Espaço de Unidade de Ação prepara primeiras ações conjuntas para 2016

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Fotos Romerito Pontes

Diversas entidades que compõem o Espaço de Unidade de Ação se reuniram nesta sexta-feira (22), na quadra do Sindicato dos Metroviários em São Paulo.  

A reunião foi bem representativa. Mais de 160 ativistas de 62 entidades dos movimentos populares, sindical e estudantil, de 17 estados e do Distrito Federal reafirmaram a tarefa de seguir construindo nas lutas uma alternativa aos dois campos que polarizam a vida política do país: o bloco de apoio ao governo, liderado pelo PT e a oposição burguesa de direita, com o PSDB à frente. Para tanto, o Espaço de Unidade de Ação vai buscar fortalecer as mobilizações contra os patrões e os governos. Diversas entidades e novos setores políticos participaram da plenária e declararam a disposição de se incorporarem ao Espaço de Unidade de Ação.

Motivos não faltam para lutar. Para responder à crise econômica e seus reflexos no Brasil, o governo e sua equipe econômica anunciaram as reformas da previdência e trabalhista, que vão acertar em cheio os nossos direitos. Os ataques que já vinham de 2015 vão ser aplicados em escala maior em 2016, com o aprofundamento das medidas de ajuste fiscal. De outra parte, o ataque patronal é muito forte, com demissões, fechamento de empresas e tentativa de retirada de direitos, como forma de manter as margens de lucro das empresas. A resistência dos trabalhadores tem sido grande e o desafio do Espaço de Unidade de Ação é unificar cada uma dessas lutas.  

O membro da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Sebastião Carlos Pereira, o Cacau, apresentou a proposta de resolução que foi debatida na reunião e alertou para o desafio do Espaço de Unidade de Ação em unificar essas lutas, contra o ajuste fiscal em todas as esferas de governo, contra as reformas que atacam direitos, contra as demissões, as privatizações, contra o reajuste das passagens e outras que já estão em curso.  

Citou o exemplo de setores da classe trabalhadora que enfrentam as demissões na CSN, Usiminas, trabalhadores gráficos em Minas Gerais, dentre outros, além da luta dos metalúrgicos da GM em São José dos Campos (SP) por uma PLR maior, em greve nesse momento. Os servidores públicos também estão se mobilizando, para enfrentar o parcelamento dos salários e outros ataques. As manifestações contra o aumento das passagens pelo país, com mais destaque para São Paulo nesse momento, foi um dos exemplos citados. 

 “Poderíamos estar aqui sob um cenário em que os trabalhadores não estivessem resistindo, mas ao contrário, eles estão indo à luta e por isso precisamos organizar essas mobilizações e unificá-las”, ponderou.  

A crise política também foi debatida no encontro, a falsa polarização expressa pelo impeachment de Dilma (PT), os escândalos de corrupção e as consequências que podem abater figuras do PSDB e PMDB, assim como o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha.  

Essa direita reacionária não representa os trabalhadores e os que se dizem de esquerda formam frentes que servem, somente, para blindar o governo que aí está. Setores que deveriam organizar os trabalhadores se somam aos planos de ajuste do governo. A CUT, por exemplo, está defendendo o PPE (plano de proteção aos empresários), a liberação de dinheiro do BNDES para as empresas e os acordos de leniência com empresas da Lava Jato”, alertou.    

Repousa sobre nós a responsabilidade de dar uma resposta, apresentar uma saída de interesse dos trabalhadores nessa crise. Vamos buscar uma unidade ampla para resistir, com todos que se disponham em lutar em defesa de todo e qualquer direito ameaçado”, defendeu Cacau. 

 As iniciativas para fortalecer as lutas e esse campo foram apresentadas em um documento político, que servirá de norte para as próximas ações. O manifesto aponta para a realização de um novo ato nacional, nesse primeiro semestre, com data a ser definida, a perspectiva de uma manifestação de caráter nacional no dia do trabalhador, 1º de maio, de caráter classista e independente.  

Será confeccionado ainda um jornal para ser trabalhado amplamente na base.  

Exemplos de resistência  
A plenária contou com a presença de muitos trabalhadores e jovens que já nos primeiros dias de 2016 mostraram que esse ano será de luta: metalúrgicos, mineiros, operários da construção civil, gráficos, servidores públicos de várias áreas, estudantes secundaristas que ocuparam escolas em 2015 e que agora, em 2016, também estão nas ruas contra o aumento da tarifa.  

Metalúrgicos da GM e da CSN também tiveram destaque na Plenária, com lutas expressivas contra as demissões, o PPE e as perseguições a esses trabalhadores.  

A professora Isabel Fraga, que atua no Sul Fluminense, traduziu bem a situação dos metalúrgicos explorados: um funcionário foi vítima hoje (22/1) de um acidente de trabalho e sofreu queimadura em 80% do corpo. “Neste ano já ocorreram três mortes. Isso revela que os trabalhadores estão trabalhando no limite”, acrescentou a companheira.  

Já o trabalhador do Comperj, Alexandre Lopes, que junto com seus companheiros criou o fórum “S.O.S Emprego”, denunciou que “já construímos várias mobilizações por melhorias para a classe operária e fomos massacrados com demissões, perseguições e esculacho da patronal. Se a classe trabalhadora não tomar consciência dessa batalha, perderemos”, alertou.  

Também foi denunciada a tentativa da implementação da EBSERH na UFF (Universidade Federal Fluminense), pelo companheiro Pedro Rosa do Sintuff, que finalizou a fala destacando o otimismo que o movimento dos secundaristas em SP contra a reorganização trouxe para a luta por outra educação pública.  

Gabriel Octávio, secundarista da E.E. Virgília Alves de Carvalho, falou da necessidade de colocar as ações discutidas em prática e da cooperação entre trabalhadores e estudantes para uma melhor compreensão da luta pela educação e por novos espaços democráticos, ressaltando a realidade de um sistema em que “ETECs têm a função de produzir trabalhadores operários em série”.  

O dirigente do Metabase de Congonhas, Rafael Ávila, o Duda, destacou a continuidade da campanha pela reestatização da Vale e estatização da Samarco, aprovada em seminário realizado em dezembro de 2015 em Mariana (MG).  

Após um intenso debate e a incorporação de várias propostas, o texto originalmente apresentado foi aprovado e será amplamente divulgado para as bases a partir de terça-feira (26).