| 1990 - ALEMANHA | |
| Um título para um país unificado | |
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Jeferson Choma, da redação Pouco mais de seis meses após a queda do muro de Berlim, um marco histórico que permitiu a reunificação da poderosa classe operaria alemã, a seleção da Alemanha consagra-se campeã na Itália, na copa de 1990. Uma cena do excelente filme “Adeus Lênin” talvez retrate de maneira fiel a alegria daqueles dias. Nela, os moradores de Berlim dos dois lados do muro, já posto abaixo a marretadas, unem-se em uma única comemoração, vibrando com a vitória da seleção Ocidental. Isso mesmo, Alemanha Ocidental. Até aquela copa ainda existiam duas “seleções alemãs”, embora, desde o fim de 1989, não existissem mais as fronteiras que dividiam o país. Contudo, antes do muro ser derrubado pelo levante revolucionário das massas alemãs, as eliminatórias da Copa já estavam em disputa, com duas Alemanhas. Apenas a Alemanha Ocidental conseguiu se classificar. A unificação das duas seleções, porém, enfrentava outros obstáculos. A Fifa tem como regra reconhecer apenas federações nacionais (e não países). Portanto, a Alemanha só teria uma única seleção quando toda a federação ocidental incorporasse oficialmente a oriental. O que só aconteceu após o Mundial da Itália. Mas antes de deixar de existir, a seleção oriental realizou uma série de partidas que foram marcadas, no mínimo, por uma irônica coincidência histórica. Nas eliminatórias de 1989, por exemplo, uma das últimas partidas da equipe foi contra a URSS, já em avançado estágio de desintegração. Seu último jogo nas eliminatórias foi contra a Áustria, país que na segunda guerra foi anexado à Alemanha. Por fim, pouco depois, em meados de 1990, a equipe disputou aqui no Brasil sua derradeira partida contra a seleção canarinho e foi derrota por um gol justamente do atacante...Alemão. Deixando as ironias históricas de lado, a conquista do mundial teve um profundo impacto psicológico na Alemanha recém-unificada. Não há dúvidas que ela se tornou um dos instrumentos político-ideológicos mais importantes na reunificação. Uma Alemanha separada, e com uma numerosa classe operária dividida foi um dos horrores produzidos pelos criminosos acordos entre o imperialismo e Stálin, após a segunda guerra. Divisão essa que também foi traumática no futebol do país e produziu absurdos, como por exemplo, o enfrentamento entre as duas seleções na copa de 1974. Uma partida cuja ressonância transcende a questão esportiva, tendo profundo impacto emocional e até político que é fácil de avaliar. A equipe ocidental, campeã daquela copa, acabou perdendo a partida, na única derrota do time comandado pelo genial Beckenbauer. O fato lamentável foi que na copa de 90, o mundo, e especialmente os trabalhadores alemães, não puderam ver os craques de ambas as seleções reunidas, sagrando-se campeã. Algo, que talvez, pudesse somente ter acontecido numa unificação com base na preservação da propriedade social, sem a restauração capitalista, assim como chegaram a sonhar os protagonistas de “Adeus Lênin”, no final do filme. |
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