Em Natal, Dia Nacional de Lutas reúne 15 mil trabalhadores e estudantes

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Protesto reivindicou mais investimentos em saúde, educação, transporte e exigiu que o governo Dilma mude sua política econômica para beneficiar os trabalhadores, ao invés de grandes empresários e bancos

Neste Dia Nacional de Lutas, o país viu uma amostra do que acontece quando a classe trabalhadora decide sair dos hospitais, escolas, fábricas, bancos, repartições públicas e canteiros de obras. Em meio a bloqueios de estradas, paralisações, protestos e passeatas por todo o Brasil, Natal registrou uma das mais belas e significativas manifestações. Diversas categorias paralisaram, a exemplo dos servidores estaduais da saúde. O transporte foi parcialmente interrompido, gerando um clima de greve geral na cidade. Foram 15 mil pessoas que tomaram as ruas da capital potiguar, nesta quinta-feira (11), para expressar a insatisfação com os governos e exigir mudanças na saúde, educação, transporte, salários e na política econômica do país.

As centrais sindicais que organizaram a manifestação, entre elas a Central Sindical e Popular (CSP-Conlutas), se uniram por sete reivindicações históricas dos trabalhadores brasileiros. Em Natal, a jornada de lutas também foi pela redução da tarifa e melhoria do transporte público; mais investimentos em saúde e educação públicas; fim do fator previdenciário e aumento das aposentadorias; redução da jornada de trabalho; fim dos leilões do petróleo; contra a PL 4330 da terceirização e por reforma agrária. Além de diversas reivindicações estampadas em muitos cartazes. O movimento Revolta do Busão, responsável pelas primeiras manifestações contra o aumento da tarifa de ônibus, apoiou e participou do ato.

O protesto começou a se formar por volta das 9 horas, ao lado do Shopping Midway, no cruzamento das Av. Salgado Filho e Bernardo Vieira. Pouco depois das 10 horas, milhares de trabalhadores, servidores públicos, agricultores sem terra e estudantes marchavam pela BR-101 em direção ao bairro de Ponta Negra, onde o ato foi encerrado, após as 15 horas. A caminhada ainda teve duas importantes paradas. A primeira em frente ao estádio Arena das Dunas, para convocar os operários ao protesto. Dentro do estádio, havia seis viaturas da tropa de choque da PM e seguranças. A segunda parada ocorreu na Governadoria do Estado, onde a manifestação criticou o descaso da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) com os serviços públicos. Com cartazes, uma grande faixa e adesivos, os trabalhadores exigiam o “Fora Rosalba”.

Durante toda a passeata, houve apenas um incidente de tentativa de repressão policial, no momento em que uma bomba estourou quando o ato passava próximo a um supermercado. A polícia tentou prender uma pessoa, mas foi impedida pelos manifestantes.

Contra a política econômica da direita e do governo Dilma
O Dia Nacional de Lutas em Natal reuniu diversas categorias da classe trabalhadora. Bancários, servidores da saúde, professores, rodoviários, servidores municipais, funcionários dos correios e trabalhadores da companhia de energia. Até mesmo servidores públicos de cidades vizinhas, como São Gonçalo do Amarante, e do interior do Estado, a exemplo de Mossoró, também pararam suas atividades e se somaram para participar do ato.

Além das reivindicações que unificaram as centrais sindicais, o protesto também abraçou a luta contra a política econômica do governo Dilma (PT), que vem repetindo o que sempre foi feito pelo PSDB. Foram questionados os leilões do petróleo, as privatizações, os gastos com a Copa do Mundo e os baixos investimentos em saúde, educação e transporte. “Da Copa, da Copa, da Copa eu abro mão. Quero mais investimentos pra saúde e educação!”, cantavam os manifestantes.

No ato, a defesa do passe livre para estudantes e desempregados foi uma das bandeiras da Assembleia Nacional de Estudantes Livre (ANEL), que ainda reivindicou o investimento imediato de 10% do PIB para a educação pública. O Movimento Mulheres em Luta, da CSP-Conlutas, também levou para as ruas as reivindicações de combate ao machismo e por mais recursos para a aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha. A repulsa ao preconceito contra homossexuais também se expressou nas críticas ao deputado Marco Feliciano.

Com tantas exigências ao governo Dilma, coube ao PT e à CUT o papel de tentar desviar o foco da manifestação para que não se chocasse com o governo. Gritavam pelo plebiscito da reforma política, como se os grandes empresários e os banqueiros, que o governo do PT tanto favoreceu e favorece nestes 10 anos de poder, não fossem inimigos dos trabalhadores. Em resposta a essa traição dos governistas, os militantes do PSTU e muitos outros manifestantes sem partido cantavam: “Nem a direita, nem o PT! Trabalhadores no poder!”.

Ao final do ato, o dirigente do PSTU, professor Dário Barbosa, deixou o recado do partido para os trabalhadores e estudantes do país. “O nosso partido faz um esforço muito grande para que as mobilizações não parem, para que os trabalhadores e a juventude permaneçam nas ruas. Para termos passe livre, reforma agrária, saúde, educação e salários, é preciso construir uma grande greve geral. É preciso que a juventude e os trabalhadores construam uma revolução socialista neste país para acabar com o sistema capitalista. Só assim teremos direitos e liberdade.”, disse Dário.