1951
Em plena “Guerra Fria”, realiza-se o III Congresso Mundial da IV Internacional.
Pablo e Mandel chegam à conclusão de que a III Guerra Mundial é inevitável, que
o stalinismo será obrigado a se enfrentar com o imperialismo e que terá um papel
muito progressivo. A grande tarefa dos trotskistas é entrar nos partidos comunistas.
Essa tática é denominada “entrismo sui generis”.
Moreno e José Speroni participam como delegados do Congresso, representando o
POR argentino. O Congresso reconhece como Seção oficial da Argentina o grupo dirigido
por J. Posadas. O POR é reconhecido como seção simpatizante.
1952
Na Bolívia, a polícia e um setor do exército, em acordo com
o MNR, tentam um contragolpe, que é derrotado. Os mineiros de Oruro se
levantam, derrotam o exército dessa região e marcham sobre La Paz,
onde aniquilam sete exércitos. Paz Estenssoro, do MNR, assume a presidência,
mas o controle real do país está nas mãos dos operários
e camponeses, que se organizam na COB e formam uma milícia armada dirigida,
em sua maioria, pelos trotskistas.
A política de Pablo e Mandel de entrismo sui generis provoca
resistência na Internacional. A seção francesa se nega a entrar
no Partido Comunista.
1953
Morre Stalin na URSS.
Levante operário na Alemanha Oriental. Uma greve geral contra a burocracia governante
inaugura um processo de revolução política no Leste europeu. Pablo e Mandel póiam
criticamente o governo burguês de Paz Estenssoro, da Bolívia.
O POR argentino, encabeçado por Moreno, rompe com Pablo e com o Secretariado Internacional.
A política de Pablo e Mandel frente ao stalinismo e frente à revolução boliviana, assim como os ataques à seção francesa provocam a divisão da IV Internacional. Os trotskistas franceses, ingleses, dos Estados Unidos e a maioria dos militantes sul-americanos, rompem com o Secretariado Internacional e formam o Comitê Internacional (CI).
Moreno lança a consigna para a Bolívia: Todo o poder à COB!
1954
O Comitê Internacional não convoca a realização de nenhum encontro Internacional.
Nahuel Moreno, desde o POR argentino, trava uma batalha para que o Comitê Internacional
enfrente o pablismo e atue como uma direção para reagrupar o trotskismo ortodoxo.
Moreno escreve 1954. Ano chave para um estudo do peronismo.
1955
Na Argentina, um golpe de estado, promovido pelo imperialismo americano, que conta
com o respaldo da maioria da burguesia, da Igreja, do PC e da classe média, derruba
Perón.
Os trabalhadores argentinos, abandonados à sua própria sorte pelo General Perón e pela direção sindical peronista, resistem aos golpistas, inclusive com as armas, dando início ao que se chamou “Resistência peronista”.
Os trotskistas dirigidos por Moreno e seu órgão de imprensa A Verdade, que denunciaram
permanentemente a preparação do golpe do imperialismo, exigem de Perón que entregue
armas aos operários para enfrentar o golpe e, quando isso acontece, se integram
à Resistência Peronista.
1956
Na URSS, no XX Congresso do PCUS, seu Secretário Geral, Nikita Krushchev, realiza
a denúncia dos crimes de Stalin, ao mesmo tempo em que afirma que é quase impossível
que existam novas guerras e que por meio do parlamento e das eleições se poderia
derrotar o capitalismo.
O discurso provoca impacto no movimento comunista mundial e também no trotskismo.
Moreno afirma que o discurso é uma manobra da burocracia . Pablo e Mandel vêem
um curso progressivo na URSS.
Na Polônia uma insurreição encabeçada por comitês operáriosé brutalmente esmagada
pelos tanques russos. Quatro meses depois, uma mobilização massiva com ocupações
se desenvolve em todo o país e só conseguem detê-la por meio de concessões. Na
Hungria, explodem grandes motins e mobilizações que atacam as tropas russas e
assaltam as sedes do Partido Comunista. A insurreição termina de forma sangrenta.
As tropas russas reprimem violentamente a população e fuzilam dezenas de pessoas.
Na Argentina, a ditadura militar decreta a dissolução do PSRN, tornando ilegais
suas atividades e imprensa. Frente a este fato, os membros do Comitê Executivo
Nacional deixam de atuar, enquanto os trotskistas, em seus materiais internos,
se apresentam como POR e nos materiais públicos como Socialismo Revolucionário
Trotskista.
Moreno escreve E depois de Perón? onde afirma que a tarefa fundamental
para a Argentina é reorganizar o movimento operário para recuperar
os sindicatos e a CGT das mãos dos interventores da ditadura.
1957
Iniciam-se as conversações entre o SI (pablista) e o SWP (CI) para reunificar
a IV Internacioal. Moreno se opõe.
Em La Plata (Argentina), começa a militar um estudante peruano, chamado Hugo Blanco,
que anos mais tarde se converteria (segundo Moreno) no “maior dirigente de massas
trotskista depois de Trotsky”.
1958
Moreno participa da Conferência do Comitê Internacional, que se reúne no mês de
junho na cidade de Leeds (Inglaterra). Na Conferência, leva adiante uma dura discussão
com os delegados do SWP dos EUA em torno da necessidade de enfrentar e derrotar
o “pablismo”.
Hugo Blanco retorna ao Peru e vai trabalhar em uma fábrica em Lima. Moreno escreve
Teses de Leeds e A estrutura econômica argentina.
1959
Em Cuba triunfa assim a primeira revolução socialista no continente, despertando
o entusiasmo em todos.
Pablo apóia desde o primeiro momento o Movimento 26 de Julho encabeçado por Fidel.
Moreno, no princípio tem uma posição sectária. Compara o triunfo de Fidel com
a “Revolução Libertadora Argentina” (o golpe militar contra Perón). Dez meses
depois da tomada do poder pela guerrilha, o Palavra Operária diz: “Fidel Castro
continua sendo um homem de confiança dos ianques (...)”. No mês de novembro, Moreno
começa a mudar de posição reconhecendo que a Revolução Cubana era parte da luta
antiimperialista.