segunda-feira, 27 de Agosto de 2012

Princípios, estratégia e tática na política revolucionária

Em cada momento da luta de classes, os socialistas são confrontados com o desafio de trazer ao mundo uma nova ordem política, social e econômica. Mas sabem que essa nova ordem, o socialismo, só pode ganhar vida se o partido revolucionário souber atravessar as distintas e complicadas fases da luta pela consciência das massas. Em cada uma dessas fases, os socialistas devem apresentar propostas concretas, que sejam compreensíveis para os trabalhadores e que os façam avançar. Ao mesmo tempo, essas propostas devem estar em sintonia com os fins perseguidos pelos revolucionários.

Como equilibrar esses dois pólos, aparentemente contraditórios? Como caminhar sobre uma navalha tão afiada? Assim, os problemas relativos aos princípios, à tática e à estratégia dos socialistas, na luta política, são dos mais complexos do marxismo. É preciso sempre tê-los presentes.

Os princípios
Os princípios, como o próprio nome diz, são as bases fundadoras de um determinado movimento. Como qualquer base, os princípios não podem ser abalados, sob a ameaça de que todo o prédio desabe. Não são moedas de troca em nenhuma negociação política, não podem ser flexibilizados, sob qualquer hipótese. Sua defesa não depende da situação política concreta. Por exemplo: somos contra a ditadura de Bashar al-Assad na Síria e apoiamos as massas desse país em seu enfrentamento armado contra o governo. Mas somos absolutamente contrários à intervenção imperialista na Síria, mesmo que seja para derrubar al-Assad, porque isso abala um princípio de nossa organização: a luta contra o imperialismo.

Assim, nossos princípios mais elementares são: o internacionalismo proletário; a independência política e organizativa da classe trabalhadora em relação à burguesia; a democracia operária; a luta contra o imperialismo; o combate a todo o tipo de opressão etc.

A política
Mas não seria revolucionário o partido que ficasse repetindo, como um iPod quebrado, esses princípios. Como qualquer “alicerce”, os princípios “não se mexem”, não podem ser colocados diretamente em movimento.

Assim, em 1979, para concretizar o princípio da independência de classe e arrancar os trabalhadores da influência do MDB, que fazia uma oposição burguesa à ditadura militar, a Convergência Socialista, antecessora do PSTU, propôs a formação de um Partido dos Trabalhadores. A proposta foi amplamente discutida nos setores mais combativos do movimento e, em 1980, o PT foi fundado.

Ao contrário, quando o PT se adaptou de maneira completa e irreversível à democracia burguesa e tentou, em 1992, frear a luta pela derrubada de Fernando Collor nas ruas, a mesma Convergência Socialista rompeu com a sigla e fundou uma nova organização, o PSTU. O mesmo princípio que nos levou a construir o Partido dos Trabalhadores, em 1980, fez-nos romper com ele, 12 anos depois.

Ou seja, em cada situação concreta o partido revolucionário formula mediações que colocam em marcha seus princípios, dão carne e sangue ao que, no início, não passava de palavras no papel. Essa mediação se chama política. A política é, portanto, a atividade concreta do partido, a atuação real da organização e não deve ser confundida com os princípios.

A relação entre os princípios e a política: oportunismo e sectarismo
Mas qual a relação entre os princípios e a política? Ora, todo princípio tem que se expressar em alguma política e toda política tem que estar em sintonia com os princípios, não pode se opor a eles. Por exemplo, o internacionalismo deve se expressar em alguma política concreta. Por isso, diante da participação das tropas brasileiras na ocupação do Haiti, o PSTU faz uma campanha permanente contra esse fato, promove palestras, organiza caravanas ao Haiti, denuncia as atrocidades cometidas pelo Exército brasileiro no país etc. Se, ao contrário, defendêssemos a presença das tropas brasileiras no Haiti simplesmente porque são as “nossas” tropas, então nossa política estaria ferindo um princípio elementar.

