| 1970 - MÉXICO | |
| A ditadura militar embalada pelo tri | |
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Assim era a letra do hino da campanha brasileira para a Copa de 1970, no México, até hoje conhecido por boa parte da população. O hino marcou não apenas a conquista do tri, mas o momento político daquele tempo. O clima era de euforia, com uma seleção considerada até hoje insuperável, com nomes como Pelé, Rivelino, Tostão, Gérson, Carlos Alberto Torres e Jairzinho. A seleção brasileira era um fenômeno inigualável e venceu todos os jogos da Copa. Na América Latina, o cenário de pobreza e desigualdade social levou a intensas mobilizações sociais anti-imperialistas e socialistas. Na década de 60 e 70, a luta dos trabalhadores no continente foi sufocada por golpes militares apoiados e financiados pelos EUA. O AI-5 e “esse Brasil vai pra frente" Por isso, para o regime militar, um time de craques e a conquista do tricampeonato vieram a calhar. Enquanto reprimia, prendia e torturava militantes, o governo do general Garrastazu Médici estimulou o crescimento econômico por meio de empréstimos externos, industrialização e realização de grandes obras e rodovias (como a Transamazônica). No início da década de 70, a economia nacional apresentava um crescimento excepcional de 12% ao ano. A televisão e o governo propagandeavam o “milagre brasileiro”. E a vitória na Copa do Mundo de 1970 ajudou a impulsionar a propaganda oficial. Porém, este sonho não duraria muito. O “milagre” ainda não havia chegado à mesa dos trabalhadores e o crescimento econômico havia beneficiado principalmente aqueles que já eram donos do poder e do dinheiro. O milagre começou a desmoronar na segunda metade da década de 70, quando a crise do petróleo e a alta dos juros, imposta pelo FMI, jogaram o país em uma profunda crise econômica, com inflação alta, desemprego e juros. Feridas abertas Um dos marcos dessa repressão foi o Massacre de Tlatelolco, em 2 de outubro de 1968, dias antes do início dos Jogos Olímpicos, sediados no México. Naquele dia, cerca de 10 mil estudantes e professores fizeram um grande protesto contra o governo na Praça das Três Culturas de Tlatelolco, na Cidade do México, repudiando os gastos com a realização dos Jogos e denunciando a repressão e o desaparecimento de ativistas. A polícia reagiu com violência e matou quase 300 manifestantes. Na Copa de 70, a seleção do México ficou em 6º lugar, atrás de Brasil, Itália, Alemanha Ocidental, Uruguai e URSS. Até hoje, esse foi o campeonato de futebol considerado mais belo e inesquecível, pelo alto nível dos jogos e dos jogadores. As semi-finais foram disputadas apenas por campeões mundiais: Brasil, Uruguai, Itália e Alemanha Ocidental. |
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