Em assembleia, trabalhadores da Mabe decidem manter ocupação em Campinas e Hortolândia

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Ocupação já dura cinco dias; empresa produz eletrodomésticos Dako e Continental

Em assembleia realizada na manhã desta sexta-feira (19), os trabalhadores da Mabe decidiram manter a ocupação das fábricas de Campinas e Hortolândia. A ocupação ocorreu na última segunda-feira (15) para evitar que a multinacional mexicana retire os equipamentos das duas unidades.

Na quinta-feira (18), o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas se reuniu com o administrador da massa falida da Mabe para tentar negociar a reintegração de 1.800 trabalhadores demitidos e a retomada da produção, mas não houve acordo.

Não vamos sair daqui, não vamos deixar a Mabe dar calote em todos nós“, disse João Evangelista Rodrigues da Silva, que trabalha na Mabe de Campinas há 19 anos.

As demissões ocorreram na semana passada após a Justiça decretar falência da empresa, que produz fogões, geladeiras e máquinas de lavar das marcas Continental e Dako.

Os trabalhadores estão sem salários e direitos desde dezembro, quando foram colocados em licença remunerada. A dívida trabalhista chega a R$ 19 milhões, segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas. Antes ocupação, no dia15, dezenas de trabalhadores estavam acampados em frente às duas plantas da empresa desde o dia 22 de dezembro.

A situação está muito complicada. Estamos sem salário, 13º e PLR. Muitas famílias estão passando necessidade, passando fome mesmo. Eles vivem de doação“, disse João Evangelista, que é cipeiro na Mabe.

Na última quarta-feira (17), dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos foram prestar solidariedade aos companheiros que ocuparam as fábricas, incentivando-os a continuarem na luta.

O controle operário é o caminho, os metalúrgicos da Mabe estão de parabéns. Mas não podemos esquecer que enquanto os operários passam fome sem salário e direitos, os empresários recebem benefícios do governo“, disse o diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos José Dantas Sobrinho, que esteve em Campinas com os diretores Ivan Cardoso de Souza e Marcelo de Santana, o Formiga.

O governo federal concedeu R$ 104,043 bilhões de incentivos fiscais e tributários às indústrias somente em 2014, sem garantir geração e estabilidade de emprego. Esse dinheiro sai da Saúde e Educação do trabalhador e do povo brasileiro e vai direto para o bolso dos empresários.

As principais beneficiárias dos incentivos foram as montadoras de carros e as fábricas de eletrodomésticos, a chamada ‘linha branca’, como a Mabe, que agora quer dar um golpe nos trabalhadores. Esses dois setores estão entre os que mais demitem.

Essa realidade só vai mudar por meio da mobilização dos trabalhadores. Temos que exigir do governo uma medida provisória que garanta a estabilidade de emprego e a redução da jornada, sem redução do salário. A construção de uma greve geral é fundamental“, afirma Dantas.

Golpe contra os trabalhadores
O pedido de falência é mais um golpe da Mabe contra os trabalhadores. Na verdade, a Mabe quer deixar os trabalhadores na massa falida e retomar a produção como uma nova empresa, sem lesionados e com salários mais baixos.

O próprio administrador judicial que pediu a quebra da Mabe protocolou um pedido informando que a empresa é viável. Se é viável, por que não retoma com os trabalhadores? A nossa reivindicação é que a empresa retorne todos os trabalhadores à fábrica de Campinas e de Hortolândia, inclusive os adoecidos“, disse Adriano Soares dos Santos, dirigente sindical e trabalhador da Mabe.

Segundo Adriano, somente em Campinas são cerca de 280 trabalhadores mutilados e lesionados devido ao ritmo acelerado da produção. A fábrica de Campinas tem cerca de 800 trabalhadores e a de Hortolândia, cerca de 1.000. 

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