| 1998 - FRANÇA | |
| No estádio erguido por seu pai, Zidane dá o título a França |
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Dirley Santos, do Rio de Janeiro (RJ) É ano de eleição no Brasil, que daria mais quatro anos para Fernando Henrique Cardoso. Enquanto a bola rolava na copa, entrava em campo em Brasília o time da maracutaia. Nos bastidores, um esquemão de compra de votos (o pai do mensalão) estava sendo montado, para garantir a aprovação da emenda da reeleição no Congresso Nacional. Nada de chuteiras. Para os tucanos (e depois petistas), o que valia eram as malas de dinheiro. No velho continente, 11 países chegavam a um acordo para instituir o Euro, a moeda única da União Européia. Mas uma enorme crise das bolsas de valores, em efeito dominó, atinge o globo: Rússia, Indonésia, Brasil, Argentina, etc. Menos de um ano depois, o Real seria desvalorizado e a economia brasileira se desestabilizaria permitindo que os movimentos sociais impulsionassem uma forte campanha pelo “Fora FHC e o FMI”. No mundo, surgiria o movimento anti-globalização, com protestos radicalizados contra a globalização e as reuniões dos organismos financeiros internacionais, como a de Seattle, em 1999. O mundo é apresentado à ovelha Dolly (não o guaraná), o primeiro animal clonado da história. E, após 24 de reinado, João Havelange passou a presidência da FIFA para Joseph Blatter, quase um clone seu. E, exatos 50 anos depois, a Copa do Mundo se realizaria novamente na França, agora marcada por um clima de tensão social, com greves como a da Air France. Foi um torneio marcado por jogos tensos politicamente: Irã 2 x 1 nos EUA; Iugoslávia 1 x 0 nos EUA e Argentina 4 x 3 na Inglaterra, partida decidida nos pênaltis, mas que carregava os fantasmas da guerra das Malvinas. Participaram 32 seleções, um recorde, sendo 15 da Europa: a própria França, Croácia, Holanda, Itália, Alemanha, Dinamarca, Inglaterra, Iugoslávia, Romênia, Noruega, Espanha, Bélgica, Áustria, Escócia, Bulgária; oito da América: Brasil, Argentina, Paraguai, Colômbia, Chile, EUA, Jamaica e México; cinco da África: Nigéria, África do Sul, Tunísia, Camarões e Marrocos; duas do Oriente Médio: Arábia Saudita e Irã e duas da Ásia: Coréia do Sul e Japão. O Brasil, confirmando seu favoritismo, ia comandado por Rivaldo e Ronaldinho, passando sem maiores problemas por seus adversários: 2 x 1 na Escócia, 3 x 0 no Marrocos e uma derrota, sem maiores conseqüências, para a Noruega por 2 x 1, isto tudo na primeira fase. Depois, nas quartas-de-final, 4 x 1 no Chile; nas oitavas, 3 x 1 na Dinamarca e na semifinal, 1 x 1 com uma Holanda ofensiva, e uma emocionante vitória por 4 x 2 nos pênaltis. Com exceção da partida com os holandeses, o caminho para o pentacampeonato vinha sendo fácil, já que a França, apesar de contar com a torcida, vinha sem apresentar um futebol digno de confiança. Reles engano, novamente envolto, em uma euforia desmedida e pressionado pela patrocinadora Nike, que obrigou a escalação do atacante Ronaldinho na final, apesar deste ter sofrido um ainda não explicado ataque de convulsões no alojamento na véspera. Brilhou a estrela do descendente de argelinos Zinedine Zidane, que surpreendendo a defesa brasileira marcou, em menos de 10 minutos, dois gols escorando cobranças de escanteios, a ironia era que ele normalmente era o cobrador. O melhor momento de sua carreira foi justamente no estádio que o seu pai, anos antes, havia ajudado a construir, como um entre os milhares de imigrantes que fazem rodar a economia das potências imperialistas. A França, que condenaria anos mais tarde, a revolta dos subúrbios, viu o seu novo título chegar justamente pelos pés de um deles. Perto do final da partida, Petit faria o terceiro e derradeiro gol, na maior diferença num placar em uma final desde a vitória do Brasil em 70 contra a Itália (4 x 1). Com o Brasil sem entender nada, até hoje circulam os boatos sobre o que teria acontecido naquela tarde na concentração. Qual é o seu preferido? |
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