| 1950 - BRASIL | |
| A copa tupiniquim | |
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A Copa do Mundo sofreu os reflexos desta conjuntura pós-guerra. Para respeitar a alternância de continentes como sedes, quebrada em 1938, e para fugir dos escombros da II Guerra, a sede escolhida foi o Brasil. Além disso, a Fifa proibiu a seleção da Alemanha, agora dividida, de participar. Novidade foi a presença da seleção da Inglaterra, que até então se recusara a participar por divergências em relação a regras e ao processo de profissionalização do futebol. Além dela, somente mais cinco seleções européias se fizeram presentes: Suécia, Espanha, Iugoslávia, Suíça e Itália. Também participaram as seleções americanas do Uruguai, Chile, Estados Unidos, Paraguai, Bolívia e México, além, é claro, do próprio Brasil. A seleção inglesa, que estreara vencendo o Chile por 2 a 0, protagoniza uma grande zebra ao perder para o fraquíssimo EUA por 1 a 0. O gol estadunidense que derrubou a seleção da Rainha foi marcado por um imigrante haitiano lavador de pratos. O feito dos Estados Unidos repetiu a vitória do país na economia mundial após a guerra, superando a Inglaterra e se firmando como principal potência imperialista. O maior do mundo Graças à evolução do esporte no país, a conquista da taça por nosso escrete era dada como certa. Ainda mais com as avassaladoras vitórias obtidas na fase inicial: 4 x 0 no México, 2 x 0 na Iugoslávia, 7 x 1 na Suécia e 6 x 1 na Espanha (imortalizada pelo coro de 180 mil brasileiros cantando “Touradas em Madrid”); o empate com uma esforçada Suíça por 2 x 2 não derrubaria este ufanismo. Porém, na partida final contra o Uruguai uma improvável tragédia aconteceria, o maracanazo de 16 de julho. Após iniciar o jogo vencendo, com um gol de Friaça, nossa seleção mesmo tendo craques da estirpe de mestre Zizinho, Ademir Menezes e Jair da Rosa Pinto acabaria sofrendo uma histórica virada em pleno Maracanã. Com gols de Schiafino e Ghiggia e empurrados pelos berros e brios de seu valente capitão, o negro Obdulio Varela, o Uruguai silenciaria todo o estádio e a Celeste Olímpica levaria novamente a taça. A derrota, por sua vez, calou fundo na alma brasileira; preconceituosos e racistas de plantão poriam a culpa pelo vexame num eterno “complexo de vira-lata” e sobre os ombros de Barbosa, considerado o melhor goleiro da copa, mas que teria a “infelicidade” de ser negro, e do lateral Bigode que teria se acovardado diante de Obdulio. Já os jogadores e os críticos mais sensatos responsabilizariam os desmandos técnicos e organizativos (muitos bons jogadores de São Paulo ficaram de fora) e o aproveitamento político. Além de longos discursos de presidenciáveis, o técnico Flávio Costa era candidato a deputado e o artilheiro Ademir Menezes a vereador. Mas o principal vilão foi mesmo o clima de “já ganhou”. Subestimou-se o Uruguai, uma equipe que o Brasil enfrentara antes por torneios sul-americanos e contra a qual conseguira apenas duas vitórias apertadas (3 x 2 e 1 x 0) e uma derrota (4 x 3). Na véspera do jogo as manchetes dos jornais já traziam a foto da seleção do Brasil como campeã, fato este que teria sido usado pelo próprio capitão uruguaio para incentivar seus companheiros de equipe. Ele teria ordenado: “Pisem e urinem no jornal!”. Enfim, mesmo superando a perda, até hoje a tragédia de 50 traz más lembranças e seus protagonistas sofreram muito com elas. Pelo lado do Brasil, os jogadores foram crucificados historicamente e tachados de perdedores e pelo lado uruguaio nenhum reconhecimento maior foi dado aos seus “heróis”. A maioria dos protagonistas, brasileiros ou uruguaios, irmanaram-se no esquecimento e na pobreza. |
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