| 2002 - CORÉIA DO SUL E JAPÃO | |
| Depois das Torres Gêmeas, Ronaldo e Rivaldo |
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Dirley Santos, do Rio de Janeiro (RJ) A crise das bolsas no final dos anos 90 leva a quebra de várias economias pelo mundo. Fraudes empresariais (como a da Enrom) e políticas, como a eleição de George W. Bush (que recebeu uma mãozinha de seu irmão, governador da Flórida) balançaram a outrora poderosa economia dos Estados Unidos. Mas nada balançaria mais os EUA do que os ataques da Al Quaeda contra o World Trade Center, O Pentágono e a Casa Branca. Que levariam os EUA, num autêntico terrorismo de estado, a se intitularem novamente os xerifes do mundo. As liberdades civis foram atacadas, com os Atos Patrióticos, e a guerra preventiva os fariam invadir o Afeganistão, dos Talibãs, e o Iraque do ex-aliado Saddam Hussein. Até hoje as “perigosas” armas de destruição em massa não foram encontradas, apesar da morte de quase cem mil iraquianos. O Estado de Israel, outro estado terrorista, anuncia o erguimento de um muro separando palestinos e israelenses, um novo muro da vergonha. Em todo o mundo, inclusive dentro dos EUA, milhões vão as ruas contra a Guerra de Bush, algo não visto desde as jornadas de 1968 e das passeatas contra a Guerra do Vietnã. O antiamericanismo ganha força. Como expressão do fim dos anos reacionários, a revolução dá as caras na América Latina. Na Argentina, a classe trabalhadora vira o milênio em polvorosa, derrubando cinco presidentes, surgem as Assembléias Populares, os panelaços e os piqueteiros. O retrato da revolução é a fuga, de helicóptero, do presidente De la Rua da Casa Rosada. No Equador, indígenas, secularmente afastados do poder, realizam a Revolução do Arco-íris e põem para correr um presidente que de tão ligado ao imperialismo é chamado de ”gringo”. Logo depois, a Bolívia viveria suas guerras da água e do gás contra a pilhagem de seus recursos naturais. Tudo isso dá o tom do Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre. No Brasil, 10 milhões de pessoas votam e dizem Não à Alca, em um importante plebiscito organizado pelos movimentos sociais. A candidatura de Zé Maria a presidência coloca o tempo de TV do PSTU a serviço da campanha. No final do ano, o povo brasileiro, cansado de 8 anos de neoliberalismo e desemprego, elegem Lula presidente, apostando na mudança. O ex-líder sindical e seu partido, o PT, traindo as aspirações de sua classe, se comprometem umbilicalmente com a burguesia nacional e com o imperialismo. A Copa do Mundo, realizada pela primeira vez na Ásia, é marcada por severos esquemas de segurança. Participam novamente 32 seleções. Desta vez são dois os anfitriões, Japão e Coréia do Sul. O Brasil finalmente alcançou o tão almejado penta. Depois de uma preparação tumultuada por uma campanha pró-Romário, a seleção chegou a Ásia meio desacreditada pela fama de retranqueiro de seu técnico Luís Felipe Scolari, apesar de seu retrospecto vitorioso em clubes. Passou tranqüilamente pela primeira fase, mesmo apresentando um futebol razoável: 2 x 1 na Turquia (ajudado por pênalti inventado pelo juiz), 4 x 0 e 5 x 2 nas ingênuas China e Costa Rica, respectivamente. Nas quartas-de-final, uma polêmica vitória sobre a bem organizada Bélgica por 2 x 0 (o árbitro anulou um gol belga injustamente). Nas oitavas, brilhou a estrela de Ronaldinho, o gaúcho (que viria ser eleito anos depois o melhor jogador do mundo) que deu o passe para o gol de Rivaldo e fez um golaço antológico, encobrindo o goleiro, na virada sobre a Inglaterra por 2x1. No mesmo jogo o craque ainda seria expulso de campo. Na semifinal, o Brasil enfrentou novamente a Turquia, por quem passaria com um sofrível 1 x 0. Esta partida ficou marcada pela inusitada cena de quase metade do time turco tentando roubar a bola do habilidoso e moleque Denílson, que a prendia num canto do campo, relembrando os velhos e bons tempos de Garrincha. Na final, inesperadamente, um jogo mais fácil. Uma Alemanha burocrática não foi páreo para um melhor time brasileiro. Que com gols de Rivaldo e Ronaldinho, o fenômeno (que desta vez não amarelou), ganhou a partida e trouxe a taça pela quinta vez. |
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