Editorial: É necessária uma nova Greve Geral

Paralisação no dia 14 em MG

A alternativa para a crise é socialista

Temer tem a pior popularidade de toda história, só 3,4% consideram positiva a sua gestão, segundo mostra a pesquisa CNT/MDA. Nada menos que 95,6% da população considera o país fora de rumo.

Para quem está desempregado, a situação é desesperadora. Para quem está empregado, é de insegurança: a patronal quer derrubar a maioria das cláusulas dos acordos coletivos nas campanhas salariais. No funcionalismo, não é melhor. Em muitos estados e municípios há atraso de pagamento de salários, além de congelamento e confisco. No trabalho informal a rotatividade, a precarização e os baixos salários são a regra. O governo alardeia que a economia está melhorando e a inflação baixa, mas o botijão de gás está custando R$ 80 em muitas praças e a conta de luz vem aumentando, isso para não falar dos produtos básicos em geral.

A imagem do homem da mala de dinheiro, o ex-assessor de Temer, Rocha Loures (PMDB), vive no Jornal Nacional. As malas do Geddel (PMDB-BA), do círculo íntimo de Temer, são de espantar até corrupto.

A indignação entre os debaixo é enorme, tão grande quanto a desfaçatez dos de cima.

Temer, denunciado pela Procuradoria Geral da República (PGR) como chefe do “quadrilhão do PMDB”, vai ver de novo essa denúncia votada na Câmara. São os deputados que podem ou não autorizar que o STF julgue o presidente. Se a Câmara autorizar, Temer tem que ser afastado. Para impedir que a Câmara siga a denúncia, Temer precisa ter pelo menos 172 votos, e já sabemos que aí ele não economiza dinheiro público.

Enquanto isso, o presidente viajou para os Estados Unidos e, na ONU, fez um discurso que não passou de um tremendo lero-lero, quando não mentiu descaradamente ao dizer que preserva a Amazônia. Lero-lero na ONU, vaia diária no Rock in Rio e um misto de raiva e enorme rejeição ao governo e aos políticos.

Governo, equipe econômica, banqueiros e grandes empresários, porém, alheios à insatisfação dos debaixo, estão fazendo um balão de ensaio, ameaçando recolocar em votação esse ano a reforma da Previdência (além da reforma política reacionária).

Diante disso, é fundamental a iniciativa dos sindicatos dos metalúrgicos de unir as lutas, tal como a realização do dia de luta com paralisações e manifestações no último dia 14, que foi muito forte. E especialmente a decisão de realizar uma plenária de trabalhadores de todos os setores da indústria no dia 29 de setembro, incorporando também as bandeiras contra a reforma da Previdência, as privatizações e a terceirização, apontando ainda um dia nacional de luta, que pode se converter em uma referência geral. Um caminho para colocar a classe operária e os debaixo em luta unificada, no cenário político do país, e sacudir essa situação.

Afinal, é necessário construir uma nova Greve Geral que possa botar abaixo essas reformas, esse projeto de entrega do país. Fora Temer e Todos eles!

A alternativa para a crise é socialista
Um dado curioso da pesquisa CNT/MDA é a percepção de 49,9% que não acreditam que mera troca de presidente resolva a crise, contra 41,2%. 50,3% perderam a esperança nos políticos e a rejeição ultrapassa os 50% em todos os candidatos a presidente.

Na verdade, a saída para a crise não se encontra em 2018. Porque uma saída que garanta mudanças de verdade, exige um projeto inteiramente diferente desse dos banqueiros, dos grandes empresários e das multinacionais.

Nem Bolsonaro, nem Dória, nem Alckmin, nem Rodrigo Maia ou o ministro da Fazenda Henrique Meireles, nem Marina Silva, nem Ciro Gomes e nem mesmo Lula, apresentam um projeto que contrarie banqueiros, grandes empresários e ruralistas. Nenhum deles se compromete a anular todas as privatizações, a reforma trabalhista, impedir a da Previdência ou não pagar a dívida de agiota aos banqueiros, para investir em educação, saúde, emprego, moradia, infraestrutura. Ou colocar a JBS, a Odebrecht e todas as empresas corruptas sob controle dos seus funcionários e estatizá-las. Pelo contrário, todos têm rabo preso com os corruptores e com banqueiros e multinacionais.

Muito menos uma ditadura militar, como andou apregoando o general Mourão, vai mudar a vida dos pobres para melhor. Ditadura militar só serve para impedir, com assassinato, tortura, prisão e repressão os trabalhadores e os pobres de lutarem, para que banqueiros e empresários explorem, roubem e mintam à vontade. Ditadura nunca mais!

Para garantir emprego, salário, terra, moradia, educação, saúde e transporte público de qualidade; cultura, lazer, futuro para nossa juventude, o fim da violência e de toda discriminação e preconceito contra as mulheres, os negros, LGBT’s e imigrantes; é preciso virar esse país de cabeça para baixo. Precisamos organizar os debaixo, para derrubar os de cima. Precisamos de uma revolução socialista, para que os trabalhadores governem através de Conselhos Populares. Nós somos a maioria. Os super-ricos, que se beneficiam para valer desse sistema, não chegam a 1% da população. Nós produzimos tudo que existe e eles nos roubam toda a riqueza. O Brasil é um país rico, mesmo com a crise, estamos entre as 9 maiores economias do mundo, no entanto, quando o quesito é desigualdade e pobreza do nosso povo, ficamos em 175º lugar.

Chegou a hora de debatermos um programa socialista, uma alternativa dos debaixo para a crise.