guerra, conquistou postos de direção numa das corporações militares. A partir dos primeiros dias da Revolução Outubro, Tchudnosky não mais se separou dos campos de batalha proletário-revolucionários.

    Em 23 de outubro de 1917, em meio à insurreição, formou-se um trio especial para assumir a direção da tomada do Palácio de Inverno, cujas figuras centrais eram Podvoisky, Antonov-Ovseienko e Tchudnovsky. Podvoisky e Tchudnovsky foram os responsáveis pela formulação técnica da ação militar a ser empreendida na tomada do Palácio de Inverno.

    Nos primeiros meses de 1918, Tchudnovsky se dirigiu para a Ucrânia. Em meio aos batalhões revolucionários, combateu as tropas imperialistas dos ocupantes alemães e austríacos e os bandos armados da Rada Central, organismo contra-revolucionário unificador dos partidos nacionalistas-burgueses e pequeno-burgueses. Esses últimos capturaram-no e condenaram-no à morte, sem conseguirem, porém, executar a sentença.

    Ao penetrarem em Kiev, as Forças Armadas Vermelhas libertaram-no, mas não por muito tempo. Os destacamentos vermelhos foram forçados a bater em retirada da cidade de Kharkov. Tchudnovsky foi assassinado, possivelmente por inimigos imperialistas alemães. A data e o local da morte de Tchudnovsky permanecem desconhecidos.




    Leon TROTSKY (1879 - 1940)

    Leon TrotskyLev Davidovitch Bronstein nasceu no seio de uma família de camponeses, no dia 7 de novembro de 1879, na cidade de Yakovka, na Ucrânia. O menino, que definiu sua infância, na autobiografia Minha Vida, como "monótona, incolor, das famílias modestas da burguesia, soterrada numa aldeia, num rincão sombrio campo, onde a natureza é tão rica quanto mesquinha, e limitadas aos costumes e às idéias e interesses", não podia imaginar que um dia seria, ao lado de Lênin o principal dirigente de uma revolução.

    Levado por um primo, Moisés Filipovich Spenzer, Trotsky foi a Odessa estudar matemática, onde teve seus primeiros contatos com a militância. Ainda estudante, participou de movimentos clandestinos contra o regime czarista. Em 1897, organizou a Liga Operária do Sul da Rússia. Foi assim que veio sua primeira prisão, em 1898, condenado à pena de dois anos de detenção.

    Trotsky foi um grande revolucionário que pagou caro na sua vida pessoal pela sua escolha por lutar ao lado da classe operária. Afastado de sua primeira esposa por um dos tantos exílios, acabou conhecendo Natalia Sedova, também revolucionária, com quem viveu até sua morte.

    Em 1903 esteve exilado na Sibéria, condenado a uma pena de quatro anos. Entretanto, antes que se cumprisse o prazo, escapou assumindo o pseudônimo Trotsky, nome que pertencia originalmente a um guarda que conhecera em uma de suas muitas prisões em Odessa. Em Londres, para onde fugira, conheceu Lênin. Nesse período, indicado por Lênin, torna-se editor e colaborador do Iskra, jornal do Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR).

    Porém ainda nao foi esse encvontro que marcaria a união dos dois líderes da Revolução de Outubro. Trotsky e Lênin ainda divergiriam bastante antes de convergirem definitivamente em 1917. trotsky esteve ao lado dos mencheviques, de quem se afasta antes de 1905, mas sem aderir aos bolcheviques.

    Em 1905, foi eleito presidente do Soviete de Petrogrado, então o principal comitê. Após a revolução fracassada desse ano, é condenado e deportado. No exterior, cria o jornal Pravda. Sua maior elaboração desse período, entretanto, foi a teoria da revolução permanente, a qual se oporia Stálin com a sua teoria do socialismo num só país. Resumidamente, Trotsky defendia a expansão da revolução para o resto do mundo, especialmente aos países imperialistas. Toda e qualquer revolução que se limitasse às fronteiras nacionais, cedo ou tarde seria derrotada.

    Em maio de 1917, regressa à Rússia e ja encontra Lênin com suas Teses de Abril. Coloca-se desde a sua chegada de acordo com as mesmas, considerando-as como uma "aceitação tácita da revolução permanente".

    Em agosto de 1917, acontece o congresso que unifica o grupo de Trotsky ao Partido Bolchevique. Ele, então, é eleito membro do Comitê Central do partido e do Comitê Revolucionário.

    À frente do Exército Vermelho, Trotsky dirige, em Outubro de 1917, a insurreição. Após a Revolução de Outubro, Trotsky assume o cargo de comissário de Assuntos Exteriores, marcado pela assinatura da paz de Brest-Litovsk, que tirou a Rússia da Primeira Guerra Mundial.

    Com a morte de Lênin e o avanço da burocracia, Trotsky passou a ser perseguido pelo estalinismo. O grupo que ficou conhecido como Troika - Stálin, Kamenev e Zinoviev - era o principal impulsionador da oposição a Trotsky. Zinoviev e Kameneve chegariam a romper com a Troika para se juntarem a Trotsky na Oposição Unificada, mas logo voltariam a integram o grupo de Stálin.

