Educação não é mercadoria: Nós não vamos pagar nada!

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A solução para a educação não é a cobrança de mensalidades nas universidades públicas, a solução é o investimento de 10% do PIB para educação

Nesta segunda, 02, foram veículadas pela imprensa duas propostas reacionárias para a educação pública brasileira. A primeira foi o relatório da Organização para Cooperação de Desenvolvimento Econômico, divulgado no Globo. O relatório afirma que as cotas nas universidades não garantem o fim da desigualdade social, logo, como algumas pessoas poderiam pagar a universidade e outras não, seria mais igualitário cobrar mensalidades das que puderem pagar, ao invés de aplicar as cotas e manter a gratuidade geral. Apelação total ao senso comum para combater essa medida progressiva que, obviamente, fecharia mais ainda as portas da universidade para o povo pobre!

A segunda matéria, que foi divulgada na Folha de São Paulo, afirmava que 6 em cada 10 estudantes poderiam pagar mensalidade na USP. Hoje a USP que está vivendo uma grave crise fruto da má gestão da universidade por parte dos seus Reitores e diretores autoritários e alinhados ao PSDB de Alckimin em São Paulo. Bom, é fato que a USP, assim como a maioria das universidades pública do Brasil, é elitizada, lá até hoje não conseguimos aprovar as ações afirmativas, mas, para sair da crise a solução é elitizar mais ainda a universidade? Está nítido que o caminho não é esse!

Não foi à toa que essas matérias saíram no mesmo dia, me parece que essa movimentação está bem articulada para tentar atacar conquistas históricas do movimento social: a gratuidade nas universidades públicas e as ações afirmativas. É preciso atacar essas iniciativas pela raiz! A política de cotas está em consolidação no Brasil e precisa avançar com a desvinculação das cotas sociais das raciais, garantido o percentual de negros por estado, assistência estudantil de qualidade, entre outras medidas. Ao mesmo tempo, a forma de superar em médio e longo prazo, essa ação importantíssima, mas de caráter paliativo, é avançando na construção de uma educação 100% pública em nosso país, que garante o livre acesso na universidade e acabe com a farra da iniciativa privada na educação, tão incentivada pelo Governo Federal. Para isso tem que ter dinheiro do governo na educação e a garantia dos 10% do PIB e o fim do pagamento da dívida pública é fundamental!