| ESPECIAL - OS ADVERSÁRIOS DO BRASIL | |
| Austrália: com a Rainha até no Iraque | |
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Else Angélica, de São José dos Campos (SP) AO Brasil enfrenta a Austrália neste domingo, dia 18, em sua segunda partida nesta copa. As semelhanças deste país com o nosso não param no gosto pelo futebol. Os australianos, assim como os brasileiros, têm uma forte ligação com o mar, habitam em sua maioria em cidades costeiras e suas belas praias são mundialmente conhecidas. Mas a história e a situação política atual do país é tão dinâmica quanto a força de suas ondas. O país da Oceania foi colonizado pelos ingleses e sofreu com um saque de suas riquezas. A população indígena, os aborígenes, foi violentamente “colonizada” pelos europeus e até hoje lutam por seu reconhecimento. Em 1999, a maioria da população rejeitou uma emenda constitucional que reconheceria o povo aborígine como “primeiro povo da nação”. Esta polêmica ganhou destaque mundial com as olimpíadas de Sydney em 2000, quando uma atleta aborígine foi escolhida para acender a tocha olímpica na cerimônia de abertura dos jogos. Este mesmo plebiscito, em 1999, manteve o regime monárquico, contra as aspirações por uma República, com eleições diretas. Assim, o país segue sendo uma Monarquia Constitucional, sob o comando da rainha Elizabeth II, através de um governador geral. Se no Brasil, os trabalhadores estão às voltas com os ataques aos direitos trabalhistas, a situação na Austrália também é preocupante. Não há uma política de Seguridade Social e desempregados não contam sequer com o seguro-desemprego ou qualquer outro tipo de auxílio. A habitação também é tema de conflitos. O governo não combate a especulação e os donos de imóveis podem retirar um inquilino quando bem entender, sem ao menos avisar previamente ou justificar. Tropas no Iraque Xenofobia Mas os estrangeiros enfrentam um grande empecilho, o da discriminação racial. Em janeiro deste ano, uma onda de ataques a imigrantes tomou conta do país, durante semanas. Naquele mês, um estudante brasileiro, Rodrigo Antenor de Souza, foi covardemente agredido. Tendo início nas praias, as ações refletem o preconceito de grupos racistas e xenófobos, que refletem a opinião de parte da população. Também há grupos neo-nazistas atuando no país, que, além de estrangeiros, perseguem homossexuais. Estes violentos ataques são comuns na Austrália e mostram uma contradição na sociedade australiana, já que esta orgulhosamente se apresenta como um país multicultural e anti-discriminatório. Mas isso só era verdade enquanto a maioria de seus imigrantes era composta por brancos, vindos da Europa. Com a crescente chegada de asiáticos e árabes, o preconceito aflorou. Ambos países são duros com os imigrantes ilegais, mas mesmo com a “legalidade” , ou seja, permissão para ficar no país, esses imigrantes ainda passam por vários ataques morais e físicos. Acredita-se que um dos grandes responsáveis por incitar e perpetuar esse sentimento é o próprio primeiro-ministro do país, John Howard. O Líder do Partido Liberal de centro-direita se recusou a lançar simples desculpas oficiais aos aborígines pela maneira que foram tratados por gerações. Durante a campanha de reeleição, ele alarmou o país espalhando boatos sobre uma multidão que chegaria de barcos vindos do oriente médio. Chegou a convocar o exercito para “combater os invasores”. Atualmente ele lançou uma campanha a favor de uma legislação “anti-terrorismo” mais dura, para pulverizar o medo de um ataque terrorista e o sentimento de ódio aos islâmicos. Esses recentes ataques só fizeram aumentar a repressão e apesar da Austrália ser um país rico, as comunidades indígenas que deram origem ao povo australiano, continuam sofrendo ataques como a exclusão social e discriminações diversas. Os imigrantes do Oriente médio moram nos subúrbios de classe média baixa. Sofrem exclusões sociais e são discriminados até quando vão descansar na praia. |
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