Dilma quer que você encare uma reforma da Previdência

41
Café da manhã de Dilma com jornalistas na manhã desta quinta
Agência Brasil

Em entrevista coletiva, presidente Dilma defende novo ataque às aposentadorias e faz piada sobre “guinada à esquerda” do governo

Agora veio da boca da própria Dilma. Após o recém-empossado ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, e do ministro da Casa Civil, Jaques Wagner, terem afirmado que a reforma da Previdência seria prioridade do governo no próximo período para a implementação do duro ajuste fiscal, foi a vez da presidente Dilma oficializar esse objetivo do governo. A afirmação ocorreu na entrevista coletiva realizada durante café da manhã com jornalista nesta quinta, 7, em Brasília.

Vamos ter que encarar a reforma da Previdência“, disse Dilma.  “Não é possível que a idade média de aposentadoria no Brasil seja 55 anos“, reafirmou. A presidente defendeu o estabelecimento da idade mínima para a aposentadoria ou a fórmula 85/95 “progressiva”. Dilma não só defendeu a medida, como conclamou a oposição a apoiar mais esse ataque aos trabalhadores brasileiros. “A responsabilidade também é da oposição em encaminhar de um jeito do quanto pior melhor, que tem sido a característica no último ano, ou ter uma atitude construtiva com o país“, afirmou.

Reafirmando a prioridade absoluta do governo no ajuste fiscal, Dilma definiu três objetivos principais para o governo, além da reforma da Previdência: ampliar os cortes, aumentar impostos principalmente através da CPMF, e o leilão de aeroportos, portos, ferrovias e hidrelétricas. Defendeu ainda a permanência da DRU (Desvinculação das Receitas da União), mecanismo que permite ao governo redirecionar 20% do orçamento para o pagamento da dívida.

Tudo para garantir o superávit primário de 0,5% definido para 2016. O superávit é o dinheiro “economizado” pelo governo para pagar os juros da dívida aos banqueiros, ou seja, recursos desviados de áreas como saúde e educação que vão direto para os bolsos de meia dúzia de banqueiros internacionais. Dilma deixou claro que não economizará esforços para isso.

Sobre a suposta “guinada à esquerda” defendida por setores ligados ao PT e ao governo, Dilma chegou a fazer graça: “Olha, para mim não falaram isso“. Respondendo sobre a nota do presidente do PT criticando a política econômica do governo, disse, em tom de galhofa, que “todo mundo pode soltar nota, eu também solto“.

Levy saiu, mas ajuste ficou
O anúncio de Dilma sobre uma nova reforma da Previdência e do aprofundamento do ajuste fiscal prova de uma vez por todas que a política econômica recessiva e de ataques sistemáticos aos direitos dos trabalhadores não era obra do ex-ministro da Fazenda, Joaquin Levy, mas do próprio governo Dilma. Mostra ainda que a tese da “guinada à esquerda” do governo com a saída de Levy não passa disso que Dilma fez ao comentá-la: uma piada.

O governo prepara um pacote de ataques para 2016, que tem a reforma da Previdência como ponta de lança, mas que vai muito além disso. Trata-se de um verdadeiro plano de austeridade a exemplo dos planos aplicados na Europa e que tem como único objetivo jogar os custos da crise nas costas dos trabalhadores.

Fora todos eles
Se Dilma fica, enfrentaremos um duro ajuste fiscal, o aumento galopante do desemprego e um ataque sem precedentes aos nossos direitos previdenciários. Se Dilma sai, mas entra Temer ou Aécio, o problema continua o mesmo. A única forma de derrotar essa política do governo Dilma, que é a política da burguesia e do imperialismo em nosso país, é botando para fora Dilma e as alternativas que nada representam de novo, como Temer ou Aécio.

É preciso, na luta, construir uma alternativa dos trabalhadores que dê uma saída à crise que faça com que os ricos paguem por ela. Neste sentido, ganha cada vez mais importância a plenária convocada pelo Espaço Unidade de Ação para o próximo dia 22 de janeiro, em São Paulo, que discutirá o fortalecimento de um pólo dos trabalhadores à crise, a esse governo e ao PSDB e PMDB.

LEIA MAIS
Todos à plenária sindical e popular convocada pelo Espaço Unidade de Ação