Editorial: Os trabalhadores não vão pagar pela crise

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Leia o Editorial do Opinião Socialista nº 529

tentativa de aprovação pela Câmara dos Deputados da anistia ao caixa 2 e o escândalo Geddel abriram um novo momento na crise política. Dessa vez, alojou-se diretamente no Palácio do Planalto e no Congresso e reavivaram o “Fora Temer” e o “Fora Todos eles”.

A vitoriosa ocupação da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, em 8 de novembro, e a manifestação que derrotou a repressão no dia 16 já mostravam a disposição de luta de trabalhadores e a possibilidade de derrotar as reformas dos governos. Isso também pode ser visto nos protestos dos dias 11 e 25 de novembro.

O frágil governo Temer, no entretanto, minimizou o fato que levou à queda do ministro e a um desgaste ainda maior de um governo que já não tem muita popularidade.

A tentativa de votar a anistia ao caixa 2 e a intervenção de Temer em favor de Geddel agravaram a crise e demonstraram o total descolamento entre governo, Congresso e as ruas. Os fatos políticos levaram a crise diretamente para a Presidência, polarizou o país, mudou o humor das ruas e ofuscou, inclusive, a discussão das reformas.

A burguesia começa a pensar que a pinguela deste governo não aguente até 2018. Ou, se aguentar, não consiga aprovar as reformas e medidas de aumento da exploração que tanto desejam.

A prisão de Sérgio Cabral e Anthony Garotinho e o anúncio da divulgação das delações premiadas da Odebrecht, que envolvem centenas de políticos, acuam mais ainda Temer e preocupam a burguesia. Todos temem uma reação dos trabalhadores. Por isso, apesar de todos estarem a favor da anistia, hoje juram de pés juntos que são contrários – por enquanto!

A prometida recuperação econômica não ocorreu pós-impeachment, e a crise social só piora. Sequer uma recuperação frágil, pequena, anêmica ocorreu, o que gera em setores da burguesia exigências, enquanto diminui o prazo de Temer para fazer o ajuste fiscal.

A situação econômica continua ampliando o desemprego, o arrocho, o colapso de serviços públicos e a falência de estados.

Nove estados do país já estão em situação semelhante à do Rio de Janeiro e do Rio Grande do Sul. A crise nas contas públicas é em razão da dívida e do beneficiamento a grandes empresas nacionais e internacionais. Há um descontentamento social crescente na periferia, na classe trabalhadora e também nos setores médios, incluindo entre aqueles que foram para as ruas pedir o impeachment de Dilma.

Mesmo mais fragilizado, Temer e o Congresso vão tentar acelerar as reformas, votar a PEC 55 e tentar apresentar, ainda em dezembro, a reforma da Previdência ao Congresso.

É preciso unificar as lutas e convocar uma greve geral que ponha abaixo as reformas, as isenções fiscais, as terceirizações e privatizações. Uma greve geral que coloque para correr Temer e seus amigos corruptos.

É preciso exigir das centrais sindicais e movimentos sociais a convocação de um dia de greve geral. Infelizmente, as direções da CUT, da CTB, da Força Sindical e de outras centrais, exceto CSP-Conlutas, não querem convocar uma greve geral. Estão mais preocupadas em negociar com o governo a reforma e os subsídios aos empresários

A greve geral é necessária para barrar as reformas, e sabemos que as bases de muitos sindicatos dessas centrais apoiam essa ideia. Precisamos lutar para que ela aconteça.

Já a Frente Povo Sem Medo também não quer construir uma unidade de ação real pelo “Fora Temer”. Quer somente manter uma polarização para canalizar para a disputa eleitoral de 2018. Não fosse assim, se preocuparia em fazer ações unitárias e não ações chamadas de cima para baixo.

Mas é preciso e possível uma greve geral para botar abaixo essas reformas. É possível fazer mobilizações unitárias pelo “Fora Temer”, e não apenas manobras políticas visando eleições. Depois da PEC 55, eles virão para cima para acabar com a aposentadoria.

É possível tirar o país da crise e garantir empregos, saúde, educação, transportes, moradia, segurança. Para isso, é preciso um programa dos trabalhadores que passe pela suspensão do pagamento da dívida aos banqueiros; fim das isenções fiscais e proibição da remessa de lucros para o exterior; expropriação e estatização sem indenização das grandes empresas envolvidas em corrupção; fim da Lei de Responsabilidade Fiscal para impor uma lei de responsabilidade social; fim das terceirizações e privatizações; e fim dos privilégios dos políticos e juízes.

Chega de mordomias aos políticos. Eles devem ter um salário igual ao de um professor ou de um operário. A partir daí, é possível ter recursos para um plano de obras públicas necessárias como saneamento básico, moradia, recuperação de escolas e hospitais, gerando empregos. Os trabalhadores é que devem governar em conselhos populares.