Em Fortaleza, avança a experiência da assembleia popular

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Das ruas às praças, centenas de pessoas têm ocupado, semanalmente, as assembleias populares realizadas na capital cearense. Em meio às diferenças de opiniões e dos tantos grupos que constroem esses espaços, há um desejo convergente sobre a importância de seguir com as mobilizações.

Consciência e organização tornaram-se grandes necessidades, dada à forte repressão policial e o silêncio quanto às reivindicações surgidas das ruas por parte do governador do Estado, Cid Gomes, e do prefeito de Fortaleza, Roberto Claudio, ambos do PSB.

A primeira assembleia popular, ocorrida no domingo, 23 de junho, no Centro Cultural Dragão do Mar, reuniu mais de 300 pessoas. A assembleia serviu para avaliar a primeira grande manifestação em Fortaleza ocorrida no dia 19 de junho que levou 80 mil pessoas às ruas durante o jogo Brasil e México no estádio do Castelão pela Copa das Confederações, bem como para iniciar o debate sobre as próximas manifestações e a pauta de reivindicações.

A segunda, no dia 24 de junho, na Praça da Gentilândia, que contou com cerca de 500 pessoas, definiu as principais reivindicações, entre as quais podemos destacar a redução imediata da tarifa de ônibus, rumo ao passe livre; 10% do PIB para a educação pública, já; em defesa da moradia popular, contra os despejos das comunidades do entorno da Arena Castelão. Com essas bandeiras, cerca de 20 mil pessoas foram às ruas novamente para protestar no dia 27 de junho, quando da semifinal da copa das confederações entre Espanha e Itália.

Uma vez havendo uma pauta comum, a terceira assembleia ocorrida na segunda-feira, 1º de julho, também na Praça da Gentilândia, contou com 300 participantes. Neste espaço, o destaque coube ao debate sobre a construção da unidade dos movimentos estudantis e populares com os sindicatos de trabalhadores na organização do dia 11 de julho, Dia Nacional de Greves, Paralisações e Manifestações.

Periferia presente
A próxima assembleia popular foi marcada para 8 de julho, na Serrinha, bairro da periferia de Fortaleza, nas proximidades da Arena Castelão. O local escolhido para a nova assembleia foi este bairro porque, enquanto a cidade sediava a semifinal da copa das confederações, a truculência do Estado e a disposição de luta dos manifestantes transformavam as ruas desta comunidade, próximas ao estádio, em um verdadeiro campo de batalha. Nesse processo, cumpriram papel fundamental as moradoras e moradores da Serrinha, que fizeram a cavalaria recuar e abriram as portas de suas casas para abrigar manifestantes feridos durante o enfrentamento. O preço por essa ousadia seria pago horas depois. Tão logo a noite caiu, a polícia esteve no local invadindo casas, agredindo adolescentes e cometendo outros excessos. Em resposta, no dia 28 de junho, a comunidade realizou uma assembleia na Praça da Cruz Grande seguida de cortejo pelo bairro, tendo reunido, entre adultos e crianças, centenas de participantes.