Editorial: O acordão contra os trabalhadores

41

Por que o bandido do Eduardo Cunha (PMDB-RJ) continua à frente da Câmara dos Deputados, tocando sua pauta reacionária mesmo com todas as provas que se acumulam contra ele? Porque o PT e o PSDB continuam o mantendo através de um acordão.

O PSDB, que está à frente da oposição burguesa, divulgou uma nota defendendo o afastamento de Cunha. Uma nota sem vergonha, quase pedindo desculpas, só para não ficar mal na fita. Mas, nos bastidores, continua apoiando Cunha.

Já o governo do PT faz a mesma coisa, com a diferença de que nem nota soltou. A presidente Dilma bate boca com o deputado na imprensa, mas, por baixo dos panos, o próprio Lula orienta a bancada do PT a apoiar o picareta. É uma vergonha o que Lula faz. Criticou o ajuste, mas horas depois pegava um avião para Brasília para defender Cunha e garantir que a bancada do PT o apoiasse. Tudo para sustentar Dilma no poder. São todos políticos duas-caras, fazendo jogo duplo com o povo.

Todos juntos pelo ajuste fiscal
Assim como PT e PSDB estão atados a Cunha, todos eles estão a favor do ajuste fiscal. Isso significa continuar pagando os juros da dívida (só este ano, já foram pagos R$ 970 bilhões para os banqueiros) à custa do dinheiro da saúde, da educação e, agora, até do Bolsa Família. Estão juntos na defesa do Bolsa Banqueiro. É por isso que mais de 16 mil escolas públicas foram fechadas no país. Em São Paulo, o governo Alckmin (PSDB) quer fecham mil escolas. Quem vai pagar o pato serão os filhos da classe trabalhadora.

Outra consequência da política  econômica do governo Dilma é o crescimento da inflação e do desemprego. Sete trabalhadores são demitidos por minuto no Brasil. São mais de 10 mil por dia, e se prevê cerca de 2 milhões de novos desempregados até 2016.

É para aplicar esse ajuste que Eduardo Cunha é mantido no comando da Câmara. O grande acordão entre PT, PSDB e PMDB é para jogar os custos da crise nas costas dos trabalhadores para manter os lucros dos grandes banqueiros, empresários e fazendeiros.

Trabalhadores lutam
Os trabalhadores, por sua vez, não estão assistindo a tudo isso de braços cruzados. Os bancários realizam uma dura greve contra os banqueiros em todo o país. Mesmo com lucros recordes, os bancos querem dar reajustes abaixo da inflação a seus trabalhadores. Os petroleiros também se mobilizam contra os ataques à empresa, contra a corrupção que emerge com a Operação Lava-Jato e a tentativa de privatização planejada pelo governo Dilma e pela direção da estatal.

Já os professores continuam protagonizando importantes lutas, como contra o fechamento das escolas, em São Paulo, e em Belo Horizonte, onde fazem greve contra Márcio Lacerda (PSB).

É preciso unificar todas as lutas que ocorrem, rumo a uma greve geral contra esse governo, contra a oposição burguesa e contra o ajuste fiscal. Por isso, é preciso que a CUT, a CTB e demais centrais e movimentos sociais chamem a unificação das lutas em todo o país.

O problema é que o jogo duplo que assistimos em Brasília não acontece só nos corredores do Congresso. Infelizmente, no movimento isso também acontece. A CUT discursa contra o ajuste fiscal, mas garante total apoio ao governo. Defendem o Plano de Proteção ao Emprego (PPE) dizendo que é para proteger o emprego. Só que não. Esse projeto vai dar dinheiro público aos patrões, não defende emprego nenhum e ainda reduz os salários. Em seu último congresso, a CUT ofereceu o palanque à própria presidente Dilma, que discursou por 40 minutos defendendo seu governo e o ajuste.

O MTST, por sua vez, diz que é independente do governo e critica o ajuste, mas se recusa a fazer oposição ao governo Dilma e estava presente no congresso da CUT, que se transformou num grande ato de apoio ao governo. Os trabalhadores e o povo pobre do país estão revoltados com esse governo. E o MTST de que lado fica? Dos trabalhadores e de sua revolta ou ajudando a proteger o governo?

Ora, não dá para construir uma saída dos trabalhadores fazendo jogo duplo. Não dá para lutar contra o governo e apoiá-lo ao mesmo tempo. É preciso que CUT, MST e demais organizações e entidades rompam com o governo, assim como a Força Sindical tem de romper com o PSDB e demais partidos burgueses, e venham organizar uma greve geral, unificando as campanhas salariais e categorias em luta. Continuamos chamando o MTST e também o PSOL a romperem com os governistas para formar uma frente que lute contra o governo do PT e a oposição do PSDB.

É na luta contra o governo e contra Aécio e Cunha que construiremos uma saída da classe trabalhadora para a crise e não ao lado deles.