Em Sergipe, dia 6 é marcado por paralisações em fábricas

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Paralisação na FAFEN de Larajaneiras (SE)

Operários cruzam os braços contra a retirada de direitos, demissões e em defesa da Petrobrás 100% estatal sob o controle dos trabalhadores

Ainda era madrugada quando os operários de Sergipe iniciaram as paralisações do Dia Nacional de Luta contra o ajuste fiscal dos governos e em defesa dos direitos trabalhistas.

Os petroleiros paralisaram a Fábrica de Fertilizante Nitrogenados (FAFEN), localizada no munícipio de Laranjeiras. “O dia hoje é um ponto de partida para um chamado mais amplo a todos os trabalhadores que têm se enfrentado com os ataques dos governos e dos patrões. Não podemos aceitar que os trabalhadores paguem pela crise, tendo seus direitos atacados e sofrendo com demissões”, disse Clarckson Araújo, diretor do Sindipetro AL/SE e da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP).

Gilvani Alves, do Movimento Mulheres em Luta (MML), destacou que a mulheres são as mais atingidas com as Medidas Provisórias 664 e 665. “Essas medidas provisórias atacam direitos fundamentais dos trabalhadores como o seguro-desemprego. Antes a solicitação desse benefício era permitido após seis meses trabalhados, agora somente com 18 meses trabalhados para a primeira solicitação e 12 meses para a segunda solicitação. As mulheres são cerca de 35% dentre os que recebem seguro-desemprego, pois a maioria estão presentes em setores da economia com alta rotatividade e grande precarização”.

Em Nossa Senhora do Socorro, os operários da fábrica de cimento Nassau também cruzaram os braços. “As empresas de cimento, nos últimos anos, vem batendo recordes de lucros. Contudo, já ameaçam com demissões. Aqui em Sergipe, a Nassau fala em fechar o terceiro turno de trabalho. Isso significa a demissão de 50 trabalhadores. Não podemos aceitar. Por isso, paralisamos a fábrica em defesa do emprego”, enfatizou Djenal Prado, presidente do Sindicagese.

Petrobras 100% Estatal
Os petroleiros pautaram a luta em defesa da Petrobras 100% estatal sob o controle dos trabalhadores. “Os ataques à Petrobras se refletem não só nos escândalos de corrupção, mas também no desinvestimento, nas demissões, nos calotes aos trabalhadores das empresas terceirizadas e na entrada cada vez mais crescente de empresas multinacionais no setor de Petróleo brasileiro, como consequência da política privatista que se iniciou com FHC e foi continuada por Lula e Dilma. Precisamos defender que a Petrobrás se torne 100% Estatal, controlada pelos trabalhadores. As vitórias dos trabalhadores em vários estados e categorias mostraram que só é possível vencer pelo caminho das lutas” afirmou Bruno Dantas, diretor do Sindipetro AL/SE.

A CSP Conlutas, Sindipetro AL/SE e a FNP realizam no dia de hoje a “Conferência Estadual em Defesa da Petrobrás 100% estatal, sob o controle dos trabalhadores”. O evento reúne diversos movimentos sociais e entidades, como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Mulheres em Luta
O Movimento Mulheres em Luta (MML) esteve presente nas paralisações realizadas na FAFEN e na fábrica de cimento Nassau colhendo assinatura no abaixo assinado que exige da presidente Dilma (PT) o investimento de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no combate à violência contra as mulheres. “O Brasil é o 7º país que mais mata mulheres no mundo. A cada duas horas, uma brasileira é morta pela violência machista. A Lei Maria da Penha, mesmo sendo um avanço jurídico, não saiu do papel. Faltam recursos e estrutura de atendimento. Nós do MML defendemos a aplicação de 1% do PIB para políticas de enfrentamento à violência a mulher. Estamos colhendo assinaturas para entregar à presidente Dilma essa reivindicação, mas para que isso se concretize é preciso mobilização e luta”, disse Michelle Félix, do Movimento Mulheres em Luta de Sergipe.

PSTU na Luta
O PSTU esteve presente nas paralisações, levando o apoio à luta dos trabalhadores. “O dia de hoje cumpre um importante papel na busca da unificação das lutas para derrotar a política econômica dos governos que beneficiam banqueiros e empresários, e ataca direitos dos trabalhadores. As lutas que estão ocorrendo no País mostram que é preciso lutar e unificando as lutas é possível vencer. Nós do PSTU defendemos a formação de um campo de classe contra o governo federal, mas também contra o PSDB e a oposição de direita. Fazemos um chamado a todas as centrais sindicais e movimentos sociais a que nos unamos e construamos uma greve geral”, falou Vera Lúcia, presidente estadual do PSTU/SE.