Isso parece simples, mas não é. O que fazem, por exemplo, as organizações oportunistas? Separam os princípios da política. Para elas, os princípios são uma coisa e a política é outra completamente diferente. Não têm relação entre si. Assim, muitas organizações se dizem socialistas, mas na vida real apoiaram ou se calaram diante do governo Lula e, hoje, fazem o mesmo com Dilma, justificando sua passividade diante dos ataques aos trabalhadores com uma suposta “disputa dos rumos do governo” e com a necessidade de “impedir a volta da direita”. Ou seja, abandonaram o princípio da independência de classe.

No outro extremo, estão as organizações ultraesquerdistas. O que elas fazem? Ao invés de formular uma política, elas simplesmente agitam os princípios. Nas assembleias, não páram de gritar “fora a burocracia!”, mas são incapazes de articular uma chapa de oposição que derrube de fato a burocracia. São os mais radicais na denúncia do governo, mas não conseguem formular uma única exigência que empolgue os trabalhadores e os coloque em movimento, para que, na luta, compreendam que esse é um governo dos banqueiros e latifundiários. Sempre que alguém tenta traduzir um princípio abstrato para o idioma da política concreta (por exemplo, chamar a unidade de todas as centrais sindicais contra a Reforma da Previdência), as organizações ultraesquerdistas veem nisso uma traição aos princípios e lançam suas tradicionais acusações: “Capituladores! Reformistas! Etc.” Para a ultraesquerda, a política não existe. Só existem os princípios.

Tática e estratégia
Dentro do conceito de política, estão os conceitos de tática e estratégia. O senso comum tem uma compreensão errada desses termos. Em geral, trata-se como se fossem sinônimos, mas isto não é assim. Tática e estratégia são termos militares. A estratégia é o fim a ser alcançado, o objetivo estabelecido. As táticas são os meios, os caminhos escolhidos para se chegar a esse fim.

Tática e estratégia são termos relativos e um deve sempre ser definido em relação ao outro. O que é apenas uma tática num momento, torna-se uma estratégia em outro. E vice-versa. Por exemplo, os trabalhadores definem fazer uma greve. Essa é sua estratégia naquele momento. Para garantir a paralisação, poderão utilizar diferentes táticas: piquete na porta da fábrica, furar os pneus dos ônibus que levam os trabalhadores para a empresa etc. O importante é garantir a greve (estratégia). Mas se olharmos mais amplamente, a própria greve não passa de uma tática para atingir um objetivo maior: o aumento salarial. Em outra situação, quando não há mobilização suficiente, ao invés de fazer greve, poderão apenas atrasar os turnos ou algo parecido. Nesse caso, em relação ao aumento salarial, a greve deixou de ser a estratégia e passou a ser uma das táticas possíveis, nada mais.

A confusão entre tática e estratégia
O grande perigo para a política revolucionária é confundir tática com estratégia. Por exemplo, o Marxismo sempre defendeu a participação nos processos eleitorais como uma mera tática para se chegar ao movimento de massas e construir o partido revolucionário. Mas algumas organizações transformaram essa tática em uma estratégia permanente no objetivo de suas vidas. É o caso do PSOL, cujo programa, forma de funcionamento interno, política de alianças e prática cotidiana giram em torno da disputa eleitoral e de uma melhor localização nos espaços da democracia burguesa.

No extremo oposto, estão as organizações ultraesquerdistas que rejeitam a participação nas eleições, alegando que isso significa abandonar a estratégia da revolução socialista e da mobilização direta das massas.

Há, ainda, organizações que adotam sempre a mesma tática, não importando de que tema se trate e quais as condições concretas. Eleições sindicais? Unidade da esquerda! Eleições burguesas? Unidade da esquerda! Governo está forte? Unidade da esquerda! Governo está fraco? Unidade da esquerda! Trata-se, é evidente, de uma forma infantil de fazer política.

