| 1974 - ALEMANHA | |
| Generais de bola murcha | |
|
No final da copa, prevaleceu a injustiça. O fabuloso carrossel liderado por Johann Cruyf perdeu a final para uma apática Alemanha Ocidental, num dos jogos mais disputados da historia do futebol. O time da Alemanha Ocidental só sofreu uma derrota, justamente para seus compatriotas do outro lado do muro, da Alemanha Oriental, na primeira fase da competição. Todos os jogos foram cercados de muita segurança, devido ao atentado ocorrido na Olimpíada de Munique em 1972, quando o Setembro Negro - que defendia a independência da Palestina - atacaram o alojamento onde se encontravam os atletas israelitas, o que resultou na morte de 11 atletas e de quase todos os membros da organização. Como pano de fundo da copa, estavam os conturbados acontecimentos dos anos 70. Década marcada pelo desenvolvimento da contra-cultura, pela derrota norte-americana no Vietnã, o escândalo Watergate, que derrubou Richard Nixon, presidente dos EUA, a crise do petróleo e a vitória da revolução dos Cravos, em Portugal. No Brasil, a ditadura militar começava a ver sua bola murchar. O ufanismo de 1970 produzido pela propaganda ideológica da ditadura já eram coisas do passado. Foi em 74 que general Ernesto Geisel assume o comando do regime militar, já imerso sob o esgotamento do dito ‘milagre econômico’. Nessa época, a dívida externa do país chega a US$ 9,5 bilhões, a inflação estava em 34,5% e os salários dos trabalhadores são corroídos. Em seguida, os generais assistem a oposição crescer nas eleições parlamentares. Tudo isso, anos mais tarde, vai levar a eclosão das lutas operárias no ABC paulista e na retomada das mobilizações estudantis. Por outro lado, o desempenho da seleção brasileira não ajudou o regime a repetir a propaganda da copa anterior. Demonstrando um futebol defensivo, bem longe do apresentando por Pelé, Gerson, Rivelino e Tostão em 70, a seleção não resiste ao furacão holandês e perde de por 2 x 1 nas quartas de final. A tentativa de usar o futebol como instrumento de propaganda era tanta que a comissão técnica e a diretoria da CBD – atual CBF – foram dadas aos militares. Na copa de 1974, o presidente da CBD era o Almirante Heleno Nunes, enquanto o preparador físico era o capitão Cláudio Coutinho. De nada adiantou. Uma década depois da copa, milhares foram às ruas pedir o fim do regime, cuja cabeça, segundo a canção ‘Pelas Tabelas” de Chico Buarque, já rolava em pleno Maracanã. |
|
| 1930 · 1934 · 1938 · 1950 · 1954 · 1958 · 1962 · 1966 · 1970 1974 · 1978 · 1982 · 1986 · 1990 · 1994 · 1998 · 2002 · Leia também sobre as copas que deixaram de ocorrer |
|