É preciso salvar os empregos do setor aeronáutico

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Artigo publicado no Jornal O Vale, domingo, dia 13


Esta semana, a população de São José dos Campos e de toda a região terá a oportunidade de acompanhar de perto as discussões sobre um assunto que, à primeira vista, pode parecer distante da realidade da maioria da população: a desnacionalização da produção de aviões da Embraer.
 
Este é um tema que, na verdade, afeta diretamente todos nós que moramos e trabalhamos aqui (não apenas na Embraer) e, por isso mesmo, será discutido em Audiência Pública, nesta segunda-feira, dia 14, na Câmara Municipal de São José dos Campos, às 17h. Todos estão convidados.
 
Em primeiro lugar, é preciso entender o que é essa tal desnacionalização. Já há alguns anos, a Embraer está transferindo para o exterior parte da produção de seus aviões. Essa transferência acontece de duas formas: para fábricas da própria Embraer construídas em outros países (como Estados Unidos e Portugal, por exemplo) ou para fábricas contratadas pela Embraer para assumir a produção de peças ou parte da produção dos aviões. 
 
Seja da forma que for, a primeira consequência direta e inevitável é o fechamento de postos de trabalho no Brasil. A partir de 2016, toda a produção de jatos executivos será transferida para a fábrica da Embraer nos Estados Unidos. A operação deve resultar na demissão de 800 trabalhadores da Embraer em São José dos Campos. Mas isso é só o começo.
 
Empresas localizadas no Vale do Paraíba e que são fornecedoras da Embraer deverão fechar as portas, como é o caso da Latecoere, em Jacareí, que produz a fuselagem dos jatos E-Jets da família 170 / 190. A partir de 2017, toda a produção será transferida para os Estados Unidos, o que resultará na demissão de 400 trabalhadores e o fim das atividades da fábrica. 
 
Os cargueiros KC-390, comprados pela Força Aérea Brasileira (FAB) por R$ 7,2 bilhões, não terão o resultado esperado em relação à geração de emprego. Entre o que era estimado pelo governo federal e o apresentado pelo Comando da Aeronáutica, serão 810 vagas a menos. O Brasil vai dividir a produção com empresas da República Tcheca, Argentina, Portugal, Espanha, Alemanha, França, Estados Unidos e Itália. 
 
Ainda não é possível dizer com precisão qual o total de empregos que o Brasil perderá com a desnacionalização de aviões, mas não podemos esperar que as estimativas se transformem em realidade. 
 
A Embraer é a maior empregadora privada de nossa região e maior fonte de arrecadação de São José dos Campos. Portanto, cada passo dado pela empresa traz reflexos não só para seus funcionários, mas para toda a região. 
 
O governo brasileiro ainda não se mexeu para reverter essa grave situação. Ao contrário, os cofres públicos não param de injetar recursos na Embraer, sem que este dinheiro seja revertido em geração de empregos no país. Somente nos últimos cinco anos, foram 4,9 bilhões de dólares em empréstimos pelo BNDES para financiamento de exportações. Assim como as montadoras de automóveis, que receberam mais de R$ 10 bilhões em isenção fiscal no governo Dilma e demitiram milhares de trabalhadores, a Embraer deve seguir a mesma cartilha. 
 
O caso já foi denunciado pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacional. Fomos a Brasília diversas vezes para buscar apoio de ministros e parlamentares em nossa luta em favor do emprego.
 
Queremos, com a audiência pública, convocar vereadores, prefeitos da região, trabalhadores, enfim, toda a sociedade para se somar à luta do Sindicato em defesa do emprego. Vamos todos dizer não à desnacionalização e sim à defesa dos empregos.
 
Herbert Claros, é vice-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, filiado à CSP-Conlutas