    Por um lado, havia uma oposição de políticas centrada na teoria da revolução permanente contra a teoria do socialismo num só país. Somava-se a isso o interesse da burocracia soviética em manter os privilégios que detinha. O estalinismo disseminou a idéia de que Trotsky era um contra-revolucionário. Essa ideologia encontrou espaço num país que vivia o retrocesso da revolução e a fome, além da desilusão sofrida com a derrota da revolução européia.

    Trotsky foi condenado nos processos de Moscou e foi expulso da URSS, em 1928. dedicou-se, no exterior, a organizar a Oposição de Esquerda Internacional, fundando, em 1938, no México, a IV Internacional. Ele mesmo formulou o programa de fundação da nova organização, conhecido como Programa de transição, guia para revolucionários de hoje e muitas vezes deturpado pelo reformismo.

    Em agosto de 1940, Trotsky é assassinado pelo agente da GPU Ramón Mercader, por ordem de Stálin, no México, na cidade de Coyoacán, onde vivia com sua companheira Natalia Sedova. Trotsky, além de ter dirigido militarmente o maior feito da classe trabalhadora, foi um grande teórico e escritor. Denunciou a ditadura estalinista em Os crimes de Stálin, escreveu sobre o seu amigo e camarada Lênin em A vida de Lênin - sua juventude e Lênin. Entre suas obras mais lidas, também estão A história da Revolução Russa e A revolução traída.




    DZIGA VERTOV (1896 a 1954)

    Dziga VertovEste era o pseudônimo de Denis Arkadievitch Kaufman, um dos maiores documentaristas de todos os tempos. O pseudônimo autoconcedido significa algo como "gira a roda". Sua importância está no fato de ter documentado os principais acontecimentos do jovem Estado Socialista Soviético. Foi o primeiro redator e editor do primeiro cinejornal da União Soviética, contratado pelo governo dos sovietes em 1918, em plena guerra civil. Vertov é o criador das teorias do kino-glaz (cine-olho) e do kino-pravda (cine-verdade).

    Em 1934, em ocasião dos dez anos da morte do líder de Outubro, Vertov produz Três cânticos para Lênin. No auge da burocracia soviética, é mantido no ostracismo artístico. O regime lhe atribuiu tarefas menores e burocráticas, como a produção de noticiários que mais faziam propaganda do estalinismo do que informavam.

    Seu principal filme é Um homem com uma câmera (1929), que é uma captura de cenas da realidade, durante um dia inteiro - do amanhecer à noite - com o mínimo de interferência.


    Filmografia:
    1918 - Kinonedelia (série)
    1919 - O aniversário da Revolução
    1920 - A batalha de Tsaritsin
    1922 - História da Guerra Civil
    1924 - Brinquedos Soviéticos
    1924 - Cine-Olho
    1922/25 - Kino-pravda (série)
    1926 - A sexta parte do mundo
    1927/28 - O décimo primeiro ano (ou O Onézimo)
    1929 - Um homem com uma câmera
    1931 - Entusiasmo
    1934 - Três cânticos para Lenin
    1937 - Canção de ninar
    1937 - Memórias de Sergo Ordjonikidze
    1938 - Três heroínas
    1941/44 - filmes reportagens rodados num refúgio na Ásia Central
    1944 - Nas Montanhas de Ala-Tau
    1947 - O juramento dos jovens
    1947/53 - noticiário de atualidades "Novidades do dia" (série)




    Gregory Evséievíteh ZINOVIEV (1883 - 1936)

    ZinovievZinoviev foi um dos principais dirigentes do Partido Bolchevique e da Revolução de Outubro. Ingressou no Partido Operário Social-Democrata Russo (POSDR) em 1901, aderindo, na divisão do partido, no congresso de 1903, à ala bolchevique. Em 1907, é eleito, em Londres, membro do Comitê Central. Desse período até 1917, sofreu várias prisões e foi deportado. Durante a Primeira Guerra Mundial, Zinoviev estava exilado na Suíça, junto com Lênin, de quem era amigo e colaborador próximo.

    Em 1917, após a Revolução de Fevereiro, retorna à Rússia secretamente num trem, junto com outros deportados. Entre eles, estava Lênin com suas Teses de Abril. Contudo, defendou o Governo Provisório e foi contrário à tomada do poder. Apesar disso, em Outubro, engaja-se na revolução e na construção do novo Estado Soviético ativamente. Zinoviev chegou a ser presidente do Soviete de Petrogrado. De 1919 a 1926, foi o primeiro presidente do Comitê Executivo da Internacional.

    Quando Lênin morre, em 1924, passa a integrar a Troika, grupo formado por ele, Kamenev e Stálin, empenhado em combater as idéias e o próprio Trotsky. No entanto, acaba rompendo a Troika, junto com Kamenev, e aproximando-se Trotsky. Zinoviev reconheceu que as acusações contra Trotsky eram falsas, tornado-se num grande agitador da Oposição Unificada. Em 1927, é expulso do partido. Em conseqüência disso, capitula ao estalinismo em 1928. O assassinato de Kirov - na verdade morto a mando de Stálin - detona os processos de Moscou ou o grande expurgo. Zinoviev e Kamenev são acusados de envolvimento no crime, sendo condenados a dez anos de prisão. Foi executado em 1936, no primeiro processo de Moscou.


    Esta área do especial seguirá sendo atualizada ao longo deste ano, com outros personagens