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"Você sabe quem eu sou?"
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Morador do bairro Jardim Santo Eduardo, X estava em uma
casa lotérica no dia 3 de abril de 2006, por volta
das 15h, para pagar contas e fazer uma "fezinha"
na quina. Estava acompanhado de seu irmão de 15 anos,
quando uma viatura da Polícia Militar estacionou em
frente à lotérica e os dois policiais começaram
a encarar Edílson. Por não dever nada, ele também
passou a encarar os PMs. Nesse momento, a viatura saiu e voltou
de marcha ré, os policiais passaram a encarar novamente.
Desta vez, para não causar problemas com os "gambés",
ele ignorou e deu as costas para os mesmos. Nesse instante,
os policiais entraram na lotérica e o abordaram sem
dizer uma palavra. Então questionou o porquê
da abordagem e os policiais não responderam. Um dos
PMs pegou seu boné e o jogou no chão. O policial
pediu para que ele se retirasse do estabelecimento. Negro
e integrante do grupo de rap Dinastia Urbana, ele deu risada
e disse que já tinha sido revistado e que não
via motivos para ter que sair de lá. Foi quando o "gambé"
alterou a voz dizendo "Você sabe quem eu sou?".
X. respondeu "sim, você é um funcionário
público". O policial então citou alguns
artigos da lei e deu voz de prisão por desacato a autoridade.
Na delegacia do Jardim São Marcos - 1º DP foi
registrada ocorrência de resistência a prisão
e não de desacato.
X. denunciou os policiais no 36º BPMM e aguarda o julgamento
do processo. Em declaração ao Portal do PSTU,
ele relatou por que decidiu denunciar os PMs:
"Através do hip hop tenho evoluído no
pensamento e na atitude. Antes de denunciar, pedi conselho
para um conhecido que é integrante do Dinastia Urbana
e militante do PSTU. Fui aconselhado a não deixar passar
e denunciar, mesmo tendo chegado à conclusão
de que isso não vai resolver o problema do racismo
e da violência policial. Mas é uma forma de ter
postura, de mostrar a eles que as coisas não são
do jeito que eles querem, que tem pessoas dispostas a se defender
dos ataques desses cachorrinhos do sistema capitalista.
Sei que denunciando coloco minha vida em risco e até
a minha família, mas como escutei desse amigo: 'se
você não tem algo pelo qual daria a vida, então
não tem motivo pra continuar vivendo'. Por isso escolhi
enfrentar o sistema de pé, e não passar o resto
da minha vida de joelhos esperando a minha vez de ser humilhado
e agradecendo a Deus por ter me livrado das garras dos perversos.
Chega. É preciso se defender e reivindicar, quer eles
gostem ou não. Enquanto a tampa do caixão não
fechar, minha voz estará no ar, como diz o Facção
Central."
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