Dia Nacional de Luta em Macaé mostra a força dos trabalhadores nas ruas e no mar

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O Dia Nacional de Luta convocado pelas centrais sindicais, com paralisações, greves e atos de rua em todo o país, começou cedo em Macaé, no Norte Fluminense. Às 5h30 trabalhadores petroleiros e movimentos sociais bloquearam a Avenida Amaral Peixoto (RJ-106), que liga o município a Rio das Ostras. O protesto aconteceu próximo ao Parque de Tubos, área industrial da cidade. Entre as pautas estava a reforma agrária e a negativa à entrega do petróleo brasileiro através dos leilões.

Em outubro está para acontecer o maior leilão de petróleo do mundo”, alertou Ézio Aleixo, da oposição petroleira do Norte Fluminense e militante do PSTU.  “É preciso que os trabalhadores vão às ruas para impedir esse desmonte orquestrado pelo governo do PT. Tenho 31 anos de Petrobras e vi essa riqueza ser construída. Não podemos entregá-la de mão beijada, nem se contentar com a migalha dos royalties. Precisamos ir às ruas contra os leilões e exigir uma Petrobras 100% estatal, com os recursos investidos em saúde, educação” defendeu.

MST, Via Campesina, Sindipetro-NF, Oposição Petroleira do Norte Fluminense, FNP, FUP, CUT, CSP-Conlutas e o PSTU foram algumas das entidades que participaram. Alguns operários que estavam indo ao trabalho se somaram à manifestação. A paralisação durou até 10h, quando os petroleiros partiram para o Centro, onde se encontraram com os demais movimentos em luta.

Às 9h várias categorias já se concentravam na Praça Veríssimo de Melo, no Centro, de onde seguiram em passeata até a Prefeitura. Com palavras de ordem os manifestantes exigiram a presença do prefeito Dr. Aluízio (PV) e do vice Danilo Funke (PT), para dar uma resposta sobre as pautas locais. Os profissionais da Educação, em estado de greve, eram a maioria, junto com petroleiros, marítimos e profissionais da saúde, que reivindicaram, entre outras coisas, a convocação dos concursados e o fim dos contratos nos Postos de Saúde da Família.

Com mobilização, educadores alcançam vitórias
Na última paralisação da Educação, ficou agendada que a resposta às demandas da categoria seriam respondidas no dia 11 de julho. Cansados de promessa, os educadores exigiram respostas com a presença do prefeito do lado de fora da Prefeitura. “Ele saiu nas ruas para pedir nosso voto, agora vai ter que vir até aqui nos responder”, cobravam.

Sem diálogo, mais uma vez os profissionais tiveram que lotar o auditório da Prefeitura para pressionar o prefeito. E foi com a força das mobilizações que Dr. Aluízio teve que atender a pontos importantes da pauta de reivindicações.

Entre os pontos aceitos estão 36% de equiparação salarial para os auxiliares de serviços escolares; redução da jornada de trabalho dos auxiliares de serviços gerais de 40h para 30h e aumento de 100% na regência dos professores. “As conquistas foram uma grande vitória anunciada no Dia Nacional de Lutas em Macaé, mostrando que só com as mobilizações e os trabalhadores nas ruas é possível alcançar vitórias. No entanto, Dr. Aluízio prorrogou por mais 30 dias as respostas para alguns pontos. Por isso, vamos continuar na luta até as demais pautas serem atendidas”, afirmou Sabrina Luz, Coordenadora do Sindicato dos Profissionais da Educação (Sepe Macaé) e militante do PSTU.

Plataformas se solidarizam e protestam em alto-mar
O fim dos leilões também foi defendido pelos trabalhadores do mar. Com indicação do sindicato para realização de greve de permissão de trabalho (greve de PT), operários de algumas plataformas, de forma espontânea, realizaram assembleias e apresentaram manifestos com pautas gerais e específicas da categoria.

Petroleiros da Petrobras e terceirizados da P-35 e CIAC fizeram uma das maiores assembleias da história das plataformas na Bacia de Campos, com 300 operários reunidos. Questionaram a privatização e precarização do trabalho no setor e a PL 4330, que, segundo afirmaram em nota “é a tentativa de permitir a terceirização de atividade fim”.  O regime de trabalho diferenciado entre contratados e primeirizados também foi questionado, com a defesa do 14 por 21 para todos os trabalhadores off-shore, entre outros pontos.

Além da P-35, os operários das plataformas P-09, PNA-2 e Cherne 1, pelo menos, também entraram no movimento.

É preciso continuar nas ruas
Nesse dia 11, setores estratégicos para a economia do país entraram em cena, como os petroleiros, construção civil, metalúrgicos e funcionalismo público. Mas, foi só o começo. O PSTU defende que é preciso continuar nas ruas e que outros setores entrem em cena. Em Macaé chamamos o Sindipicc, o Sinditob, comerciários, marítimos, para estarem juntos conosco e aumentar esse movimento.

O dia 11 foi só uma demonstração do que pode ser a nossa força. As empresas, governos e mídia começam a mudar o discurso, pois já sentem a pressão da classe trabalhadora nas ruas. Os petroleiros e demais trabalhadores estão indignados e sentem a necessidade de mudança. Por isso, os sindicatos e setores organizados precisam continuar e aprofundar esse movimento, dando condições para que nas próximas todos os trabalhadores possam participar e mostrar a potência de quem produz as riquezas do país”, defendeu Mateus Ribeiro, petroleiro e militante do PSTU.

A CSP-Conlutas junto com as demais Centrais Sindicais se reuniram nesta sexta-feira (12) para avaliar as ações do dia 11 de julho, que consideraram positivas. Agora, convocam um novo  “Dia Nacional de Paralisação” marcado para o dia 30 de agosto, com o objetivo de pressionar a presidente Dilma para que atenda as reivindicações dos trabalhadores.

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