Portanto, a relação fundamental que se estabelece entre tática e estratégia é: uma tática sempre deve estar a serviço de uma estratégia, ou seja, o meio (caminho) escolhido não pode se chocar com o objetivo estabelecido. Por outro lado, táticas são táticas e devem ser adotadas e abandonadas à medida que a realidade muda. Se a tática leva à estratégia, é uma boa tática. Se não leva, não é. Adota-se outra e pronto.

A relação entre princípios, estratégia e tática
Mas não basta que a tática leve à estratégia para ser considerada boa. A tática revolucionária deve levar à estratégia sem abandonar os princípios. Ou seja, a conexão entre esses três termos não pode ser rompida. Deve haver sintonia entre eles.
Por que? Porque se uma tática leva à estratégia, mas foge dos princípios, significa que está abalando as bases da própria organização, está tornando ainda mais distante os objetivos pelos quais a organização se formou.

Por exemplo, queremos derrubar a burocrata que dirige o sindicato há mais de 20 anos. Essa é nossa estratégia. Mas se para isso nos utilizamos de táticas machistas, se agitamos que ela não pode dirigir o sindicato porque é uma “histérica mal-amada”, que “não aguenta o tranco porque é mulher”, pode ser até que a derrubemos. Mas junto com ela, abandonarão a luta sindical inúmeras mulheres trabalhadoras, que não suportarão o clima opressivo instalado no sindicato. O sindicato, e portanto a luta e a organização, ficarão mais fracos.

A tradição revolucionária
Uma das maiores contribuição do Marxismo ao movimento operário contemporâneo é justamente o estabelecimento desse laço indissolúvel entre meios e fins, que estão ligados entre si por uma cadeia de mediações chamada política. Ao mesmo tempo, o Marxismo demonstrou que um mesmo fim admite distintos caminhos. Somente a análise de cada situação concreta pode determinar se uma certa tática é correta ou não, se rompe com os princípios ou não. Nenhuma receita de antemão é possível.

O Partido Bolchevique, o partido mais revolucionário que a humanidade já conheceu, entrou para a história por sua absoluta firmeza estratégica e pela rigidez titânica de seus princípios. Mas pouco se fala da incrível flexibilidade que o Partido Bolchevique, dirigido por Lenin, apresentava quando se tratava de escolher uma tática, definir uma tarefa parcial de curto prazo. Se não fosse a rigidez dos princípios, os bolcheviques jamais teriam conquistado o poder; teriam se degenerado pelas vias do oportunismo, como o fizeram tantas outras organizações. Mas, também, se não fosse a flexibilidade tática, não teriam jamais conquistado a consciência das massas, pré-condição necessária para a luta pelo poder; teriam se transformado em uma seita marginal, como também aconteceu com tantos outros partidos.

Como dizia Nahuel Moreno, dirigente trotskista argentino, fundador de nossa corrente internacional, a Liga Internacional dos Trabalhadores, referindo-se à experiência da Revolução Russa: “O bolchevismo lutou contra os terroristas, mas soube usar o terror; lutou contra os sindicalistas, mas foi o campeão na luta sindical; lutou contra os parlamentaristas, mas usou o parlamento de forma hábil e revolucionária; lutou contra a guerrilha, mas soube fazer guerrilhas; lutou contra os espontaneístas, mas soube colocar-se à frente das mobilizações espontâneas. E, diferentemente dos anarquistas, que passaram toda vida ameaçando com ‘Abaixo o Estado burguês’, sem consegui-lo, o bolchevismo soube fazê-lo quando foi necessário e possível. Isto porque todas as táticas, que utilizou com audácia e sem nenhum preconceito, sempre estiveram a serviço de seu grande objetivo estratégico: seu desenvolvimento como partido dos trabalhadores, para que as massas russas tivessem uma direção revolucionária e, ao mesmo tempo, a mobilização dessas mesmas massas, o que lhe permitiu tomar o poder e fazer a revolução socialista em outubro de 1917.”
Trata-se, portanto, de recuperar as velhas e boas tradições do Marxismo revolucionário.


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