Dia de luta pela cesta básica reúne milhares de operários pelas ruas de Belém

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Operários se concentram em frente ao TRT

A grande onda de greves e mobilizações que tomaram conta do país nesses últimos dias chegou com força em Belém. Depois da greve dos rodoviários do Rio de Janeiro, dos educadores de Contagem, um tsunami de peão tomou as ruas da capital paraense. Bem no início da manhã desta sexta-feira (09/05), piquetes operários percorreram os canteiros de obra espalhados nos diversos bairros da cidade para chamar os trabalhadores a fortalecer a luta por uma reivindicação histórica da categoria: a cesta básica.

Desde a greve do ano passado, os empresários se comprometeram a fazer esforços para implementar a cesta básica nas empresas. De lá para cá, nada foi feito, entretanto. “Pelo contrário”, afirma o diretor do sindicato dos trabalhadores da construção civil, Ailson Cunha, “o sindicato patronal está travando as negociações e se recusa a dialogar com os trabalhadores”. Segundo ele, a paralisação foi apenas um primeiro aviso para os patrões: a cesta básica é um direito e a categoria seguirá forte e mobilizada até o fim.

Sobe o tomate, a farinha e o açaí. E o salário do peão só faz cair!
A reivindicação pela cesta básica não é de hoje, mas, especialmente este ano ganha mais força. Se é verdade que o aumento da inflação corrói o salário dos trabalhadores em todo o país, para os operários e operárias da construção civil de Belém o rombo é ainda maior. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), a capital paraense possui a sétima cesta básica mais cara do Brasil. Dessa forma, para um trabalhador comprar os 12 itens da cesta básica, gastaria 45% do salário mínimo atual.

A pesquisa ainda revela que para uma família com quatro integrantes adquirir todos os produtos, teria que gastar mais de R$900. Para Ailson Cunha, só esse dado revela a necessidade da cesta básica, já que a maioria da categoria recebe um pouco mais que um salário mínimo. “A cesta básica é uma necessidade, pois cerca de 65% da nossa categoria é composta por serventes de obras que ganham apenas R$ 773,97, sem o desconto do INSS”, afirma.

Se o lucro do patrão cresceu, o trabalhador quer o seu!
Um dos setores que mais cresce no Pará é o da construção civil. Junto com esse crescimento está o aumento do lucro dos empresários. “Tem apartamento sendo vendido por R$2,5 milhões! Se um prédio tiver 20 andares, imagina o lucro que eles vão ter… Sem contar com as promoções que as construtoras oferecem e as isenções fiscais que os empresários receberam do governo federal, como a redução do IPI”, questiona Daniele Schusterschitz, diretora do sindicato dos trabalhadores.

A luta por mais direitos deve ser parte da luta por outra sociedade
Para o operário da construção civil e vereador de Belém, Cleber Rabelo, a luta dos operários da construção civil pela cesta básica reflete uma conjuntura internacional, de ânimo e mobilização da classe trabalhadora. “No mundo inteiro, os trabalhadores têm se levantado contra as políticas de arrocho salarial e demissões dos governos. No Brasil e em Belém isso não é diferente”, disse.

Para o vereador, ainda que diversas greves e mobilizações estejam acontecendo por todo o país por melhores salários e melhores condições de trabalho, a luta não deve parar por aí. “É preciso entender que todas essas greves são parte de uma só luta: a dos trabalhadores contra os patrões. Não é possível que eles continuem explorando nosso trabalho e tirando nossas vidas. A luta pela cesta básica é importante. Mas a luta por uma outra sociedade, onde nós possamos governar e possamos viver livremente, é fundamental!”, afirmou.

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