Editorial: Outubro de lutas

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Fotos: Romerito Pontes

Basta de PT, PSDB e PMDB

Enquanto os banqueiros estão tendo o maior lucro da sua história, a classe trabalhadora amarga demissões, retirada de direitos, arrocho salarial e descaso com a Educação, a Saúde e a Moradia.

Governo e oposição burguesa brigam para ver quem controla o Estado e que setor da patronal fica com a maior parte do que eles tiram do nosso bolso.

O toma-lá-dá-cá instalado no Planalto é uma vergonha. Mas não se engane! Não pense que algum deles está brigando a favor dos trabalhadores.

O governo Dilma (PT), o Congresso Nacional e os governadores dos estados estão jogando a crise nas costas dos trabalhadores sem dó nem piedade.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), quer fechar centenas de escolas, demitir milhares de professores e superlotar salas de aula.  Estudantes e pais de alunos estão saindo às ruas para tentar impedir isso. Pezão (PMDB), governador do Rio, resolveu fazer “blitz” nos ônibus que levam a juventude da periferia para as praias da Zona Sul, retirando dos ônibus jovens pobres e negros. Poderíamos gastar a página inteira listando os absurdos dos governos.

Bancários em greve enfrentam uma intransigência enorme de banqueiros, que exploram bancários e o país inteiro. Metalúrgicos em greve lutam para ter reajuste, impedir demissões e retirada de direitos. Já os petroleiros estão sendo atacados, operários terceirizados ameaçados de demissão em massa, enquanto a direção da Petrobrás, o governo e as multinacionais vão destruindo e privatizando a empresa.

Outubro de Lutas!
A indignação com o governo Dilma, Temer, Cunha e também com o PSDB e grande parte dos governadores, é generalizada.

O problema é que uma parte importante das organizações e movimentos está ligada ou ao governo do PT ou à oposição burguesa (PSDB) e são um obstáculo para uma ação classista e independente da classe trabalhadora e da juventude.

Na marcha do dia 18 e no Encontro dos Lutadores foi dado um passo importante para construir uma alternativa classista. Em vários estados já existem plenárias sindicais e populares marcadas e manifestações em outubro.

Esta é uma tarefa central nesse momento, construir uma alternativa realmente de luta e de classe contra os dois blocos burgueses comprometidos com o ajuste fiscal e com os banqueiros e os grandes empresários.

A necessidade da Greve Geral
Estão existindo lutas em todo o lado. Muitas estão ocorrendo espontaneamente, contra os aparatos controlados pela burocracia ou movimentos governistas, outras são dirigidos pelo sindicalismo alternativo.

Mas várias greves, que saem por pressão da base, encontram na burocracia governista ou atrelada à oposição burguesa um obstáculo.

A CUT está negociando a redução dos salários nas montadoras e auto-peças do ABC. Em petroleiros, dificultam a construção de uma greve unificada. E em meio a uma forte greve de bancários, se recusam a unificar as campanhas salariais.

O apoio das grandes centrais sindicais ao governo ou à oposição burguesa, como faz a CUT e Força Sindical, fez recuar a unidade de ação que permitiu a realização de dois dias de paralisação e de luta importantes no país (em 15 de março e 29 de abril) contra as MP’s e o PL das terceirizações. Mas agora estão juntas com o governo para reduzir salários e proteger o lucro dos patrões.

Estes pactos com os patrões para que os trabalhadores paguem a conta da crise facilitam os ataques aos nossos direitos.

Parar estes ataques que vem sendo feitos exige uma Greve Geral no país. A CUT e demais centrais governistas deveriam romper com o governo e a Força Sindical romper com o PSDB.