| 1938 - FRANÇA | |
| O diamante negro e a copa da guerra | |
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Com conflitos mundiais em curso ou iminentes e uma crise econômica e social sem precedentes, iniciava-se, na França, em 1938, mais uma copa do Mundo. Apesar da ameaça de guerra, a FIFA interrompeu o rodízio entre os continentes e a Europa sediou novamente os jogos. Diante disso, a Argentina liderou o boicote a esta copa, e Uruguai, México, Costa Rica, El Salvador, Colômbia e Guiana Holandesa a acompanharam. De fora da Europa, apenas Brasil, Cuba e as antigas Índias Holandesas (atual Indonésia) participaram. Ainda assim, pela primeira vez se instituía as eliminatórias, devido à grande procura de participantes. Camisas negras A Alemanha anexara a Áustria, que formara seu melhor time até então, e seus jogadores foram obrigados a integrar o time alemão. A seleção alemã adotou as camisas negras, cor do nazismo, e a suástica como escudo do time. Mesmo assim a Alemanha foi eliminada pela Suíça ainda na fase preliminar, por 4 x 2. O melhor jogador austríaco, o judeu Mathias Sinfelar recusou-se a integrar a seleção alemã e suicidou-se após a Copa do Mundo. Ainda em guerra civil, a Espanha não participou e perdeu a melhor oportunidade de conquistar o título mundial pois possuía uma das melhores equipes da Europa, liderada por Zamora – considerado o melhor goleiro do mundo. Um diamante no caminho da Itália Ainda assim, o Brasil, pela primeira vez, montou uma verdadeira seleção, com o fim dos conflitos entre CBD e a Confederação Brasileira de Futebol. Para sustentar a viagem dos jogadores e envolver a torcida, a CBD produziu 100 mil selos para serem vendidos, sob o slogan: "Ajudar o Scratch é dever de todo brasileiro." O Brasil também contou não só com um bom time, mas com o que foi considerado o primeiro gênio do futebol: o inventor da bicicleta, Leônidas da Silva, o Diamante Negro. A seleção brasileira estreou com um jogo épico, ganhando de 6x5 da Polônia, com 3 gols de Leônidas – um dos quais sem a chuteira, descalço. Contra a Tchecolosváquia, os resultados foram de 1x1 e 2x1, no jogo de desempate. O Brasil jogou, então, as semifinais com a Itália e o técnico brasileiro, Ademar Pimenta, decidiu “poupar” Leônidas do jogo de vida ou morte, levantando uma clara suspeita de que a delegação brasileira havia sido pressionada ou comprada pelo governo italiano e seu regime fascista. Resultado, um jogo duro, mas a Itália venceu o Brasil por 2x1. No dia seguinte, o jornal “La Gazetta dello Sport” estampava a seguinte manchete: “Saudamos o triunfo da inteligência italiana sobre a força bruta dos negros”. Muitos pesquisadores afirmam que se o “Diamante Negro”, o mago Leônidas da Silva, artilheiro desta copa com 8 gols, tivesse jogado, o resultado do jogo poderia ser diferente, favorável ao Brasil. Até hoje seus jogadores como Leônidas, Perácio e Romeu são lembrados. A Itália foi campeã derrotando a Hungria na final por 4 x 2. Novamente a imprensa italiana proclamarias louas “a apoteose do esporte fascista nesta vitória da raça”. O Brasil ficou com o terceiro lugar, derrotando a Suécia também por 4 x 2, com 2 gols de Leônidas, que “reapareceu”. Os anos seguintes foram de guerra mundial generalizada, que deixou 40 milhões de mortos. Hitler, ignorando os apelos de amedrontados governos burgueses, avança sobre a Europa. Anexa a Áustria e ocupa os Sudetos; em 1939 invade a Polônia; Em 1940, ocupa a Dinamarca, Holanda, Bélgica e até a outrora temida França só sobrando uma atônita Inglaterra. Em 1941 dá um drible em Stálin e invade a URSS. Mas isso é história para outra copa. Ou para as que deixaram de ocorrer. |
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