1960
O Sexto Congresso Mundial do SI define Cuba como um “estado operário” e o mesmo
faz o SWP dos Estados Unidos. No interior do SLATO, Moreno propõe uma resolução
que diz que “a defesa ativa da Revolução Cubana será tarefa importante de nossas
seções”.
Em Cuzco (Peru), prendem Hugo Blanco, acusado de atacar uma patrulha policial
durante uma mobilização. Os camponeses se mobilizam em sua defesa.
Ao sair da prisão vai trabalhar no campo. Com os camponeses de sua região,
organiza a primeira greve camponesa, que se converte na vanguarda das ocupações
de terras.
1961
Uma reunião do SLATO, realizada em Buenos Aires, aprova uma resolução que diz
que em Cuba há um governo operário e camponês e um Estado operário em transição.
Os delegados peruanos, presentes na reunião, regressam a seu país com uma extensa
carta de Moreno a Hugo Blanco. Nos meses seguintes, diante do avanço das lutas
camponesas e do papel de direção de Hugo Blanco, o POR argentino envia vários
quadros para ajudar o POR peruano.
Para apoiar e desenvolver o processo revolucionário peruano o POR argentino
procura conectar-se diretamente com a direção cubana. Moreno conversa
em Punta del Este (Uruguai) com Che Guevara, mas não encontra grande
receptividade. Depois viaja ao Peru.
No Peru, toma contato com o processo revolucionário potencializado pelo
triunfo da Revolução Cubana, mas também se depara com um
profundo desvio putchista incentivado pela política de Fidel e especialmente
por Guevara, que propunham criar focos guerrilheiros em qualquer momento e lugar,
sem levar em consideração as lutas das massas.
O POR peruano, com o apoio e incentivo dos quadros argentinos que tinham ido
ajudá-los, elaboram um plano para assaltar o quartel Gamarra (seria o
Moncada peruano).
1962
Moreno tenta frear o desvio putchista.
Na última tentativa de salvar o partido peruano do desvio guerrilheirista, Moreno
decide deslocar-se definitivamente ao Peru. Em abril, reúne-se novamente o SLATO
com a presença de Moreno. Tem lugar uma dura discussão que, contudo, não consegue
resolver o problema. Uns dias depois um comando de nove militantes da FIR realiza
um assalto espetacular na sucursal Miraflores do Banco de Crédito.
Um dos assaltantes é identificado e pouco tempo depois começa a perseguição
contra a FIR. Os expropriadores, ocultos em um caminhão, chegam a Cuzco, mas
no final do trajeto são surpreendidos por uma patrulha policial. Depois de um
intenso tiroteio, todos são presos. Em poucos dias a repressão consegue destruir
a FIR, deixando, dessa forma, Hugo Blanco completamente isolado no campo.
Moreno é preso com um pedido de extradição do governo peruano, que o acusa de
ser o “cérebro” do assalto. As organizações operárias desse país exigem sua
liberdade e a conseguem um mês depois. A repressão, depois de destruir a FIR
em Lima e em Cuzco, começou a atuar no campo. Dessa forma, Hugo Blanco, com
um grupo de camponeses, se viu obrigado a organizar uma guerrilha para se defender.
Moreno volta, clandestinamente, a seu país e se depara com um desvio putchista
no POR argentino, que em sua ausência decidira iniciar a luta armada. Os militantes
têm como tarefa central o treinamento militar e vota-se que um importante grupo
de quadros, encabeçados por Ángel Bengoechea, viajarão a Cuba para receber treinamento.
1963
Em junho se realiza o Congresso de reunificação da IV Internacional.
O POR argentino, dirigido por Moreno, apesar de ser parte das correntes que
opinam que Cuba é um Estado operário, não entra no SU em função de suas diferenças
políticas e metodológicas com o pablismo e também com o SWP norte-americano.
Em Cuba, os cinco militantes do POR realizam um pesado treinamento guerrilheiro.
Che Guevara ganha Ángel Bengoechea e o resto do grupo para a idéia de construir
um foco guerrilheiro na Argentina.
No Peru, a guerrilha de Hugo Blanco percorre os vales, impulsionando a reforma
agrária, até que em 15 de maio, depois de dois enfrentamentos com a polícia,
Blanco é preso e será condenado à morte.
A prisão dá origem a uma grande campanha internacional para salvar sua vida.
As autoridades peruanas comutam a pena de morte para 25 anos de prisão.
1964
Frente ao fato consumado de que a IV se reunificara, e para não ficar
isolado, o POR argentino entra no SU.
Ángel Bengoechea e quatro militantes de seu grupo morrem em uma explosão
acidental de um depósito de explosivos.
Moreno escreve Dois métodos frente à revolução latino-americana.
1965
Fusão entre Palavra Operária e a FRIP. O novo partido se denomina Partido Revolucionário
dos Trabalhadores.
Nas eleições da argentina, um militante do PRT, Leandro Fote, dirigente dos
trabalhadores dos engenhos de açúcar, é eleito deputado provincial na província
de Tucumán. É o primeiro deputado trotskista no país.
1966
Na Argentina, os militares, mediante um golpe de estado, tomam o poder. À frente
da nova ditadura militar está Juan Carlos Ongania.
Moreno escreve A situação latino-americana e A luta recém começa.
1967
As pressões guerrilheiristas e foquistas oriundas provocam a ruptura do PRT
argentino. Um setor, encabeçado por Moreno, defende que a luta armada está subordinada
à luta de classes e que o partido deve se ligar cada vez mais à classe operária.
O outro setor, encabeçado por Santucho, defende o início da luta armada independentemente
do nível da luta de classes e para isso propõe a militarização do partido.
A ruptura do partido argentino dá origem ao PRT (A Verdade) dirigido por Moreno
e ao PRT (O combatente) dirigido por Santucho. Nos anos posteriores o PRT (A
Verdade) se transforma em PST (Partido Socialista dos Trabalhadores) e o PRT
(o Combatente) constrói o ERP (Exército Revolucionário do Povo).
1968
Na França, estoura o “Maio Francês” que chega até os trabalhadores.
No CEI da IV Internacional começa o debate a favor e contra o guerrilheirismo.
1969
Na Argentina, na importante cidade de Córdoba, uma semi-insurreição operária
e popular (“El Cordobazo”) abre uma etapa pré-revolucionária no país.
Na França, realiza-se o IX Congresso da IV Internacional.
Moreno (junto com Ernesto González) participa do IX Congresso Mundial como delegado.
Uma vez mais o partido dirigido por Nahuel Moreno (o PRT – A Verdade) não é
reconhecido como seção oficial. O PRT-ERP, em função de suas posições guerrilheiristas,
ocupa esse lugar. Algum tempo depois o PRT-ERP rompe com a IV Internacional.